Discordo

Desta argumentação do José Eduardo Lemos. Porque parece ignorar que antes de 2008 já era possível existir um director. E que os antigos presidentes de Conselho Executivo que se assumiam enquanto tal, eram líderes de uma equipa e “rostos da escola” na mesma. O que se afirma quanto ao reforço da democracia nas escolas com o modelo único é um enorme contra-senso porque se confunde uma representação por “corpos” (neste caso, sim, verdadeiramente “corporativa” na acepção correcta do termo) com democracia, quando ela deriva da amplitude dos que escolhem um determinado representante ou têm a liberdade de escolher o seu modelo de governação. O poder, nas sociedades democráticas, emana dos eleitores para os eleitos, não outra coisa. E não é diluindo ou mediando essa eleição que ela se torna mais democrática (seria curioso ver quem critica o modelo americano de escolha do presidente e apoia um método similar para director).

Mais importante, há uma passagem que nos pode levar a acreditar em algo que não acontece. De acordo com o J. E. Lemos foi este modelo único e unipessoal de gestão “que se abriu a Escola à comunidade e se encontrou um assinalável equilíbrio na distribuição de competências e responsabilidades pelos quatro órgãos de administração e gestão (conselho geral, diretor, conselho pedagógico e conselho administrativo), nos quais, note-se bem, a comunidade educativa está inequivocamente representada.”

A verdade é que não existe equilíbrio nenhum, pois o director está em todos esses órgãos, sendo que não é permitida a presença de qualquer elemento do conselho pedagógico no conselho geral. O director, para além de o ser, preside ao Conselho Pedagógico (formado por elementos com uma eleição limitada e dependente de pré-nomeações) e ao Conselho Administrativo. E está presente nas reuniões do Conselho Geral. Isto não é uma distribuição equilibrada de poderes. É quase (?) a sua antítese. Mas eu não sou “especialista”, sou apenas um professor que defende a possibilidade da liberdade de escolha das chefias intermédias e de topo de um modo alargado, que acredita sinceramente na limitação de mandatos e na ausência (salvo honrosas excepções) de pessoas providenciais, sem as quais o dilúvio é inevitável. A figura do director, como único “rosto” da escola torna-o mais fraco para fora (e a municipalização irá demonstrar isso de forma bem cruel) e mais forte apenas para dentro. E o pedido de reforço de poderes, por exemplo, ao nível do recrutamento do pessoal docente faz-me lembrar aquel@s professor@s que querem escolher a dedo os seus alunos.

O que vejo agora é que um micro-grupo de actores nas comunidades educativas a reagir fortemente perante a possibilidade de se abrirem alternativas ao modelo monolítico e centralizado que temos. Isso, sim, parece-me uma reacção micro-corporativa.

Com o devido respeito e estima pela maioria s@s director@s que conheço.

napoleao-i-no-trono-imperial

Sim, a Culpa é Mesmo dos Papás e Mamãs!

E dos vovôs e vovós, quando a criancinha se atira no supermercado para cima do expositor do papel higiénico e fica deliciado a ver as coisas caírem e depois fica a atirar ao ar mais uns rolos e os adultos presentes dizem uma quase inaudível “fica quieto” quando percebem que há quem esteja a olhar para a manifestação de liberdade descontrolada do petiz, que – com a naturalidade do hábito – continuou a fazer o mesmo. A culpa é dele? Não, é de quem deve ser demasiado chóninhas ou traumatizado pelo “fascismo” para lhe não conseguir definir alguns limites, nem que seja num espaço público. E depois querem que eles se saibam comportar numa sala de aula?

superboy2

O Peso das Mochilas

Há por aí uma petição e com a sua razão. É indescritível, em especial a partir do 5º ano em dias com mais de 3-4 disciplinas, a carga que os miúdos são obrigados a carregar quando não têm cacifos na escola e lhes exigem todo e mais algum material para as aulas, manuais, cadernos de atividades, cadernos diários e etc, sendo para usar ou não. O bom senso escasseia e perante isso há pouco a fazer, porque toda a gente tem uma rainha ou rei na barriga.

Para que conste… só em casos de chuva e trovoada peço aos alunos que tragam manual e caderno de actividades e no caso de História dispenso mesmo a sua existência na sala de aula, algo que qualquer aluno meu pode confirmar. E em Português, para além do caderno, apenas o material a usar efectivamente nas aulas.

mochila_enorme

Municipalização – 2

Municípios: novas competências ponto por ponto

Os municípios portugueses vão apresentar, ainda este mês, ao governo a moeda de troca para receberem a transferência de competências.

Já começam os envelopes financeiros:

Para transferência de competências têm que haver os meios, defende o STAL

E agora começam as argumentações da treta:

As Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) já gerem fundos comunitários, mas o Governo quer dar mais poderes aos futuros presidentes dos organismos no próximo quadro comunitário, a partir de 2020. Mais: no pacote de descentralização, os líderes das CCDR serão eleitos pelos autarcas locais, entre presidentes, vereadores, e assembleias municipais e juntas de freguesia, mas o tema está a gerar polémica.

Pedro Filipe Soares, do BE, fala ao CM de uma solução “híbrida” de municipalização, mais do que regionalização “encapotada”. Mais, como 70 por cento das autarquias têm menos de 30 mil habitantes, a transferência de poderes na Educação, Turismo ou até na Saúde, pode levar à “externalização de serviços”. “Admito que já existam empresas que estejam a salivar para que isto aconteça”, alerta o deputado que, tal como o PCP, aguarda pelo resultado final do trabalho do Governo.

Frade