A Festa da Outra

Foi à la carte. Fizeram-se intervenções faraónicas em escolas relativamente recentes e deixaram-se outras a cair. Porquê? O modelo de negócio da Parque Escolar como proprietária dos velhos liceus no centro das cidades passaria pela alienação de uns quantos para gerar receita, depois dos alunos irem desaparecendo com as más condições?

Se edifícios escolares com boa qualidade são uma mais-valia para os alunos e para as condições em que desenvolvem as suas aprendizagens? Exactamente! Por isso, a estratégia nunca poderia ter sido a da concentração no 80 para uma minoria seleccionada a dedo, deixando 0,8 para a grande maioria.

A mim o que chateia é que, a menos que esteja tudo a cair, a maior parte dos directores opte pela “responsabilidade” de ameaçar e pouco mais.

Rave on!

rave

A Crise do Jornalismo

Comprava o Expresso desde Março de 1983, praticamente sem falhas. Tenho as revistas quase todas desde essa altura até que deixei de o comprar vai para uns 3 anos, ali por Março de 2014. Cancelei a assinatura da Visão há umas semanas, que compro desde o nº 1 e de que era assinante desde o primeiro ano de publicação. Praticamente deixei de comprar jornais diários, eu que sou um rato de papel, que adoro mexer em papel impresso e sentir o cheiro da tinta. Porquê? Não foi (só) por causa da crise, dos cortes e congelamentos (nessa altura cortei nos luxos semanais do tipo New Yorker ou outras extravagâncias como a mensal Atlantic, a ocasional Mother Jones ou a Foreign Affairs (sim, eu também tenho as minhas derivas snob). Foi em muito maior medida por ver que, cada vez mais, ano após ano, ganhavam espaço as colunas de “opinião” entregues a “estrelas” que, sem especial vergonha ou decoro, se limitam a perorar inanidades, expelir bílis e fazer acusações sem qualquer fundamento factual e sem qualquer tipo de responsabilização (como imputar actos a ministros sem a tutela de tal área da governação). Mais grave, num caso notável, até o opinador-estrela se deu ao repetido desplante de destratar quem bem lhe caiu no fel (a começar pelos professores), mas ficou mudo e calado com a corrupção na parentela. Parece que estou a falar no mesmo filho d’algo, mas está longe de ser único. Ao mesmo tempo, as matérias de desenvolvimento e investigação foram minguando e, mesmo em grande formato, os textos passaram a ser soterrados por imagens enormes, como se os leitores tivessem prescindido da leitura e preferissem um grande plano de qualquer coisa às mil palavras que nem todas as imagens conseguem substituir.

A imprensa “de referência” passou a ser uma coutada desigual, com senadores de charuto e sofá (vivendo de glórias passadas, de que gostam de aumentar a façanhudez  e heroísmo) a decidir quais os servos escribas que têm direito à sobrevivência profissional e que tendências editoriais devem ser seguidas de forma cada vez menos subtil na manipulação da opinião pública pela publicada disfarçada de informação. Se atitudes como a minha agravam a crise e contribuem para que exista menos receita para pagar aos jornalistas? Talvez… mas se em vez de fazerem grandes debates apainelados cheios de senadores e ceo’s da treta (é só ver quantas vezes os zeinais e salgados se sentaram um anfiteatros onde se anunciavam as incontornáveis soluções para o país que eles enterravam no seu dia a dia de empreendedores geniais), com despesas a preceito e comes gourmês se preocupassem em manter e formar novos jornalistas de verdadeira investigação não resumida à pordata e aos dossiês oficiais, talvez eu sentisse que existir algum valor acrescentado na generalidade das edições e não as dedadas grosseiras dos que mandam.

Ainda há gente séria a investigar coisas a sério e não apenas as que interessam à sua camisola política, clubística ou indispensáveis para manter o pão na mesa? Há, mas cada vez são mais excepções, raridades, dodôs à espera da grande paulada do homem branco. E quantas vezes precisam de voar baixinho, a ver se não dão demasiado nas vistas.

Teoria da conspiração? Quiçá, mas olhem que o mel gibson até tinha a sua razão naquele filme.

ardina

Pós-Verdade Educacional

Na área da Educação já tínhamos despertado há muito . quase uma década – para esse fenómeno de desvinculação progressiva entre as palavras que são ditas e o seu significado. Em Fevereiro de 2008 fiz as primeiras vinhetas sobre o significado para a equipa ministerial da altura (e seus prosélitos) de termos ou expressões como abandono escolar ou absentismo, Mais recentemente, já aqui por este quintal, após uma introdução teórica, voltei à letra A para tratar os novos significados de aferição, alunos e autonomia, passando depois às letras C (criatividade, capacitar), E (estabilidade), I (inclusãoinovação), M (metas), P (paradigma) ou T (transversalidade), para referir apenas os verbetes que me ocorrem de momento a respeito da pós-verdade educacional em Portugal. Porque há muito mais.

Diario

Maiorias Negativas

O PS queixou-se quando se tratou do chumbo do PEC IV por toda a oposição.

O PSD queixou-se quando se tratou de arranjar uma solução governativa após as últimas eleições.

Agora foi a TSU em que voltámos à fórmula inicial.

Parece que a convicção depende imenso da adversidade das circunstâncias.

É tudo muito relativo.

relatividade