Maturidade

Um destes dias “numa rede social”, uma amiga (olá, Reb) interrogava-se sobre o que lhe tinha trazido a maturidade, em termos pessoais e profissionais. A mim, respondi, trouxe em primeiro lugar algumas dores nas costas. Em seguida, acrescento agora, trouxe-me a certeza de ter dúvidas quanto ao acerto de dezenas de decisões que tomo por aula, por dia, sobre as opções que assumo, sendo as pedagógicas as menos complicadas. É muito mais problemático sabermos até que ponto, em alguns contextos, estamos a trabalhar sempre no fio da navalha e a fazer avaliações instantâneas com influência no estado de espírito e mesmo na vida de dezenas de miúdos. Algo incompreendido pelos especialistas de gabinete e grelhas ou académicos de anfiteatro domesticado e quedo.

A maturidade não mudou, porém, o essencial: a capacidade para pedir desculpa quando percebo que errei numa apreciação ou observação sobre, por exemplo, um aluno ou para admitir que há metodologias a reavaliar se não funcionam. Nem mudou a minha impaciência com os adultos que se portam pior perante a necessidade de aprender algo novo do que as crianças e jovens que criticam. O facto de estarmos mais velhos, cansados e irritados nem sempre justifica outras coisas. Amadurecer não tem de significar apodrecer. Pelo contrário, até costuma tornar os frutos mais saborosos.

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