A Globalização da Estupidez

Descuido? Acidente? Mas não existia um perímetro de protecção em redor da peça que uma criatura imbecil partiu para tirar a merda de uma foto para meter no fbook ou algo assim? Há uns tempos foi a estátua da estação do Rossio porque outro imbecil quis fazer uma selfie idiota. Património? Cultura? Arte? Esta malta só está interessada em acumular pics para se mostrar, duvidando eu que saibam distinguir uma peça em talha dourada do c-3po.

Haddock

Acordou?

Será que percebeu que as medidas tomadas no último ano com algum impacto positivo (fim da PACC ou da BCE) não tinham impacto orçamental e que quando foi preciso tomar opções o ministro amigo teve o peso politico de meia alçada? Ou apenas está a fazer voz um coche grossa para parecer que coiso e tal? Quem conhece o historial, sabe que lhe basta umas amesendações negociais para se acalmar e que se o vieira da silva telefonar a alguém lá mais acima no comité ele se cala logo no minuto seguinte, mais comunicado, menos comunicado.

E não me confundam com os editorialistas ou articulistas que apenas o condenam por estar manso com a Esquerda, porque isso para mim é secundário. Direita ou Esquerda não me interessa; interessam-me políticas concretas, e não palavreado sonso, de redignificação da profissão docente. O que lamento é que exista quem só defenda os interesses específicos dos professores conforme o manual de instruções.

supermario

Os Têpêcês

Os meus alunos sabem desde cedo o que penso do assunto (está no Youtube, descobrem-no depressa). Uso-os pouco, raramente ou mesmo nunca de um dia para o outro, mas não os diabolizo como certos psicólogos e pedagogos da moda. O bom sendo deveria imperar e tal como temos tabelas para a marcação de testes, deveríamos tê-las para os trabalhos de casa, para que o bom senso não fosse tanta vezes atropelado. A pseudo-polémica é antiga e há opiniões para todos os gostos, pelo que a prudência aconselharia algumas pessoas a terem posições menos definitivas e absolutas, em especial quem defende que o tempo dos pais não deve ser passado a ajudar os filhos nas suas tarefas escolares. Embora eu saiba que há quem pague e bem para que outros o façam, acho que um pouquinho de envolvimento na matéria não faz mal nenhum à ascendência. Se os tempos andam acelerados e são escassos os momentos para o fazer, atendendo aos horários laborais desregulados e sobrecarregados? Que tal exigirem, nas instâncias próprias, que os pais com filhos em idade escolar (em especial no Básico) tenham alguns benefícios de horário nos locais de trabalho? Nunca lhes ocorreu isso? Acham que a batalha é difícil e preferem assestar armas sobre escolas e professores, por acharem que é mais fácil esse caminho, com a ajuda dos educardossás e outros psicologizantes do tubérculo com borboleta? Ok… mas não peçam a minha compreensão total, em especial se têm tempo para andarem horas a actualizar redes sociais. Em Espanha fizeram um boicote? Muito bem… mas não precisam de andar por cá a encavalitar-se na coisa. De acordo com um relatório recente, em Portugal, o tempo gasto pelos alunos em têpêcês é dos mais baixos da OCDE e menos de metade do que é em Espanha. Portanto, façam lá o favor de não se esticar em queixinhas. No sul da Europa, quase parecemos escandinavos nessas matérias.

homeworkchart

À escola o que é da escola, aos pais o que é dos pais. Não poderia estar mais de acordo, embora leve algum tempo a preocupar-me na escola com assuntos que deveriam ser de casa como, só para exemplificar, se os alunos tomaram o pequeno almoço, se estão adoentados demais para estar nas aulas, se trazem roupa adequada ao acentuado arrefecimento que se vai finalmente verificando: Entre outras coisas. A vida está difícil? Sim, e nem digam nada quando há gente arraçada em corno de cabra que, como eu, ousa ser professor e pai e está sempre a levá-las dos dois lados. Pena há que existe tanta gente que não quer fazer nada, deixar tudo aos professores e depois ainda os culpem de ensinar para uma escola do século XIX que eles nem sabem como eram, apenas aprenderam a papaguear que era assim.

Mas, por caridade, que os factos não perturbem os vossos preconceitos e as naturais conclusões pré-definidas. Como aconteceu com os alunos bem ensinados que – espanto dos espantos – disseram aos governantes tão só e apenas o que eles queriam ouvir, não faltando os lugares-comuns e as “revoltas” que só um distraído acreditará que nasceram assim, espontâneas.