A Injustiça do Benefício do Infractor

Se há coisa que, como professor ou encarregado de educação, me irrita acima da média é todo o aparato ideológico-burocrático, com chancela teorizadora de uma sociologia de vão de escada, destinado a relativizar a gravidade dos comportamentos ditos disruptivos, que muita gente parece pronta a achar que são apenas não-conformistas, e a tentar atenuar as consequências para quem os pratica, querendo fazer-nos acreditar que são eles as verdadeiras vítimas do sistema. Não, não é verdade. As verdadeiras vítimas são aqueles que cumprem as regras, que não aldrabam, não agridem, não mentem, não tentam denegrir o trabalho alheio ou amesquinhar os colegas (já não sei se estou só a falar de alunos…), mas que depois são obrigados, em tantas situações, a conviver com a impunidade dos que os ofenderam ou maltrataram, porque há toda uma parafernália de mecanismos destinados a convencer-nos que não é a punir que se consegue alguma coisa. Resta saber se não punindo, não estaremos a desmoralizar mais do que aquilo que podemos marginalmente ganhar com as teorias da contextualização da agressão.

E isto faz-me lembrar o meu falecido professor Cordeiro Pereira quando dizia, com a sua subtil ironia, que apreciava muito bons historiadores marxistas só tendo pena que em Portugal apenas existissem  de 2ª e 3ª ordem. Porque eu sou um grande apreciador de Sociologia da Educação e até tenho ali uma bela prateleira temática, só lamento é que entre nós tenhamos este campo académico-político ocupado por gente de 2ª e 3ª ordem, com uma preocupação maior em provar os seus preconceitos ideológicos do que em defender uma verdadeira justiça no tal sistema.

Se ser justo é apenas punir? Claro que não, porque é essencial prevenir. Mas isso os nossos sociólogos subsidiodependentes do artigo online replicado em éne revistas indexadas raramente se preocupam em afirmar, estendendo a responsabilidade pela prevenção às instituições que ficam do lado de fora do portão das escolas. Ou reconhecendo que as vítimas são na maioria das situações mesmo as vítimas e os agressores os reais agressores, bem como é importante que quem assiste a isto tudo não fique com a ideia de que o mundo é dos chico-espertos, malcriados e grunhos.

PG Verde

Com a Razão, Mas sem Moral

Os articulistas como João Miguel Tavares podem ter razão sobre a pasmaceira sindical do outrora façanhudo Mário Nogueira. Mas têm uma moral abaixo de zero para escrever ou falar do assunto, pois sempre o criticaram por não ser assim. Pior, se dizem que o ME faz o que ele quer (mesmo sendo completa mentira), porque andaria ele a protestar? A teoria da desigualdade de oportunidades é muito relativa e completamente hipócrita, pois quem tem de se queixar são aqueles que ele umas vezes diz defender até à morte no passeio da 5 de Outubro e em outras prefere esquecer com uns drinques ou umas pizzas ao madrugar. Esses são os professores que, como eu, o criticam com coerência ao longo dos tempos, sejam os governos de Esquerda ou Direita, porque isso a mim tanto faz se souberem governar (e seria bom lembrar os tempos de MLR, nesse particular, essa ministra tão adorada por muitos direitinhos). O problema de alguns articulistas à peça é que só sabem ver a cor das camisolas como qualquer hooligan (lá diria o defunto rangel, outro grande coerente nestas matérias).

janus