Os Pastores e o Rebanho

Quando se ouvem e lêem as opiniões de sucessivos governantes na área da Educação percebe-se até que ponto se consideram os pastores esclarecidos de um rebanho de professores sem saber próprio, sem orientação, desfasados de tudo, até os encaminharem na direcção certa. Sempre que algo corre bem as políticas foram eficazes, sempre que algo corre mal é porque existiram erros de implementação nas escolas ou “falhas de comunicação” (leia-se… a carneirada não entendeu a mensagem… explicação muito comum por exemplo quando se procura elevar MLR aos píncaros). Até podem, em termos individuais e pessoais, terem consideração por alguns professores que conhecem e não é raro terem parentes professores, excepcionais, ou seja, fora da regra da ovelhada dominante que precisa ser pastoreada para campos mais verdes do que o verde, ele mesmo. Os piores são exactamente os que até conhecem alguma coisa do sistema, pois extrapolam as asneiras que conhecem para todo o universo (salvos as excepções familiares ou amizades) e vai de zurzir a partir de um par de más práticas que conheceram em primeira mão. mesmo quando a razão de queixa é escassa, pois é raro padecerem de males comuns.

Agora imaginem que se devolve na mesma moeda e se generaliza a todos os políticos e governantes o que conhecemos de muito mais do que uma mão cheia deles. Não gostam, detestam a simetria, sentem-se injustamente tratados, dizem que só sabemos dizer mal e que lhes invejamos o estatuto. Quando, afinal, apenas nos recusamos a dar a milésima face à chapada.

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10 thoughts on “Os Pastores e o Rebanho

  1. E como deixar de ter políticos de merda?
    Talvez exigindo, aquando de próximas eleições, a divulgação prévia de quem iria, em caso de vitória do partido A ou B, ocupar a pasta da Educação e que políticas iria praticar?
    Nós somos (caso nos uníssemos) para cima de 100 mil, mais respectivas famílias e amigos, ou seja, muitos votos, capazes de decidir uma eleição. Se votássemos em alguém reconhecidamente competente e com boas políticas, em vez de nos dividirmos pelas várias capelinhas, o nosso voto seria decisivo. Assim, continuamos a queixar-nos. Até quando?

    1. O problema é que, com a geringonça, já experimentámos quase todas as configurações político-partidárias.
      E, no presente, a Educação não é considerada razão para instabilizar o “resto”.

      1. Ia-me esquecendo… para isso era preciso deixarmos de ter vergonha de ser um grupo de pressão. E os nossos “representantes” não serem apenas correias partidárias a ajudar a pastorear a malta.

      2. A mim esses “representantes” não me representam, de certeza, que eu não passo procurações a ninguém. Não considero meu colega quem não põe os pés, há décadas, numa sala de aula e se limita a fazer trabalho político.Quem não ensina não é professor, é outra coisa qualquer.
        Mas em relação aos políticos da treta, se calhar estaria na altura de deixarmos de votar nas capelinhas do costume e formarmos nós um partido a sério. Nós somos professores, isto é, educadores. Deveríamos ser capazes de formar um partido que preparasse, de facto, o futuro do país, sem guerrinhas nem merdinhas. Assim houvesse consciência da importância que temos (deveríamos ter) na sociedade. Assim houvesse unidade.

      1. Sim, eu sei que não passa de utopia (eu sou de Filosofia, já não é defeito, é feitio…).
        Mas já Platão defendia, há uns bons anitos, que a sociedade só seria bem governada quando os governantes fossem Filósofos ou os Filósofos se tornassem governantes. Em vez de Filósofos, eu digo ‘Professores’, já que, a meu ver, todos os Professores dignos desse nome são Filósofos. Quem melhor para governar um país que aqueles que, em cada dia, ensinam os cidadãos de amanhã? Sem outro interesse que não a melhoria da sociedade? Levávamos porrada? Claro que sim. E então? Não seria novo para nós. Não me parece ser uma ideia a rejeitar definitivamente.

  2. Tudo tem sido feito e continua a ser feito para que as Escolas deixem de o ser e os Professores deixem de ensinar… As pressões são variadas, contínuas e mais que muitas…

    Afinal o que é preciso é entreter e guardar crianças e jovens para que os papás trabalhem mais horas para além do seu horário com inteira disponibilidade para levar, no fim do mês, o ordenado mínimo (quando é o mínimo)… e, é se querem pois haverá sempre outros em fila para receber ordenados miseráveis sem quaisquer direitos.
    … uns anos volvidos e estarão os seus descendentes nas mesmas filas e misérias…
    Isto dá jeito às “democracias” dos tempos de hoje – tempos sem convicções e sem valores.

  3. Quase esquecia:
    “… Agora imaginem que se devolve na mesma moeda e se generaliza a todos os políticos e governantes o que conhecemos de muito mais do que uma mão cheia deles…”
    – Neste caso, o erro rondaria os 10%, num cenário optimista… mas é para o lado que dormem melhor, que o seu corporativismo é sempre melhor que o dos outros e tudo continua e continuará na mesma.

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