Linhas de Investigação

Folheava hoje um daqueles livros com artigos de sociologia da educação com estudos subsidiados pela efecêtê que muito, pouco ou nada contribuem seja exactamente para o que for quando, ao olhar para as estantes ao lado, curiosamente sobre comunicação social, tive um mini-epifania sobre linhas de investigação a desenvolver sobre o mercado das coisas educativas, políticas e mediáticas, aprofundando ideias já aqui afloradas.

  • Linha um – verificar as coincidências entre elementos de grupos de trabalhos ou aparentados do ministério da Educação (ou outros) e autores de obras sobre temas trabalhados por esses grupos de trabalho. Por estar na altura a fazer profissionalização, no final dos anos 90 comecei a verificar as confluências entre a legislação produzida então e as obras que saíam com as ditas leis anotadas e comentadas, nomeadamente sobre o estatuto da carreira docente e o regime de autonomia e administração escolar. De então para cá, as confluências não se reduziram.
  • Linha dois – ultrapassando o caso por demais paródico de Sócrates e o seu auto-top-seller, aprofundar o conhecimento sobre a origem (quem promoveu a ideia, quem financiou) e processos de produção de obras atribuídas a políticos em ascensão ou candidatos a qualquer coisa por cá. Lá fora é comum ler-se na capa ou no interior “fulano de tal com a colaboração de [nome de quem passou a escrito as ideias pretensamente da autoria de fulano de tal]”. Por cá, nem tanto. Há muito jornalista que sabe do que estou a falar e não é só daquelas biografias autorizadas, mais ou menos hagiográficas e pagas bem acima de qualquer retorno comercial em vendas.
  • Linha três – descobrir que viagens foram efectivamente pagas e por quem quando certas instituições da nossa economia empreendedora estavam em alta e alugavam páginas e páginas de jornais e revistas, quase patrocinando edições inteiras ou assegurando a sua sobrevivência, bem como patrocinando a produção de notícias agradáveis ao olhar dos anunciantes e pagantes. Se alguém falar em panamá papers eu nego que isso tenha sido escamoteado do conhecimento público, pois entre nós só há jornalismo ético e de qualidade, em especial na área económica. No caso da Educação, há sempre fládes.

Não sei é se a efecêtê reconheceria, com os seus júris multinacionais e distintos, valor a tais linhas de investigação sobre a realidade portuguesa.

Investigar isto no contexto actual da nossa comunicação social, só se for naquelas perspectivas de facção político-blogosférica.

Sei que, no meu caso, nem que seja de raspão, entrevi estes mundos e sorri. Até porque gosto de escrever tudo o que leva o meu nome e gosto que leve o meu nome tudo o que escrevo. Desde os velhos (em todos os sentidos) bancos da faculdade.

mascaras

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