Projectos

Os jornais e revistas generalistas recorrem cada vez mais a colecções e coleccionáveis para satisfazer ou fidelizar compradores. Claro que a minha preferência vai para as bêdês que há anos acompanham com regularidade o Público, esperando que sejam financeiramente rentáveis para que não desapareçam em breve. No caso do Expresso o mais habitual tem sido a divisão em fascículos de boas obras de História, mesmo se a mim agrada pouco o formato algo minúsculo comparado com anteriores projectos como Os Lusíadas ou A Peregrinação. Desta vez, é o bom estudo sobre Estaline de Simon Sebag Montefiore. Que julgaram por bem “enriquecer” com comentários de Francisco Louçã e Paulo Portas como se algum deles tivesse algo de novo a dizer sobre a figura e o tema. Como se não soubéssemos já ao que vão. Mas pior mesmo é a Visão que decide oferecer para a semana o excelente Animal Farm/A Quinta dos Animais de George Orwell. E a quem pediu um pequeno depoimento sobre o significado da obra esta semana? Sim, a esse vulto da politologia cabalística nacional, esse estudioso das ciências humanas opacas que é Marques Mendes. Enfim, é verdade que o título com que inicialmente o livro foi publicado entre nós foi O Triunfo dos Porcos. Mas, mesmo assim…

porco de bibiclete

2 thoughts on “Projectos

  1. No que diz respeito a estudos sobre Estaline e a Revolução de Outubro, no final de 2016 houve importantes novidades. Tudo começou na Urgeiriça:

    O que há de essencialmente significativo nessas teses é que elas colocam, quanto seja do meu conhecimento, pela primeira vez em evidência os erros sobre a natureza de classe da Revolução de Outubro, que não foi nem podia ser uma revolução operária socialista, mas uma grande revolução burguesa capitalista, do tipo da Grande Revolução Francesa de 1789, muito embora dirigida na sua fase final pelo proletariado e assumindo em muitos aspectos uma natureza proletária.

    Essa revolução levou não à liquidação do modo de produção capitalista e à edificação do modo de produção comunista – nem aliás o poderia levar, dada a natureza mista, feudal e burguesa, da sociedade czarista -, mas a um tipo de sociedade até aí desconhecido – a sociedade capitalista monopolista de Estado, que, em parte Lenine, mas sobretudo Estaline e a Academia das Ciências da União Soviética qualificaram como sociedade socialista e até como sociedade socialista sem classes…

    Esta experiência trágica repete-se trinta e dois anos depois na República Popular da China, e, mais uma vez, uma sociedade burguesa capitalista monopolista de Estado, na sua fase imperialista moribunda, é confundida com o socialismo e imposta a exploração desenfreada dos operários.

    Depois do Colóquio da Urgeiriça, toda a gente desata a querer discutir em Portugal e não só a Revolução de Outubro e o Marxismo. É bom! É mesmo muito bom!

    http://www.lutapopularonline.org/index.php/partido/2122-a-proposito-do-centenario-da-revolucao-de-outubro

    http://www.lutapopularonline.org/index.php/partido/2104-o-coloquio-da-urgeirica

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