Tirar o Tapete aos Ex-Colegas

“Sou director há 14 anos e nunca suspendi um aluno, nem nunca o farei. Porque mandar um aluno para a rua é mandar também o problema para a rua e isso não se faz. Isto não quer dizer que não tenhamos tido problemas graves, mas conseguimos resolvê-los na escola”, refere a propósito o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira.

Se um dia for agredido a sério por um aluno (como já aconteceu a outros) quero ver como se resolve a coisa. Na Polícia? E depois ainda dizem que não há razões para burnout docente quando um director afirma publicamente isto, dando toda a margem de comportamento aos alunos. Para além de dizer que assumidamente não pretende cumprir uma lei em vigor.

Quase tão mau como isto só uma então secretária de Estado afirmar num programa televisivo que cuspir num professor não era necessariamente uma infracção grave ou muito grave.

Cruzes, há gente com muita sorte por (não) dar aulas onde dá. Ou então vivemos mesmo em planetas (físicos e mentais) diferentes. Até porque há megas com mais alunos do que a população de toda a sede de concelho.

Mas eu sou um matamouros abrutalhado, como se sabe. Só que dou mesmo aulas, enquanto há quem não o faça há muito e viva em ambiente protegido. E não me incomoda dizê-lo.

NEVER SAY NEVER AGAIN [BR / US / GER 1983]

 

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35 thoughts on “Tirar o Tapete aos Ex-Colegas

  1. Quando for grande, quero ser como o director Pereira, Manel de Cinfães. Só pode ser uma máquina.
    Mais um porreirinho … é tão fácil assobiar, olhar para o lado e mandar uns ” bitaites “. E quem vier que feche a porta…

  2. Esse sr. Diretor que venha dar umas aulinhas aos CEF ou Vocacionais (vamos ver para o ano o que será), por exemplo, no Agrupamento de Escolas Amato Lusitano, em Castelo Branco. Depois falamos.

  3. Então se desse aulas aos vocacionais do Agrupamento de Escolas de Idanha a Nova, certamente teria outra opinião. É tão fácil falar do que não se sabe, ou falar de barriga cheia de conforto, ou não dar aulas ao abrigo de um qualquer cargo não conquistado….falar…opinar…erudição e bondade e mais e mais humanismo balofo está este país cheio!

  4. Lecionei durante 42 ano, cursos de humanidades, científicos, vocacionais, cefs, enfim, tudo. Tive, também eu, alunos difíceis, Mesmo muitos difíceis, alguns. Que foram mudando comportamentos à medida que os fui conquistando para a minha forma de ver a vida e, sobretudo, a Educação. NUNCA EXPULSEI UM ALUNO. É evidente que é necessário corrigir comportamentos desadequados, mas nunca privando os alunos da aprendizagem em sala de aula, NUNCA. Para que serve tudo quanto aprendemos, afinal, ao longo de um curso universitário na área da Pedagogia? Ou hoje esta matéria já se não ensina? Os alunos que se comportam mal são, normalmente, muito infelizes…e não há hoje escola sem gabinete de psicologia. Ou há?!

    1. Não é isso que está em causa. Eu raramente mando um aluno sair da sala. A questão é anunciar que NUNCA se fará uma determinada coisa. Mais tarde, posso explicar-lhe porque me desgostam absolutismos morais.

    2. não serão escassos minutos de conversa num gabinete que promovem a correção mas o acompanhamento especializado semanal frequente durante meses ou anos…mas mais uma vez o ‘dinheirinho’ não o permite…

    3. Em alguns casos a saida da sala é pedagógico; não tenho pudor em assumir que já o fiz, nesses casos especificos, porque não me diminui profissionalmente. O resultado foi positivo porque houve mudança de atitude.
      Se essa pedagogia fosse praticável em todas as situações, não seriam necessárias as multas, coimas, penas de prisão…

  5. É por causa de afirmações levianas destas por parte de gente com visibilidade e posição institucional que o nosso ensino também não consegue aceder aos patamares em que deveria estar.
    Mas esta gente não compreende que um aluno só se tornará um ser moral na plena acepção do termo – o que é simplesmente o objectivo último da Educação… – quando se começar a sentir responsabilizado pelos seus actos?!

    1. Nunca fui “gente com visibilidade e posição institucional”, nunca dirigi uma escola, nunca trabalhei numa escola privada, fui sempre e só professora no ensino público, em escolas várias, umas com alunos “fáceis”, como se diz agora, outras com alunos “difíceis”…

  6. E, já agora, os alunos não se sentirão nunca responsabilizados pelos seus atos privando-os do ensino, a que têm direito, afinal. Responsabilizar implicará, sempre, procurar as estratégias para tal, implicará sempre arranjar o tempo necessário para gizar essas mesmas estratégias, o caminho nunca será fácil, mas o professor que se preze, encontrá-las-á…

  7. “Pedagogia beata”? As “pragas da nossa educação”, na maior parte das situações, começam nalgum facilitismo em sala de aula, por parte dos professores, desde o primeiro dia de aulas. Não se trata de “Pedagogia beata”, não. Trata-se de ser professor por vocação, a sério, assumindo que o Ministério, tendo mudado de nome tantas vezes já, nunca deixou de ser “da Educação”. Ou deixou?
    E, por hoje, um bom dia para todos e alguma paciência também.

  8. O que lixa mesmo é que todos os dias tenho que recordar a mensagem da Princesa Leia:”Que a força esteja sempre contigo”.
    Professor,ensino público e com amigos nos vários Cefs e similares,para lá do ensino regular.
    Mas,o que dispenso mesmo são os carreiristas e o “nacional-porreirismo”.
    Asco!

    1. O sebastião é daqueles que pensa que todos devemos compreender os alunos e tal e coiso, cheio de traumas sociais e tal, mas eu explicava-lhe que as minhas origens devem ser mais humildes do que as dele e nunca precisei de observatórios para fazer a minha vida. Teorizador da sociologia da treta… mais um.

  9. João Sebastião :
    … “a indisciplina é construída pela escola e pelos professores, com as suas regras e a sua organização complicada e contraditória, à qual os pobres alunos têm de se adaptar.” …

    Sociólogos 😉 🙂

    1. Consegue-se dar essas aulas se simplesmente apenas se considerar prioritário que a única aprendizagem é só de atitudes e comportamentos adequados à sociedade em que vivem. Se for aprendizagem de conteúdos cognitivos, então é entrar nos meandros do surrealismo…

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