O Máximo Denominador Comum

Existe actualmente uma espécie de poder dual na produção de dados sobre Educação para a comunicação social. Repare-se que não escrevi produção de conhecimento, mas de dados e indicadores para consumo mediático. Um dos poderes é o de um grupo de sociólogos (e outros cientistas sociais) da Educação na intersecção do PS com o Bloco, com uma forte concentração (embora não exclusiva) no ISCTE; o outro está mais próximo do PSD e passou a ter uma espécie de benção do CNE como o que se passa com o projecto aQeduto. Um é mais antigo e teve um período áureo com Maria de Lurdes Rodrigues como ministra, quando vários desses elementos fizeram parte de estruturas de apoio do ME ou mesmo da sua estrutura administrativa; em regra, desenvolve projectos com o apoio da FCT. O outro tem uma origem mais recente, estando agora mais ligado a apoios da FFMS para os estudos regulares que divulga através de uma relação mais ou menos privilegiada com este ou aquele jornal. As suas agendas são diversas, o substrato ideológico diferente, mas confluem em dois aspectos: no acesso privilegiado a dados estatísticos que o ME recolhe ou às bases dos testes PISA (bem como do projecto TALIS, embora menos dos PIRLS e TIMMS) a caracterização crítica do corpo docente das escolas como estando envelhecido, incapaz de acompanhar a “escola do século XXI”, prisioneiro de preconceitos discriminatórios contra determinados grupos de alunos (crítica mais recorrente na facção à esquerda) e pago acima da média dos seus congéneres europeus, sem que os resultados compensem aquilo que é identificado como ineficiências na gestão dos recursos humanos do ME (facção CNE).

Não vou negar a ocasional razão de algumas das críticas formuladas, mas mantenho e repito que tendem, de forma mais ou menos consciente e voluntária, a passar para a opinião pública com a complacência de alguns dos seus amplificadores mediáticos uma imagem que generaliza como sendo prática comum o que estará longe de ser a regra do quotidiano nas escolas públicas. Elevam de forma mais explícita ou dissimulada, ao estatuto de verdade “científica” com relações de causalidade lineares o que por vezes não passam de fenómenos excepcionais ou de paralelismos estatísticos. Sim, sei que esta minha opinião será menosprezada como a de alguém sem obra vasta publicada e certificada na área, que tende a adoptar uma posição “corporativa” de defesa intransigente dos professores (nem por isso, só que sei distinguir as maçãs podres de todo o pomar e preocupo-me com as reais causas e não apenas com o abate das árvores velhas ou mais resistentes) e que mais de uma vez foi qualificado de forma bem caridosa quanto às suas capacidades e atitudes, por um e outro dos poderes.

Mas é para o lado que me deito melhor e adormeço sem sobressaltos. Porque são por demais evidentes cordelinhos que movem exactamente por estes dias a intensa produção de indicadores divulgados para a opinião pública em forma de atractivos gráficos sem que possamos verificar como foram produzidos (há “estudos” que nunca descrevem a sua base estatística, sendo que seria muito fácil colocar essa informação online para ser verificada) ou de evidências conclusivas sobre fenómenos com base em pouco mais do que teorias de outrora e estudos de caso à medida, sem contextualização de médio-longo prazo. Sendo que ambos os centros deste poder dual coincidem sempre na crítica aos mesmos quando algo se apresenta como menos bom, mas que nunca atribuem mérito quando é evidente que algo não está assim tão mal.

Teoria da conspiração?

Talvez, se o que escrevi fosse completamente falso, o que não é. Até porque há quem saiba bem que eu sei que eles sabem que eu sei como muita coisa foi produzida, porquê e por quanto.

Nada do que é produzido e divulgado desta forma é para deitar fora? Nada disso, sendo muito importante tanto o que dizem e como, como aquilo que raramente lá está.

E não… não adianta dizerem que quero ou alguma vez quis ser cooptado por qualquer das cliques, porque se assim fosse não andaria a dizer e escrever isto há bastante tempo, inclusivamente em privado quando percebo que a coisa está toda enviesada.

CatAlice

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3 thoughts on “O Máximo Denominador Comum

  1. Ora bem! O que eu gostava era ver o Dr. Barreto (António,) dar umas aulitas, vá lá…no Secundário. Talvez ele não saiba de que disciplina. Eu também não. Se for sociólogo, talvez pudesse ser aceite,. Mas não tenho a certeza. Há pessoas que acham que são sociólog@s, mas pode não ser assim.

    Parece-me que alguém de família lá do Dr. Barreto já tentou dar umas aulitas (não um ano inteiro, que me pareça, nem coisa parecida) e não aguentou grande coisa. Mas escreveu um livro. Em proporção, dava para um tipo como eu publicar…um armário completo da Biblioteca Nacional!

    O Dtor. Barreto, aliás como a Dtra Mónica, não fazem investigação. Limitam-se a reproduzir conversas de café, daquelas que eles prórprios iniciam. Como, geralmente, os conversantes ficam caladinhos, limitando-se a registar e calar, vida é fácil.

    Quem me dera uma fundação que me apoiasse!

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