O Melhor de 2016

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Mesmo se não foram produzidos ou editados em 2016, estes foram os dois livros que mais me impressionaram, em termos de ficção, durante um ano em que voltei fortemente a dois géneros bem mais escapistas como o policial e a ficção científica.

Não sei se por coincidência, ambos abordam a vida em comunidades rurais fechadas que, subitamente, são obrigadas a lidar com a mudança e com elementos estranhos. Num caso, durante o movimento dos enclosures em Inglaterra e no outro no pós-segunda guerra mundial, numa zona montanhosa algo indeterminada entre a Alemanha e a França (provavelmente a Lorena), temos narradores envolvidos em acontecimentos profundamente perturbadores, pela sua crueldade, quando o equilíbrio de uma micro-sociedade tradicional é colocado em causa e a irracionalidade irrompe, em virtude do medo do desconhecido, corporizado em alguém pouco convencional para a sua visão do mundo.

São dois casos em que a nomeação para prémios importantes foi mais do que justificada. Mas nenhum deles é de leitura para sensibilidades muito delicadas.