Oxalá

Que alguns dos que elogiaram muito a coragem da SE na disputa com os colégios com contrato de associação não acabem ultrapassados no concurso de vinculação extraordinária por pessoal que tenha saído deles com muitos anos de serviço sem terem para isso passado por qualquer concurso público de colocação. Porque, a ficarem assim as coisas, adivinham-se umas coisas mesmo extraordinárias.

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Cruzes, Credo!

Sei que, apesar de sportinguista, embirro há muito com Daniel Sampaio. Posso desenvolver em outra altura. Na oportunidade em presença, leio que ele defende que em matéria de Educação Sexual se deve responder a perguntas e não fornecer informação não solicitada. Serei apenas eu a achar – independentemente dos credos sobre o tema – que este princípio de não informação é uma [pi-pi-pi-pi]. Como poderá a miudagem perguntar alguma coisa se não tiver informação ou apenas informação distorcida? Neste último caso, ainda se podem corrigir erros, mas, levada ao extremo esta tese, quem for totalmente ignorante para formular uma questão, ignorante ficará. Phosga-se, estamos tramados se isto é o que alguém com o currículo e experiência de DS tem a recomendar.

O melhor é esperar pelas aulas de Português do 8º ano.

Clown

Operador@s de Call Center

O presidente do Instituto Superior Técnico escreve hoje no Público que “de acordo com uma estimativa muito divulgada, 2/3 dos alunos que agora iniciam a sua formação escolar irão trabalhar em profissões que ainda não existem”. Seguem-se algumas generalidades sobre a necessidade de formação ao longo da vida, “o advento da quarta revolução industrial”, a crescente penetração das tecnologias de informação e comunicação em tudo e mais umas passagens  capazes de deprimir qualquer pessoa com alergia a clichés – o título é apropriadamente “uma revolução na Educação”, algo parecido ao que já li tantas vezes que perdi a conta excepto ao caso em que o Vital Moreira designou assim as políticas da MLR –  e desagua na publicidade a novos cursos do IST.

Em outros dias menos cinzentos, nem perderia tempo a copiar aquelas citações acima e apenas pensaria se não era mais adequado o texto ter sido publicado como publicidade institucional. MAs hoje está de chuva e decidi começar por lamentar que o presidente de uma das mais respeitadas instituições universitárias portuguesas baseie a sua argumentação numa “estimativa muito divulgada”, como se a sua identificação roubasse espaço a informação relevante sobre os cursos que quer divulgar.

Em seguida, temos a tal questão da “revolução” necessária por causa da aceleração das necessidades do mercado laboral, como se isso nunca tivesse acontecido antes. As primeiras telefonistas ou telegrafistas fizeram a sua formação escolar quando nem existiam telefones ou telégrafos; o mesmo com as profissões ligadas à rádio, televisão ou informática, ao longo do século XX. Nos últimos 200-250 anos, a adaptação às novas exigências do mercado de trabalho foi uma permanência e a própria revolução industrial original levou a que 100% dos operários que trabalharam nas novas unidades fabris tivessem crescido (quase sempre sem formação escolar) num mundo que os não preparou para a nova realidade. Muitos foram expulsos das suas aldeias e campos de forma dramática (para quem não é das letras, leiam-se O mundo que nós perdemos de Peter Laslett na sua versão revista ou, na área da ficção, Colheita de Jim Crace) e o mundo avançou.

O que está em causa não é a novidade das profissões que surgem com regularidade, mas sim se essas profissões significam um emprego com melhores condições. Muita gente que fez a sua formação académica em finais dos anos 80 ou nos anos 90, acabou a ter de trabalhar em alguns momentos em call centers ou a vender time sharing, algo para que não existiam cursos de pré ou pós-graduação à data.

A mobilidade profissional não é um bem em si e nem sempre a “revolução” é coisa boa, mesmo sendo a “quarta revolução industrial” (consultar aqui a introdução à teorização do conceito por Klaus Schwab). Se Engenharia Empresarial para a Transformação Digital é uma área em crescimento entre nós? Se calhar, é. O IST deveria divulgar isso sem ser como “opinião” do seu presidente. A menos que os cursos sejam oferecidos e não cobrados a bom cobrar.

lampadinha21

Leituras

Da pré ao 3º ano. Tarte de Mamute, Vamos à Caça do Urso e o incontornável A Toupeira que queria saber quem lhe fizera aquilo na Cabeça. Sempre um prazer, nunca um dever. Nem sempre com a energia suficiente que exige a missão, mas sempre com boa vontade.

Neo-Realismo

Uma família, em virtude dos seus horários de trabalho, revela-se incapaz de fazer o seu educando entrar no recinto escolar às horas adequadas. Entregue a si mesmo, o petiz entra na escola quando tem fome (hora do reforço, a meio da manhã), aparece nas aulas que entende, às horas que entende, a menos que alguém o procure pelos corredores e cantos da escola e o obrigue. Ao perceber isso, aprende a saltar a vedação da escola e ficar por conta própria durante quase toda a manhã, até voltar a ter fome (hora de almoço). A escola contacta a família, a família pede compreensão e ajuda, implora para que não se despertem as medidas extra-escolares legalmente exigíveis nestas situações. A escola continua a alimentar o aluno e, quando necessário, até lhe fornece a roupa que não tem para os frios invernais. A gratidão é momentânea. O apelo pela rua, pelas companhias mais velhas, pelo que se desconhece, é maior do que qualquer apelo sensível ou autoritário.

A culpa é da escola? Por não ser do século XXI?

Ou do falhanço social que a envolve, em que temos condições de vida e trabalho de acordo com o tal modelo de manchester, mas o fabril, exaltado pelos betos das padariasportuguesas?

São estas coisas que o sucesso verdascado não tem forma de remediar, a menos que o dêtê fique à porta de casa do petiz desde a matina com uma pulseira electrónica em punho.

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