Substância

Estou na fase dos escritos autobiográficos da malta que me coloriu os ouvidos desde final dos anos 70. Alguns até escrevem bem, outros andam mais numa de ajustes de contas. O Morrissey acumula. O Springsteen tem lampejos, mas por vezes é apenas um exercício de eu-eu-eu. O Peter Hook lê-se bastante bem e confesso que nunca esperaria que guardasse tanta informação (já vai no 3º livro e este é um tijolo). De todos, até agora a Patti Smith e o Elvis Costello são os mais articulados e parecem ser os que têm menos nomes na lista negra e ressentimentos para exorcizar. Saiu há dias o livro do Johnny Marr… não sei bem até que ponto vale a pena ir ver a versão alternativa para a dissolução dos Smiths.

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Cacofonia

Silenciosa. Ou, mesmo quando ainda produz ruído, de eficácia nula. Em 2008, 2009 e mesmo um pouco depois, a multiplicidade de vozes que na blogosfera contrastava com o quase vazio na comunicação social de escrita de opinião não alinhada politico-partidariamente sobre Educação. Mesmo que os resultados tenham sido escassos, existia a sensação de que algo era possível, que poderia ser alterada alguma coisa, mesmo que em pequena escala. E em alguns momentos, houve mesmo quem pensasse que as massas poderiam ter alguma força. Agora temos uma situação que não é inversa ou simétrica, mas em que a blogosfera que escreve sobre Educação parece ter perdido a pouca capacidade ou mesmo esperança em que algo mude, se exceptuarmos a capacidade do Arlindo (Ferreira) para prestar um serviço público de informação sobre os concursos que mais ninguém consegue em tão pouco tempo ou o entusiasmo do Alexandre (Henriques) em discutir temas e desenvolver redes de debate. Na imprensa, são agora mais os que escrevem, em especial no Público, mas acredito que em muitos casos, um pouco mais para desenhar o seu quadrado do que acreditando no poder da mudança pela palavra ou argumento. A anestesia tomou conta do recinto. Até podem escrever muito e com conteúdo, mas raramente com real efeito para lá dos seus muros. Sim, o Paulo (Prudêncio) continua a pensar sobre as coisas com calma como ninguém há mais de 10 anos, a Anabela (Magalhães) mantém a intensidade de sempre o António (Duarte) lá se convenceu a criar o seu espaço próprio de opinião, pecando aqui por defeito as referências que não são inventário. Mas, mesmo que possam não o assumir, acho que todos partilham, nem que seja em pequena proporção, aquela minha sensação de que as coisas estão controladas no seu remanso com ondas regulares a fingir movimento e polémicas que valem apenas se envolverem os grandes actores em presença na divisão das parcelas do orçamento. E por grandes, por favor, não confundamos com mais numerosos, tipo alunos ou professores.

Mercearia

Substituições

Ainda o século XX estava a uns tempos de fechar e o processo de substituir um professor era artesanal, mas linear e, por estranho que pareça, rápido, a menos que existisse falha causada por preguiça humana (aconteceu-me uma vez, ali por 1996, aconteceu… tinham rodado as clientelas d@ CAE com a transição para o guterrismo e ainda estavam a aprender a fazer). Conhecia-se a necessidade de uma substituição, ia-se à lista ordenada em papel do mini-concurso distrital respectivo e seguia carta para a pessoa e fazia-se telefonema para a escola a comunicar os dados que, se assim o entendesse, até poderia telefonar ao próximo na fila para saber em 48 horas se aceitava. Parece estranho, mas a coisa chegava a estar resolvida em uma semana. Claro que com excepções. O problema é que as excepções se tornaram agora a regra nos tempos da tecnologia que tudo acelera menos os procedimentos e é raro os miúdos estarem menos de 3 semanas sem professor@. O que em casos de atestado de um mês, nem sequer chega a compensar a aceitação. E o período de espera acaba por tornar-se quase definitivo. Mas parece que é mais eficaz do ponto de vista financeiro. Acredito. Mas só para os maníacos do excel, porque mais ninguém ganha com esta parvoíce e o fim da BCE ainda não pariu nova criança robusta.

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