Aí Está!

A troca está à vista. A negociata está fechada. Ao fim da autonomia das escolas chamar-se-à “descentralização”. A janela será reparada por ofício ou telefonema para o senhor vereador ou técnico autárquico. O pessoal não docente entrará pela porta dos clientelismos locais e tudo isto parece pacífico, um “amplo consenso”.

As câmaras precisam “renovar quadros”… vale a pena comentar?

“Amplo consenso” em torno da descentralização de competências para as autarquias – Eduardo Cabrita

Governo vai mudar lei para que câmaras possam renovar quadros

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O Sebastião é um Génio

E há muito que o velho amigo da MLR não gosta dos professores e nem o esconde muito bem. Em apenas três respostas apresenta uma mundividência que mete 120.000 professores no saco dos idiotas que criam regras só para penalizar os alunos. Para ele, no fundo, só há indisciplina porque há regras a cumprir (“João Sebastião, investigador do ISCTE e antigo responsável pelo Observatório de Segurança em Meio Escolar, aponta mais o dedo aos professores do que aos alunos.”). Pela mesmo lógica, só há crimes e criminosos porque há leis. Já quanto a observatórios, parece que existem porque há subsídios sempre que o ps vai ao pote do poder e há verbas disponíveis. Só me cruzei uma vez com a criatura e tenho pena de não lhe ter dedicado mais tempo, mas cada vez que o leio até se me arrepia o proletário que há em mim e que despreza esta sociologia do coitadinhismo que tudo quer fazer passar por normal. Raios… o meu bom senso impede-me de escrever que um idiota será sempre um idiota. Claro que não. Há quem consiga evoluir. Mas há sempre quem dê direito e espaço ao disparate sem contraditório. Se é que vale a pena, sequer, contraditar.

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O Meu Mau Feitio e Darwin

Mais a fama do que o proveito. Mas vamos assumir que sim. Só posso dizer que é uma prova da evolução e das teorias do Darwin. O meu imenso bom feitio foi sendo esmagado à medida que crescia e o paz d’alma, apalonçado que fui até ao fim da adolescência, sempre pronto a compreender, foi obrigado a ceder perante a realidade esmagadora que me ensinou que raramente quem se deixa pisar não volta a ser pisado por parte da chico-espertice elevada a forma de vida de sucesso. E por isso, ao longo da idade adulta fui refinando, com alguns momentos de pausa, uma forma de estar que por vezes dá a sensação de ser sempre com os cotovelos virados para fora. Não é verdade, mas verifiquei que é bastante útil que saibam que pode ser mesmo assim.

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Uma Situação

Todas as segundas-feiras, ali no bloco do meio da manhã, estou a massacrar os alunos da minha direcção de turma de 5º ano com coisas do Português e assim. A sala é num ponto de passagem que, na hora de mudança de turno, fica no trajecto de uma agitada turma de 9º ano que, na sua composição, tem alguns elementos que acham por bem pontapear-me a porta. ao fim de duas situações semelhantes, passei a deixar a porta encostada, de modo a que o pontapeador seja apanhado em pleno acto, a menos que apenas esmurre a porta e corra muito depressa. Há os dias em que tenho o ânimo para sair da aula e confrontar os agentes de tamanho acto de compreensível rebeldia com o establishment e partilhar com eles a minha opinião sobre a sua atitude. Nem sempre gostam, acham-me áspero no trato. Costumo responder que eles foram ásperos no trato com a porta da  inha sala, material escolar a que me habituei a afeiçoar e por cujo bem estar gosto de velar (a Parque Escolar passa sempre longe e os danos têm de ser resolvidos internamente). E com o tempo consigo que a minha aspereza desaconselhe a aspereza dos pontapés e murros, mesmo se nem sempre passo por bom da cabeça. Mas eu explico sempre que a experiência deles como radicais livres é imensamente menor do que a minha e ou temos respeito uns pelos outros ou a coisa anda mal, muito mal. Mas não “os ponho na rua”, mesmo se por vezes questiono se é assim que tratam as portas lá de casa e se não querem ir rebelar-se à mesa do jantar.

A modos que tenho mau feitio, mas raramente não percebem o ponto em questão.

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Por Acaso

Aquilo que se poderá considerar a lesão mais permanente causada à minha petiza na escola foi, até ao momento, provocada por uma extremosa encarregada de educação no primeiro ciclo. Pessoa ocupada e atenta, entrou pela escola dentro com estrépito, muita pressa e escassa atenção. levando tudo à frente, incluindo a pobre miúda que calhou estar a chegar a uma porta de alumínio que a dita senhora – possível mamã muito apressada – quis atravessar com toda a prioridade devida às pessoas muito ocupadas. Atingiu a miúda com a porta no queixo e desapareceu, deixando-a a sangrar, com uma cicatriz para a vida e os cuidados de uma funcionária que não nos quis dizer a autora de tamanho feito, do tipo atropelamento e fuga, preferindo dar a entender que tinha sido a miúda (que com o susto não desmentiu a versão) a escorregar e ir contra a porta. O que eu desejo é que a descendência da criatura herde outros genes, outra forma de estar, outra vergonha na cara. Porque, sinceramente, quantas vezes a maior missão da miudagem é fugir ao determinismo familiar em matéria de bestice aplicada.

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