A Defesa (Encoberta) do Modelo Único?

José Eduardo Lemos faz no Público uma defesa do papel, importância e democraticidade do processo de escolha dos directores. Permito-me algumas discordâncias de monta: não concordo que “não existe nenhum outro dirigente de um serviço da administração pública que seja escolhido de forma tão democrática e participada, através de eleição, pelos utentes internos e externos desse serviço, como é o diretor de uma escola“, assim como discordo que “na história recente da democracia portuguesa, dificilmente encontraremos momentos em que tivesse havido mais democracia nas escolas do que aquela que há atualmente.”. Há quem não seja escolhido numa variante de colégio eleitoral.

Não sou subscritor do manifesto criticado e partilho de algumas reservas sobre alguns dos seus signatários,  bem como do atraso da sua tomada de consciência do problema, mas o que está em causa é que o modelo unipessoal deixe de ser a única possibilidade, aliado a uma mudança na forma de escolha das lideranças intermédias, o que o JALemos parece, felizmente, admitir, pelo menos em parte quando escreve que não coloca “em causa a possibilidade de outras configurações do universo eleitoral, também elas democráticas“.

O problema mesmo é achar que “não restam dúvidas de que a eleição do diretor – assim como as várias eleições que se fazem no seio da comunidade escolar – reforça a democracia e a cultura democrática das Escolas”.

Restam dúvidas, sim, restam muitas dúvidas.

sinal

Anúncios

6 thoughts on “A Defesa (Encoberta) do Modelo Único?

  1. Não há qualquer democraticidade na eleição do diretor! De modo algum, tudo é manipulado, começando pela eleição do Conselho Geral que por sua vez, é pressuposto analisar o currículo e outros elementos que darão origem à seleção do Diretor. Nada disto é transparente, nada é feito com lisura, chegando ao insulto ou destruição dos oponentes, nas redes sociais. Tudo acaba numa vergonha, na maior parte dos casos. É só conhecer a realidade e não acreditar no que está escrito.

    1. Um dos problemas na eleição do Conselho Geral é, desde logo, a lógica de lista única. A uma obrigação imposta na lei (artigo 15º, nº 3 do DL 75/2008 que estabelece, citando, ” As listas do pessoal docente devem assegurar, sempre que possível, a representação dos diferentes níveis e ciclos de ensino, nos termos definidos no regulamento interno”), responderam muitos dos regulamentos que já por aí vi com um conjunto de imposições que tornam a apresentação de alternativas como praticamente impossível.

      O caso torna-se mais grave nos agrupamentos, principalmente nos mega, e principalmente se agruparem escolas separadas por dezenas de quilómetros.. Um exemplo, tirado de um regulamento que conheço: para a eleição de sete representantes dos professores, é necessário que a lista apresente pelo menos um de cada um dos níveis de ensino (Pré-escolar, 1º ciclo, e assim sucessivamente). E igual número de suplentes com a mesma lógica. É claro que, quem está no poder tem sempre uma lista pronta, possivelmente à base de cumplicidades geradas no núcleo do poder. Quem tem de se organizar como alternativa, e mesmo que o andar das coisas não prespetive os tais insultos e destruição de oponentes, já tem muito mais dificuldade.

      Depois, em que consiste a seleção do Diretor? Aquilo é o quê? Uma eleição ou um concurso público? Uma mistura dos dois? Sim, mas onde acaba a simples discricionaridade do voto e começa a análise objetiva do mérito das propostas?

      É uma simples eleição? Então para que serve aquela “comissão” que analisa as candidaturas, entrevista e faz um relatório? Pode o Conselho Geral “borrifar-se” eleger aquel@ só porque é mais simpático, ou é “da casa”? Ou porque, (como aconteceu recentemente numa escola da região centro) se quer simplesmente impedir a eleição de um@ cert@ candidat@?

      E que dizer de um outro caso, em que uma maioria votou em branco para impedir a eleição de um@ candidat@ e para provocar a constituição de uma CAP a fim de se ganhar tempo e provocar nova eleição?

      Haveria muito mais a dizer sobre o modelo, cujos problemas estão longe de ficar por aqui, mas agora não há tempo. Fica para uma próxima.

  2. Caro Paulo Guinote,
    Um grupo muito heterogéneo de pessoas decidiu elaborar um manifesto em defesa da democracia nas escolas.
    O mesmo grupo decidiu agora promover um debate subordinado ao tema: “Que modelo de gestão para uma escola democrática?”.
    Se assim o entenderes e quiseres divulgar aí vai o link do evento no facebook (incluindo o texto do manifesto e o nome dos subscritores) https://www.facebook.com/events/1817660161785940/

  3. Os utentes que votam são apenas os do conselho geral e estes apenas representam os que votaram neles. A votação democrática implica a votação de TODOS os utentes da escola.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s