Fases

Devo ser estranho, pois acredito que aprender não é apenas decorar/empinar por aí fora, Ensino Básico à desfilada e quiçá o Secundário, nem é desenvolver pensamento crítico desde os cueiros. Há tempos para tudo. Há uma fase de aprendizagem que necessita muito de práticas de inculcação de rotinas pela repetição (sim, sou um professor velhadas), seja “cantar” os verbos ou a tabuada (dispenso os rios e as linhas de caminho de ferro, até porque são poucas e cada vez menos) e uma outra que, após transição mais ou menos demorada, deve incentivar a análise crítica da informação que já se aprendeu ou que se vai pesquisar. Essa fase de transição é, no meu entendimento quintaleiro, o 3º ciclo, ali pelos 13-14 anos, quando já se torna possível ir mais além do que a repetição papagueante ou a criatividade pouco estruturada. É a altura em que me arrepia que ainda se tenha como modo de vida avaliar o mero decalque da ficha formativa feita uns dias antes. Mas pode ser apenas feitio meu, pois aborrece-me muito estar a classificar as mesmas coisas à dezena, setinhas, cruzinhas e coisinhas se acordo com a sebenta. Então em História é meio caminho andado para eles acharem que, mais do que morta, ela passa duas mil vezes pelo mesmo caminho.

lua

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One thought on “Fases

  1. O assustador é que, no secundário profissional, os jovens têm capacidades de nível inferior às dos alunos de segundo ciclo. (E o que lhes falta em conhecimentos e competências sobra-lhes em arrogância e indisciplina.) Ainda esta semana, um aluno do profissionnal perguntou-me o que quer dizer “ecológico”, e outro, de uma turma diferente, mostrou-se autenticamente espantado por eu ter dito que não é a Terra que está no “centro” do universo. O prolongamento da escolaridade obrigatória sem o necessário aumento da fatia (migalha?) orçamental da Educação, a integração no ensino profissional de alunos provenientes do vocacional e do CEF, consequência do mesmo prolongamento, o coitadismo de professoras-tias, que defendem para os filhos dos outros (da classe baixa) o que não consentiriam que acontecesse com os seus filhos, o bullying estatístico da tutela, o modelo anti-democrático de gestão das escolas, a pauperização intelectual dos professores e a burocratização da actividade docente, tudo isto explica um fenómeno que nos deve envervonhar, quer enquanto profissionais, quer enquanto agentes ético-políticos.

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