Estratégias de (In)Sucesso

Uma das metodologias que mais é usada para, de alguma forma, combater o risco do insucesso em alunos com um perfil de risco de abandono ou de divórcio quase completo com a escola (leia-se “aulas”) é o de aumentar o peso da dimensão das atitudes, empenho, responsabilidade na avaliação final, privilegiando a integração na vida escolar, a assiduidade, pontualidade, respeito pelas normas de estar numa sala de aula e no espaço escolar, assim como pelos colegas, funcionários e professores. Claro quem, na avaliação ingterna, isso retira margem ao peso para a dimensão restrita dos conhecimentos verificáveis por instrumentos de avaliação que procurem classificar o que os alunos sabem mesmo de determinados programas, de acordo com datas metas.

Pode parecer estranho para quem olha de fora, mas é uma das estratégias destinadas a promover o sucesso e a combater o abandono escolar. O chato é que depois aparece a avaliação externa e, sem que tudo isto seja contextualizado (não chegam as variáveis socio-económicas), tudo isto conduz, em especial no Ensino Básico, a um diferencial grande nos resultados.

Isto não quer dizer que não exista produção de sucesso fictício sem sequer esta justificação ou um inflacionamento interno das notas em algumas situações, mas… a verdade é que o que a partir de dentro se destina a combater o insucesso, a partir de fora parece outra coisa.

lampadinha21

Anúncios

2 thoughts on “Estratégias de (In)Sucesso

  1. Há p’raí pelo menos uma década e meia que a nossa escola, de uma maneira ou de outra (depende da moda política ou do perfil do ministro), vive obcecada pelo sucesso. Mas como não se investiu na qualidade (despesa…), chegou-se a um modelo consensual “centrão-low coast”, em que se promoveu o nivelamento pela mediocridade, modelo de ensino utilitário (o mercado manda…) à medida dos testes (“internacionais”, pois claro!) que a tecno-burocracia dominante inventa. Houve “progressos”, claro que houve (graças sobretudo ao esforço dos professores, tantas vezes a remarem sozinhos contra a maré), mas dentro desse modelo, limitados e circunscritos por ele. O salto qualitativo, nas aprendizagens e na formação humana e ética dos alunos – que requer outras condições e recursos, desde o logístico até ao imaterial e cultural -, esse continua adiado…

  2. Quem dá zero a um aluno que nunca participa? Como distinguir um treze de um catorze, ou mesmo de um quinze, em termos de comportamento, para mais em turmas grandes (em que o problema da comparação relativa se agudiza)? Estás questões são gerais. Nos cursos CEF e profissionais, há escolas em que os elementos formais contam 50% na avaliação final. Ou seja, um aluno com notas baixíssimas, pode ter aprovação. É verdade: o sucesso fabrica-se. Faz-se (continua-se a fazer) mais com menos: faz-se sucesso com insucesso. O que só é possível porque se trata de grandezas distintas: matéria-prima do sucesso estatístico é o insucesso real.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s