Indisciplina

O Alexandre Henriques divulgou os dados de mais um inquérito sobre a indisciplina numa amostra de escolas portuguesas e acrescentou umas boas propostas de trabalho ao nível do que se pode fazer para a minorar. Mais logo, depois das 21.00, na RTP3, espero ter alguns minutos (o tempo é curto, não dá para enciclopedismos) para acrescentar um ou outro ponto sobre este assunto, a montante (o que provoca a indisciplina, a começar fora da escola?) e a jusante (o que podemos fazer, desde logo ao nível da sala de aula, para que o ambiente seja seguro e propício às aprendizagens de todos os alunos?). Como é sabido, não sou grande defensor das teorias da desculpabilização de comportamentos que podem e devem ser prevenidos de fora precoce e tratados da forma mais célere e justa possível, para que o benefício da impunidade não multiplique o infractor. Dentro da escola, mas também a partir de fora dela.

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2 thoughts on “Indisciplina

  1. Num assunto complexo como a educação, não vou ser prolixo como seria desejável para explicar pormenorizadamente o que influencia o processo de ensino-aprendizagem. Usando o modelo resumido e superficial típico da comunicação moderna, o artigo publicado no jornal Público no dia 07/02 referente ao tema da indisciplina, está eivado de um preconceito antigo: que o método pedagógico de lecionar aulas predominante é o expositivismo. Informo que tal não corresponde à verdade dos factos: existem muitos professores que utilizam métodos pedagógicos não expositivistas (onde me incluo, desde que iniciei a carreira há mais de 2 décadas).
    Portanto, embora ainda possa existir esse método (que é utilizado com predominância no ensino universitário mas não se fala pejorativamente disso…), a realidade é que a tal indisciplina continua a existir mesmo com outros métodos diferentes.
    A mudança profunda na sociedade provocada pelo desenvolvimento tecnológico, veio colocar a escola numa posição muito difícil em relação ao trabalho que realiza com os indivíduos que nasceram e crescem mergulhados nessa sociedade. Os conteúdos que a escola está obrigada a trabalhar são de índole diferente dos conteúdos disponibilizados pelos mass media (Internet, televisão): enquanto estes últimos são eminentemente lúdicos, superficiais, consumo rápido e pouco estimulante da reflexão intelectual, os conteúdos escolares promovem o trabalho intelectual, que envolve raciocínio, compreensão, interpretação e consequentemente, esforço. Portanto, a mente humana obviamente prefere o que é divertido, lúdico, pouco trabalhoso, de consumo rápido e fácil.
    Entre vários fatores que contribuem para o desinteresse escolar (sociais, familiares, económicos, psico-emocionais), o desfasamento entre o que os mass media disponibilizam e o que a escola é obrigada a disponibilizar, provoca dificuldade na captação de interesse dos alunos, com uma evidente concorrência desleal virtualmente impossível de combater.

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