Que Média?

Quando se conclui que os professores ganham mais do que a média comparativamente com outros países, sem se colocarem os dados do estudo online enquanto despejam o spin para a comunicação social, fala-se exactamente do quê?

Dos salários brutos ou líquidos? Será que 1500 euros brutos cá e em outros países têm a mesma carga fiscal? Olhem que não, olhem que não… espreitem o quadro lá mais abaixo, à falta de outro melhor por agora.

Dos salários nominais ou reais? Porque há anos que olho para o salário que deveria ter e, estranhamente, não bate certo com o que aparece realmente no recibo para se fazerem as contas. Mas deve ser a minha proverbial pitosguice, que me impede de ver além…

De uma carreira como está na lei ou como existe na realidade? Porque ninguém se encontra o último escalão (mas dá jeito para comprar com os outros países onde se ganha “menos”, assim como para estabelecer rácios da treta) e em que com 15 anos de carreira se estaria formalmente no 4º escalão, mas na realidade se está no 2º? Há gente com mais de 20 anos de serviço que está no 1º escalão? Querem exemplos concretos? Com recibos e tudo? Arranja-se, se algum especialista se quiser atirar do aQeduto do CNE para a realidade.

E é por isso que, não sabendo eu como estes estudos são feitos, com base em que dados exactamente, me parece que isto é tudo uma enorme anedota.

Afinal do que falamos quando falamos em “carreira docente”? De um mito que existe no ordenamento jurídico formal ou na vergonha em que foi transformada?

Só para termos uma pequena ideia do peso da fiscalidade nos salários (globalmente e não só no sector público, o mais atingido por cortes e reduções), vejamos o seguinte quadro relativo ao que o Estado recolhe em impostos e taxas dos rendimentos do trabalho. Já agora… reparem lá como Portugal é o país onde mais cresceu o peso do fisco nos salários entre 2014 e 2015. A Itália foi a que ficou mais perto de nós nesse acréscimo anual. Os dados são de 2015 e da sacrossanta OCDE. Aproveitei para destacar a diferença entre Portugal e a Polónia, para que se perceba que fazer comparações com salários brutos é uma enorme falácia.

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Modernices

Embora esteja meio arredado de um acompanhamento mais atento do quotidiano do disparate escolar, de quando em vez ainda me são comunicadas algumas pérolas como as que se seguem, perguntando-me @s colegas se isto tem algum suporte legal…

Num caso é uma “presidente da CAP [que] incumbiu a coordenadora dos DTs a assinar as actas todas do 2º e 3º CEB (duas escolas diferentes)”, no que penso ser um acto de requintado sadismo para com a pobre colega.

Já em outro é uma questão sobre a base legal de serem os EE a requerem Apoio ao Estudo para os seus educandos, algo que me parece informalmente válido, mas sem qualquer sustentação jurídica.

Mas já começa tudo a parecer-nos normal…

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A Culpa é dos Velhos

É o que se depreende, sem grandes subtilezas hermenêuticas do título do Observador, esse farol de defesa do rejuvenescimento docente, no qual nenhum articulista ou dirigente alguma vez defendeu as políticas que conduziram ao encerramento dos quadros de docentes (embora, verdade se diga, eles preferissem o despedimento colectivo dos que estão, porque insurgentes e insubmissos só os compinchas).

Quanto mais velhos os professores, maior a indisciplina nas aulas

O que eu ainda não percebi bem no meio disto é se a indisciplina é porque são velhos os professores ou se são os velhadas encarquilhados que não sabem dominar as turmas. O mais certo é ser tudo ao mesmo tempo. E o melhor é extinguir as velharias ambulantes, porque parece que a malta nova se importa menos ou reporta menos, porque já percebeu que adianta pouco.

Outra coisa que eu também não percebo é se certas coisas que @s menin@s fazem nas aulas não mereceriam ser escarrapachadas diariamente no site das escolas, mesmo que anonimamente, para ver se alguns progenitores acusam o toque. Agora é tudo mais digital, mas ao longo do tempo fui guardando relíquias de um passado mais ou menos recente, em que eu era menos velho e menos arrogante do ponto de vista moral (esta é uma directa a um amigo meu do fbook, pessoa que se irrita muito com estas minhas prosas mais direitinhas à canela de muitos estudiosos e seus amplificadores na imprensa), como esta que agora apresento, recolhida há não assim tanto tempo numa aula de 5º ano na mesa de duas jovens meninas. Garanto que tenho exemplos muito melhores e sei que não é nada de inédito, mas este até tem o seu interesse suplementar pelo que revela de necessidades de uma melhor ortografia e de uma séria Educação Sexual ou para a Saúde ou o que seja. Embora revele uma certa dimensão na área dos Afectos com c.

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Indisciplina

Novo estudo, velhas constatações, escassas novidades. Mas dá sempre para títulos do caraças como o do Observador. Para variar, condiciona-se a opinião pública com parangonas, sem disponibilizar o acesso aos dados de base do estudo.

Como remediar algo que parece endémico?

Prevenção do fenómeno para reduzir a sua incidência, celeridade na intervenção para que os actos não pareçam ficar impunes, redução das contemporizações contextualizadoras do tipo “o agressor é também uma vítima” porque isso é uma agressão para as as verdadeiras vítimas.

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