Mesmo a Sério?

Há algo em mim que hesita entre o sorriso condescendente e o pavor quando leio que o modelo da escola de massas “onde um professor ensina ao mesmo tempo e no mesmo lugar dezenas de alunos” que foi herdado da Revolução Industrial (nossassenhora, quanta treta histórica, pois a generalidade dos sistemas nacionais de ensino nascem dos projectos políticos liberais associados à criação dos Estados-Nação) precisa urgentemente de ser substituído por um outro mais progressista, mais avançado, adaptado aos novos tempos e novas tecnologias que, no fundo, permitirão que um professor ou mesmo uma máquina ensine à distância não dezenas mas centenas ou mesmo milhares de “alunos”. Ainda não consegui perceber se certos arautos do “futuro” e da “escola do século XXI” percebem exactamente as consequências práticas das suas excitações intelectuais. Porque me parece que ainda não entenderam que aquilo que, na generalidade dos casos, defendem é exactamente o caminho mais directo para o contrário do que proclamam. Porra, isto cansa!

brainwash

Entendamo-nos… eu também acho que precisamos de mudar, quiçá de “paradigma”, mas quer-me parecer que é no sentido contrário da despersonalização e do acréscimo de intermediações tecnológicas entre os elementos humanos nos processos e actos educativos.

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3 thoughts on “Mesmo a Sério?

  1. A última vez que estive dentro de um hospital do séc. XXI, o transporte para o quarto (continuam a haver quartos) foi assegurado por uma poltrona telecomandada com massagem incluída; no quarto as camas dos vários doentes (continuam a haver várias camas num quarto) eram redondas tipo “puff” fofinho e aconchegante de cor vermelha; na mesa de cabeceira tinha um portátil, um livro sobre a estupidez dos homens, uns “fones” e “um charro electrónico” para adoptar uma postura mais estimulante da cura; a parte central do quarto era um espaço para a circulação do pessoal médico e de enfermagem e de equipamentos (mas pelo menos tinha uma passadeira felpudinha azul celeste); em vez de viagens aos blocos operatórios ou salas de exames ia-se para spa´s especializados e depois em maca voadora dotada de um “touch screen” dava-se um saltinho pelo cabeleireiro ou pedicure (reforço da auto-estima); entre as 16 e as 18H participava-se em Workshops sobre diarreias, vómitos, convulsões ou debates sobre os tratamentos/exames e medicamentos que os médicos devem dar aos doentes,…

    Não há c* que aguente esta gente… ainda comecei a ler o artigo mas os vómitos começaram muito cedo… discursos com anos e anos e anos, remodelados com uma terminologia pedante e pretensiosa (querem, à viva força, criar várias geração de pobres, proletários e explorados ou, se sem má fé, estão completamente desligados da realidade)

    Entre os hospitais do séc. XXI e os do séc. XX há grandes diferenças em termos de espaços/ organizações/enquadramentos? – Não! Mas há muitas diferenças a outros níveis (muitas para melhor, nomeadamente a nível humano) mas estas percebem-nas bem quem, infelizmente, precisa de andar por lá.
    É a mesma coisa com as escolas… fala daquela maneira (insultuosa para as instituições e para os seus profissionais) quem não vive nelas!

    “Somente duas coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana. E não estou seguro quanto à primeira.” Albert Einstein

  2. tem teses interessantes e outras utópicas…

    não mencionaram nos exemplos citados, quantos alunos envolvidos viviam em lares por decisão da CPCJ, quantos têm familia desestruturada (sem pais e sem referências de adultos), quantos vivem em condições financeiras miseráveis cuja ASE não funciona, …

    citando: “Wagner defende que a escola deve desenvolver sete “competências de sobrevivência” necessárias para que as crianças possam enfrentar os desafios futuros: pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas, colaboração, agilidade e adaptabilidade, iniciativa e empreendedorismo, boa comunicação oral e escrita, capacidade de aceder à informação e analisá-la e, por fim, curiosidade e imaginação. Quanto ao ensino das disciplinas, deveriam ser incentivados outros métodos para além do “decorar, decorar, decorar”. É por essa razão que muitos dos seus colegas “odeiam História”: “Deviam encontrar uma forma que nos cativasse. Em vez de nos obrigarem a decorar, podiam contar-nos mesmo uma história – levar-nos a falar com historiadores ou pessoas que tivessem vivido um determinado acontecimento.”
    E que tal dizer isto a vários pais que vão às reuniões de CT questionar os profs que usam a metodologia de não decorar, dizendo que os seus petizes acham estranho e não percebem nada e que no tempo deles se ensinava de outra maneira, ditando tudo para o caderno e esparramando tudo com montanhas de linhas escritas?…
    Quando acabam com todos estes treinadores de bancada que tanto opinam sobre como ‘dar uma aula’ sem terem nenhuma formação técnica disso?
    Apetecia ser assertivo ‘à Trump’…

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