Mais de uma Década de Políticas Ineficazes

Há tanto tempo que se anda a amesquinhar a classe docente, numa aliança entre políticos de ocasião, especialistas ao desbarato, más-línguas blogosféricas insurgentes e blasfemas, articulistas observadores e tanta outra gente de inteligência superior, e os alunos continuam a achar que os professores merecem a sua confiança, são empenhados e são dos que lhes dão maior apoio, em termos comparativos internacionais? Os dados dos TIMMS 2015 e dos PISA 2015 são claros e convergentes, embora exista sempre a possibilidade do spin dos mas. Seja como for, só por manifesta má-fé se pode continuar a apontar uma incompetência generalizada aos professores portugueses, a necessidade de os renovar, reformatar e tanto outro disparate, a par de tantas ofensas que lhes são dirigidas com regularidade por gente de má índole e catadura mais do que duvidosa, não esquecendo iluminados como aquele miguelarticulistatavares.

Os “clientes” estão satisfeitos e recomendam com quem eles trabalha todos os dias. Deve ser uma enorme desilusão para a papisa e para os seus actuais seguidores, que não perdem oportunidade para lhes prestar vassalagem e branquearem a ditosa obra. As suas políticas de amesquinhamento fracassaram.

In your face, grunhos!

povinho

Afunilamento Curricular

Eu até acho que existiu, mas tendo como vítimas as Ciências Sociais e as Expressões. Não as Ciências, como, de forma desastrada, o SE João Costa afirmou há bem pouco tempo. A menos que os dados dos PISA 2015 sejam resultado de uma enorme e desonesta conspiração global.

Pesando estes fatores, e criando um índice combinado que inclui os resultados a Ciências, atitudes e percentagens de estudantes que querem trabalhar na área, Portugal está entre os sete sistemas educativos com maior desempenho, a par de Singapura, Austrália, Canadá, Irlanda, Eslovénia e Reino Unido.

Os quadros são do Expresso:

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Deve ser Engano!

Os professores portugueses são dos que mais adaptam o seu trabalho aos alunos? Só pode ser erro do estudo, pois sabemos de fontes mais do que seguras e por estudos feitos com estatísticas e tudo, que os professores portugueses são conservadores, apáticos, retrógrados, discriminadores, racistas e o que mais for possível encontrar nas investigações de gente renomada e coberta a subsídios da efecêtê para publicar 5 artigos com o mesmo texto, mais ou menos parágrafo e cor dos gráficos, em revistas nacionais, estrangeiras e afins. Comparar este tipo de conclusões com o discurso oficial dos especialistas em Educação sobre os professores portugueses e a “escola do século XIX” seria cómico, se não fosse trágico e não nos moesse o juízo quase todos os dias do ano. Há toda um trupe de escrevinhadores, consultores, conselheiros nacionais, investigadores, académicos de monta, a dizer que os professores portugueses são do piorio, que não ligam aos alunos, que lhes viram as costas, que discriminam os pobres e os de outras etnias (basta ler aquela literatura made in sociologia rodriguista do isczé) que não se actualizam, e agora aparecem a dizer exactamente o inverso?

Phosga-se!

Os alunos portugueses são dos que – tal como no TIMMS – afirmam que os professores mais lhes dão apoio? ‘Tadinhos… não devem ainda ter tido uma câncio à espera à porta para partilharem confidências sobre @s velhadas ou terem sido inquiridos por um abrantes que lhes explique que esse apoio é uma espécie de racismo ao contrário.

Será por acaso que os professores que dão menos apoio aos alunos são exactamente de alguns dos países cujo(s) modelo(s) queriam recentemente que seguíssemos (Alemanha com os vocacionais, Holanda com a privatização, etc)?

Nem sei que diga aos clamores de tanto (ex-)governante e do CNE em defesa da selecção dos melhores professores,. pois o sistema está pejado de gente que deveria ser posta a andar. Os alunos discordam, mas isso agora não interessa nada, certo? É tempo de desvalorizar e relativizar os PISA, correcto?

Ou então – já sei! – isto é assim porque são apenas os professores de Ciências e não devemos generalizar…

pisa2015prof

Aprendizagem Lenta

O ministro já sabe dar os parabéns a professores e alunos, mas depois emaranha-se em matérias que notoriamente domina com muita dificuldade. Em outros tempos, daria algum gozo demonstrar como alguma da sua argumentação é falaciosa (elogia, nas mesmas declarações, o facto de em Portugal os alunos mais desfavorecidos serem dos que mais melhoraram os resultados a nível internacional, enquanto despeja a ladaínha sobre as retenções e respectivos “custos”, entrando naquela retórica da cultura da retenção, da iniquidade e sei lá mais o quê). O SE é muito mais articulado, só que desta vez teria de dizer coisas ao contrário do que disse a propósito dos TIMMS e isso seria chato. Nada como não aproveitar o desempenho alheio para fazer foguetório político.

METiago

PISA 2015

Estou a escrever antes do levantamento do embargo relativo à divulgação dos PISA 2015. Os resultados são muito favoráveis a Portugal, apesar da maioria das previsões catastrofistas. Por razões de trabalho, não posso ainda apresentar muitos dos dados e não faço ideia do spin colocado nestas matérias pela comunicação social, nomeadamente ao nível dos “mas”.

Atendendo ao que declarou na semana passada sobre o mau desempenho em Ciências, o que terá o actual SE a dizer acerca disto, constante no volume 2 do relatório dos PISA:

Australia, Canada, Ireland, Portugal, Singapore, Slovenia and the United Kingdom are high performers in science. Their 15-year-old students hold strong beliefs about the value of scientific enquiry, and larger‑than‑average proportions of students in these countries expect to work in a science-related occupation later on.

E no volume 1:

Among OECD countries, Portugal improved by more than seven score points every three years, on average and Israel raised its score by about five points every three years. Partner countries/economies Macao (China), Romania, Singapore, and Trinidad and Tobago also show significant improvements over the period in which they participated in PISA. (Of these, only Macao [China] and Romania participated in all four PISA cycles between 2006 and 2015.) (Figure 1.2.21).
By contrast, in Finland, the Slovak Republic and the United Arab Emirates, student performance in science deteriorated by more than ten points every three years, on average. Performance in Australia, the Czech Republic, Greece, Hong Kong (China), Hungary, Iceland and New Zealand deteriorated between five and ten points every three years; and mean performance in science in Austria, Croatia, Jordan, the Netherlands and Sweden declined by less than five points every three years, on average (Figure 1.2.21).

(…)

Few countries saw consistent improvements in reading performance since PISA 2000.
Of the 42 countries and economies that have collected comparable data on student performance in at least five PISA assessments, including 2015, only Chile, Germany, Hong Kong (China), Indonesia, Israel, Japan, Latvia, Macao (China), Poland, Portugal, Romania and the Russian Federation (hereafter “Russia”) have seen an improving trend in average reading performance.

Não tenho qualquer dúvida que voltaremos a ouvir falar em “políticas eficazes”. E os políticos irão reclamar a sua responsabilidade em tudo isto, quiçá invertendo o que declararam acerca dos TIMMS.

Reparem, já agora, que os países apresentados como faróis na privatização ou descentralização da Educação apresentam uma evolução deplorável que deveria levar muitos articulistas, estudiosos e “lobistas” da questão (em especial com coluna residente no impoluto Observador) enfiar-se num buraco bem fundo.

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