Colaborações – Bird Magazine

Enquanto espero que uma versão mais longa possa aparecer pelo Público Online:

Andava o país educativo em raro repouso quando se soube, por via da divulgação dos dados dos testes internacionais TIMMS 2015, que os alunos portugueses de 4º ano estão entre os melhores em Matemática e que no Secundário o desempenho em Matemática Avançada e em Física também é completamente contrário aos discursos decadentistas sobre o nosso sistema de ensino e a sua inadequação ao século XXI. Mesmo em Ciências, área com resultados mais fracos, Portugal é apontado como um dos países com maiores progressos desde 1995, quando se iniciaram estes testes comparativos.
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São boas notícias, que deveriam ser acolhidas com júbilo, por certo, mas igualmente com um espírito de partilha pela responsabilidade por tais resultados. O que realmente aconteceu, mas como é habitual entre nós, numa lógica de circuito fechado da classe política. O actual secretário de Estado da Educação, na ausência quase permanente do ministro quando se trata de articular mais do que lugares-comuns, apareceu a reclamar que tais resultados comprovam, de forma prospectiva, a bondade das opções curriculares ainda por tomar e, num acto de veneração pela papisa educacional do PS, evocou Maria de Lurdes Rodrigues e o seu Plano de Acção da Matemática. Acrescentou ainda que esta é a prova de que foram desenvolvidas “políticas eficazes”. O PSD, por sua vez, surgiu a reclamar para si a paternidade desses mesmos resultados, por via da paixão de Nuno Crato pela Matemática, desconsiderando outras responsabilidades.
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Se dermos a palavra a mais alguns ex-governantes, mesmo que com algumas picardias político-partidárias pelo meio, encontraremos uma singular confluência quanto à conclusão que foram as políticas que todos delinearam em momento de iluminada inspiração e genialidade, mesmo que aos ziguezagues e de forma incoerente entre si na última década, que estiveram na origem dos bons resultados dos alunos portugueses. Em nenhum momento se vislumbra uma declaração que, de modo claro e – quiçá! – corajoso atribua numa prioridade cimeira a responsabilidade por tal desempenho a quem o teve (os alunos) ou a quem com eles trabalhou ao longo de anos (os professores), apesar dos revolteios curriculares, programáticos e de metas que se sucedem desde o madrugar deste milénio.
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Os pais e mães das crianças são mais do que muitos quando chega a altura de recolher os diplomas e elogios e, como têm direito aos microfones e às câmaras, tratam de se congratular com a auto-satisfação típica de quem se vê ao espelho pela manhã sempre tão belo e responsável por todos os bens e por nenhum dos males. O decoro já não é o que era.
PG Verde
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11 thoughts on “Colaborações – Bird Magazine

  1. Convirá talvez começar por notar que “os testes internacionais TIMMS 2015” estão em consonância com o paradigma educativo vigente – bem vistas as coisas, não servem senão para confirmá-lo e reforçá-lo -, que vem do século passado e do qual o nosso sistema de ensino faz parte.
    Mas isso não obsta, por outro lado, a que se reconheça que tais resultados se ficam a dever ao empenho e ao trabalho dos alunos e dos seus professores – isto apesar das políticas educativas (de MLR a NC) que não têm vindo senão dificultar esse esforço.
    E aqui tocamos na questão de fundo: a melhoria dos resultados só será sustentável e terá pleno significado se tiver por base processos de ensino-aprendizagem consistentes (que requerem investimento sério e criterioso na rede pública, o contrário do que vem acontecendo) e não fogos-fátuos que resultam do mero voluntarismo político para brilhar nos rankings eleitorais ou de mercado.

  2. E a desonestidade continua. O secretário de estado disse – e cito da insuspeita Clara Viana, que tudo o que escreve é para enterrar o governo:

    “Em declarações ao PÚBLICO, o governante admitiu que esta progressão também não é alheia à aposta no ensino da Matemática do anterior ministro Nuno Crato. “É uma evolução que deriva de um resultado compósito e que se deve ao investimento que Portugal tem feito na Matemática”, disse.”

    Como calculo que o Paulo Guinote seja dos que lê mais do que o título e o lead das notícias, este artigo serve quem? Os do costume! De volta a 2008!

    1. Caro Rui Santos… porque truncou as declarações do SE?
      Por acaso não recuperou a MLR como grande responsável pelo início da aposta? 🙂
      Sim, referiu o Crato e depois responsabilizou-o pelo desempenho menos bom em Ciências. 🙂

      Só uma dúvida… já que falamos em coisas de honestidade… sempre que escrevo sobre o Verdasca e o actual SE aparecem-me sempre aqui umas aves de arribação, tipo “abrantes”. Ainda recebem por conta?

      1. Escreveu uma coisa certa: este artigo serve os do costume e de 2008. Os professores, os responsáveis, depois dos alunos, pelos resultados e não secretários de passagem, mais os seus assessores da treta para a blogosfera.

  3. Ó meu caro, nunca vi esse Verdasca mais gordo e admito que gosto do discurso do secretário de estado. Mas não faço fretes a ninguém. Penso pela minha cabeça e opino quando tenho de opinar.
    Gosto do ministro e deste ministério e não tenho problema em assumir isso. Mas dou as minhas aulas normalmente e não frequento as altas patentes deste país. Não escrevo para jornais nem vou a debates com colunáveis. Mas sobretudo assumo as minhas opções abertamente.
    Não trunquei nada. Apenas mostrei que você estava a mentir, quando dizia que o secretário não reconhecia o trabalho do Crato.
    Mas fique tranquilo que não bato mais a esta porta. Não quero que se apoquente.

    1. Se reconhecer o trabalho de Crato é dizer que ele é responsável pela queda dos resultados em Ciências, vou ali e venho já. Sim, truncou as declarações e de forma desonesta.

      Quem é, não faço a ponta de ideia, nem me interessa.

      Se volta ou não, tanto se me faz. Não me preocupam as suas opiniões e quanto a assumi-las abertamente, mais vale quem o faz de caras aos responsáveis, sem se encobrir em comentários, ora com um nick, ora com outro. Se o seu caso é mais um de dor de cotovelo? Há sempre pomada voltaren.

      1. O mestre do reviralho! Como sabe que não tem razão, transforma a sua desonestidade na desonestidade dos outros.
        Dor de cotovelo? De quem anda com as colunáveis do país? lol
        Fui!

  4. ó Ruizinho… então não se ia embora?
    Repito… agora como em 2008 defendo os professores e não os senhores do momento.
    Já os ruizinhos são uns medíocres que só aparecem quando o vento lhes enfuna as velas.
    Quanto dói não passam de uns tretas, escondidos na maralha.

    O lugar dos ruizinhos é em outros blogues a lamber o rabo às ex-damas do engenheiro, a relembrar os tempos quem que havia tanta maioria sem controle.

    O problema é que há quem tenha defendido esta solução política governativa, mas não de forma acrítico, ó abrenúncio, que nem percebes as origens históricas e políticas do termo “reviralho”. Até poderia agradecer a qualificação, acaso soubesses do que falas, idiota.

    Para professor, acaso o sejas, és um ignorante, daqueles que pensa que é por mudar de mail que não é bloqueado. Não te bloqueio porque adoro que criaturas como tu apareçam.

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