Desisti

De responder ao inquérito online que uma editora me enviou sobre a gratuitidade e reutilização dos manuais. Quando se exige um sim/não a uma pergunta com quase três linhas, onde todo um argumento está exposto, não vale a pena, mesmo que concordemos com parte dessa mesma argumentação.

Etiqueta: Estudos à maneira.

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Haveria Nexexidade?

Numa notícia sobre um tema interessante – o dos trajectos de sucesso e até que ponto as médias em exames podem ser delineadas por algum insucesso prévio – surge a seguinte passagem “O PÚBLICO tentou sem sucesso falar com os directores destas escolas, uns já tinham saído, outros adiaram eventuais comentários uma vez que ainda não tinham analisado este novo indicador.”

Os directores em causa são os das escolas públicas com um nível de trajectos de sucesso pleno a rondar os 50%. Em seguida, analisam-se os resultados das privadas (“colégios”) e nada se diz sobre um eventual contacto com os seus directores ou equivalentes para comentar os dados, pelo que não sabemos se tinham saído, se sequer lá tinham estado hoje ou o que quer que seja.

Ao longo de anos tenho tentado defender a tese junto de muitos colegas de que, em regra, a comunicação social não é o inimigo e que não há uma conspiração mediática global contra os professores. Há momentos em que me arrependo. Como em alguns momentos também me arrependo de defender os meus. Mas neste caso, há meses que se percebe que o vento sopra agreste.

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Passar aos Outros e Nada aos Mesmos

O CDS “recomenda ao Governo que proceda ao reposicionamento dos professores no correspondente escalão da carreira docente”, o que é de manifesta justiça, embora – se bem lembro, lá dizia o outro – tivessem sido eles, por via do Casanova, que definiram as regras de ingresso dos professores no concurso de vinculação extraordinária que levou a que pessoas com 20 anos de carreira ficassem no 1º escalão da carreira, assim como foram eles que mantiveram o congelamento da carreira docente durante TODO o mandato.

Ora… se é verdade o que continuam a afirmar – que Portugal está desgovernado e à beira do apocalipse financeiro e imerso no marasmo económico, em virtude das políticas radicais de reversão – não se percebe bem o que os levou a mudar de opinião.

A menos que exista um qualquer interesse especial nesta questão. Porque a proposta é um bocado vaga… pois alega como principal motivo o seguinte:

Aquando da realização dos últimos concursos externos, quer ordinários quer extraordinários, os docentes que, em resultado dos mesmos, ingressaram em lugar de quadro foram posicionados no 1.º escalão, índice 167, independentemente do tempo de serviço que já detinham.

São inúmeros os casos de professores com dezenas de anos de serviço, colocados em Quadro de Zona Pedagógica e em Quadro de Agrupamento nos referidos concursos, que estão a auferir uma remuneração correspondente ao primeiro escalão da carreira docente.

Ora bem… se os docentes que ingressaram na carreira forem reposicionados no escalão do tempo de serviço que já detinham, isso significaria que ultrapassariam os docentes já inseridos nos quadros que estão congelados há anos e anos, sem qualquer reposicionamento.

Concretamente… um docente com 18 anos de serviço, entrado pela via extraordinária, seria colocado no 5º escalão (por exemplo), enquanto um docente na carreira com esses mesmos anos de serviço está, em regra, aí pelo 3º escalão…

Se a vinculação extraordinária já promoveu umas quantas ultrapassagens pela Direita, esta medida, sem um reposicionamento global de TODOS os docentes, levaria a uma dupla ultrapassagem. Será que, de novo, há algo de extraordinário nisto tudo?

Claro que na proposta se afirma (ERRADAMENTE) que:

O Grupo Parlamentar do CDS considera, pois, necessário encontrar uma solução no sentido do reposicionamento destes docentes no correto escalão, em função do tempo de serviço, sem descurar a situação dos docentes previamente vinculados e, cujas carreiras se encontram congeladas desde janeiro de 2011, por decisão tomada pelo Governo PS em 2010.

Só que o congelamento não começou em Janeiro de 2011. E que me lembre, de 2011 a 2015, o CDS nada fez para que isso fosse alterado.

Portanto, isto parece mais aquelas propostas que os “radicais” do PCP e do Bloco fizeram em tempos e o CDS chumbou.

Arranjem um pouco de vergonha na cara, pode ser?

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