Serviços Públicos

Em algumas zonas, tornou-se mais habitual ver um par de agentes da autoridade a vigiar o decurso de uma qualquer mini-obra de uma empresa de telecomunicações do que a fazer um giro numa qualquer vizinhança mais problemática. Não sei se são coisas pagas à instituição, se ajuda à sua sustentabilidade financeira. Mas…

wall

O Tal Pântano

A compra das consciências continua, no caso de quem ainda a tem. Uma vergonha se for adiante a parte dos autarcas. A da caixa apenas continua a vergonha que tem sido a sua gestão de há muito tempo para cá. A geringonça ou tem alguma moralidade nisto ou torna-se eticamente equivalente ao resto.

E nem sei se é inocente por cima estar em enorme destaque o Rui Rio a preparar a sucessão ao Passos (e ao Costa?).

exp29out16

Expresso, 29 de Outubro de 2016

Grave

Crato fez muita asneira mas não encobriu o Relvas. Pelos vistos, o ministro Tiago preferiu encobrir um seu ditoso amigo chefe de gabinete com declaração de habilitações falsas em diário oficial. Se nada disto tivesse fundamento, qual a razão da demissão?

Adenda: vi, entretanto, no telejornais, as explicações do homem para o sucedido… digamos assim… no mínimo, são pouco plausíveis.

homer-doh-animated-gif-i13

A Estúpida da Minha Mãe nem me Viu

Seguido de “agora está lá em baixo a dar a volta ao carro, é mesmo parva”. Foi assim que há uns meses um pimpolho com uns 13 anos mimoseava a sua progenitora (e certamente mentora do seu penteado à moda com o cabelo assim à phosga-se) à porta da sua escola, a mesma que ontem estava nos noticiários da noite por causa de agressões entre raparigas dessa escola e de uma outra da zona, a mesma escola onde anda a minha petiza, já não tanto petiza quanto isso. Não sei se o pubescente tinha razão, não me compete, apenas acho que poderia ter uma certa noção da falta de oportunidade e da necessidade de um mínimo de decoro filial. Mas dava a sensação de ganhar créditos com os pares por ser assim, portanto, descarrega na velha mesmo se não é velha, muito menos na opinião dela, bem jeitosa que se vê ao espelho.

Este tipo de linguagem é o pão nosso de todos os dias à porta das escolas, em especial das Secundárias quando eles e elas já pensam que o desenvolvimento púbico deve ser público e pouco púdico, daí um extenso recorrer ao vernáculo por qualquer razão e mais alguma que lhes ocorra, desde que se mande alguém subir ao carvalho e ir-se amar a si mesmo, no caso de não se preferir acusar a ascendência alheia de diversos hábitos ainda tidos por social e sexualmente menos aceitáveis. Foi sempre assim? É possível, mas eu ainda acredito na evolução e não apenas biológica. A genética dos costumes também poderia aprimorar-se.

A escola segura não se ocupa com estas coisas, muito menos em escolas não consideradas de risco e quem, do lado de dentro, poderia dar uma ajuda na contenção da coisa, acha que não lhe pagam para isso. Talvez tenham razão, mas a verdade é que as consequências são deprimentes para quem observa ou fenómeno ou ouve. Tirando aqueles que acham que tudo isto é natural e é da idade.

Acho bem que se façam leis com áreas de restrição de fumadores junto aos portões das escolas. Mas, a bem dizer, a poluição mais grave para diversos sentidos nem sequer é essa, mesmo se há aqueles que ficam quase com uma perna dentro e outra fora a tirar umas fumaças em escolas em que até pode ser o funcionário de serviço a fornecer o isqueiro. Os maiores agentes poluentes nem sempre são o fumo e a cinza dos cigarros, mas sim os decibéis de porcaria saída da boca a um ritmo alucinante, capaz de fazer um buraco negro, mas às avessas, que escurece tudo ao redor com a alarvidade.

Se estou a ficar velho? É verdade, mas parece que (infelizmente?) ainda não preciso daqueles zingarelhos que anunciam antes das duas da tarde em alguns canais ditos noticiosos, quando um tipo almoça e só vê vender banha da cobra e cálcio às palettes a 29,90€ a peça.

maeduca

A Injustiça do Benefício do Infractor

Se há coisa que, como professor ou encarregado de educação, me irrita acima da média é todo o aparato ideológico-burocrático, com chancela teorizadora de uma sociologia de vão de escada, destinado a relativizar a gravidade dos comportamentos ditos disruptivos, que muita gente parece pronta a achar que são apenas não-conformistas, e a tentar atenuar as consequências para quem os pratica, querendo fazer-nos acreditar que são eles as verdadeiras vítimas do sistema. Não, não é verdade. As verdadeiras vítimas são aqueles que cumprem as regras, que não aldrabam, não agridem, não mentem, não tentam denegrir o trabalho alheio ou amesquinhar os colegas (já não sei se estou só a falar de alunos…), mas que depois são obrigados, em tantas situações, a conviver com a impunidade dos que os ofenderam ou maltrataram, porque há toda uma parafernália de mecanismos destinados a convencer-nos que não é a punir que se consegue alguma coisa. Resta saber se não punindo, não estaremos a desmoralizar mais do que aquilo que podemos marginalmente ganhar com as teorias da contextualização da agressão.

E isto faz-me lembrar o meu falecido professor Cordeiro Pereira quando dizia, com a sua subtil ironia, que apreciava muito bons historiadores marxistas só tendo pena que em Portugal apenas existissem  de 2ª e 3ª ordem. Porque eu sou um grande apreciador de Sociologia da Educação e até tenho ali uma bela prateleira temática, só lamento é que entre nós tenhamos este campo académico-político ocupado por gente de 2ª e 3ª ordem, com uma preocupação maior em provar os seus preconceitos ideológicos do que em defender uma verdadeira justiça no tal sistema.

Se ser justo é apenas punir? Claro que não, porque é essencial prevenir. Mas isso os nossos sociólogos subsidiodependentes do artigo online replicado em éne revistas indexadas raramente se preocupam em afirmar, estendendo a responsabilidade pela prevenção às instituições que ficam do lado de fora do portão das escolas. Ou reconhecendo que as vítimas são na maioria das situações mesmo as vítimas e os agressores os reais agressores, bem como é importante que quem assiste a isto tudo não fique com a ideia de que o mundo é dos chico-espertos, malcriados e grunhos.

PG Verde