Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória

Não sei se ria, se chore. A montanha de sábios deu à luz um conjunto de generalidades que nos faz recuar mais de 20 anos em termos de conversa fiada, bem intencionada, não duvido, mas completamente vazia de verdadeiro significado ou sequer de novidade. O problema não é isto não se adaptar à nossa realidade, é adaptar-se a qualquer realidade, incluindo – com acertos – às escolas dos klingons. Fica aqui documento completo (perfil-alunos-verfinal).

Eis um excerto:

As competências na área de Pensamento criativo envolvem gerar e aplicar novas ideias em contextos específicos, abordando as situações a partir de diferentes perspetivas, identificando soluções alternativas e estabelecendo novos cenários.

As competências associadas ao Pensamento crítico Pensamento criativo implicam que os alunos sejam capazes de:
– pensar de modo abrangente e em profundidade, de forma lógica, observando, analisando informação, experiências ou ideias, argumentando com recurso a critérios implícitos ou explícitos, com vista à tomada de posição fundamentada;
– convocar diferentes conhecimentos, utilizando diferentes metodologias e ferramentas para pensarem criticamente;
– prever e avaliar o impacto das suas decisões;
-desenvolver novas ideias e soluções, de forma imaginativa e inovadora, como resultado da interação com outros ou da reflexão pessoal, aplicando-as a diferentes contextos e áreas de aprendizagem.

Eis outro, igualmente significativo:

As competências associadas à sensibilidade estética e artística implicam que os alunos sejam capazes de:
– apreciar criticamente as realidades artísticas e tecnológicas, pelo contacto com os diferentes universos culturais;
– entender a importância da integração das várias formas de arte nas comunidades e na cultura;
– compreender os processos próprios à experimentação, à improvisação e à criação nas diferentes artes, tanto em relação ao património cultural material e imaterial, como à criação contemporânea.

Isto é de uma pobreza verdadeiramente franciscana, mas no mau sentido. Muito mau mesmo. E, para variar, é para o perfil no 12º ano, mas não vai começar por ser aplicado no Ensino Secundário, mas apenas no Básico.

Confesso… tinha algumas expectativas, mas… é mau, mesmo mau. É daquele cosmopolitismo bacoco de quem veio de alguma viagem em que acha ter descoberto o mundo em Nova Iorque, Paris, Londres, Helsínquia em Roma ou no Bali com a Julia Roberts (ver filme).

Isto é o perfil do aluno do século XXI?

 As competências na área de saber técnico e tecnologias dizem respeito à mobilização da compreensão de fenómenos técnicos e científicos e da sua aplicação para dar resposta aos desejos e necessidades humanas, com consciência das consequências éticas, sociais, económicas e ecológicas.

As competências associadas ao saber técnico e tecnologias implicam que os alunos
sejam capazes de:

– manipular e manusear materiais e instrumentos diversificados para controlar, utilizar, transformar, imaginar e criar produtos e sistemas;
– executar operações técnicas, segundo uma metodologia de trabalho adequada, para atingir um objetivo ou chegar a uma decisão ou conclusão fundamentada, adequando os meios materiais e técnicos à ideia ou intenção expressa;
– adequar a ação de transformação e criação de produtos aos diferentes contextos naturais, tecnológicos e socioculturais, em atividades experimentais e aplicações práticas em projetos desenvolvidos em ambientes físicos e digitais.

A sério? Isso “tudo”? Ok… chamem-me bota-abaixo, mas isto é uma grande pile of baloney.

dorothy-oh-my-wizard-of-oz

leonardo-dicaprio-omg

Para memória futura, ficam aqui todos os intervenientes na síntese de 23 páginas agora apresentada e até para ter um roadmap dos artigos de opinião que irão em breve aparecer na imprensa e das formações que se seguirão a passo acelerado para nos ensinar a ensinar aquilo tudo.

3 — O Grupo de Trabalho é constituído pelos seguintes elementos:

a) Guilherme d’Oliveira Martins, Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, que coordena;

b) Carlos Alberto Sousa Gomes, Agrupamento de Escolas Francisco de Arruda;

c) Joana Maria Leitão Brocardo, Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal;

d) José Vítor Pedroso, Direção-Geral da Educação;

e) José Leon Acosta Carrillo, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa;

f) Luísa Maria Ucha Silva, Gabinete do Secretário de Estado da Educação;

g) Maria Manuela Guerreiro Alves da Encarnação, Agrupamento de Escolas Almeida Garrett;

h) Maria João do Vale Costa Horta, EDUCOM — Associação Portuguesa de Telemática Educativa;

i) Maria Teresa Carmo Soares Calçada, ex-Coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares, Ministério da Educação;

j) Rui Fernando Vieira Nery, Fundação Calouste Gulbenkian;

k) Sónia Maria Cordeiro Valente Rodrigues, Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

4 — Para colaborar e apoiar o Grupo de Trabalho na prossecução da sua missão são designados, como consultores, as seguintes individualidades:

a) Andreas Schleicher;

b) Alexandra Marques;

c) David Rodrigues;

d) Joaquim Azevedo.

mygod

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5 thoughts on “Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória

  1. aquela coisa do manipular já está adquirida: aqules polegares deslizam pelo ecran com um ‘speed’ digno de uma antiga dactilografa…
    daquela malta toda, só teoricamente uma trabalha regularmente com alunos do ensino básico…
    como encaixar isto tudo de modo a que o atrativo do digital lúdico seja menos interessante, é o ovo de Colombo…

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