Retardatário à Força

O David Rodrigues impele-nos a participar no debate, sob risco de sermos retardatários. Fui logo a correr ao site da DGE. Tentei preencher o formulário electrónico para poder dar o meu contributo, mas dei de caras com…

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Começamos bem… alguém anda com as competências em baixo e escreveu mal a ligação (a certa é esta, já comentou o Arlindo). Paradigmático, diriam alguns.

Mas se é apenas para cortar horas aos putos e correrem com professores em nome da modernidade, nem valia a pena tanta coisa… os lutadores profissionais estão devidamente domesticados e amestrados. Desde que continuem sem dar aulas, o que lhes importa quem vai ser obrigado a ir embora?

Muito à Frente

A melhor forma de desenvolver o pensamento crítico e criativo, bem como competências superiores e de trabalho de projecto nos alunos que atingem o 12º ano é deixar o Ensino Secundário de fora da introdução destas novas metodologias no sistema de ensino. As Universidades que esperem um pouco mais por alunos críticos e criativos. Ou não. Talvez mudem de ideias se arranjarem quem faça umas formações e uns materiais de apoio para a coisa. Logo se vê. O melhor é começar pela base… se possível pelos graus de ensino que não são leccionados por alguns grandes defensores destas propostas.

Faz-me lembrar aquilo das aulas de 90 minutos, ideais para desenvolver o trabalho com os alunos do Secundário e que acabaram em cima do 2º e 3º ciclo sem dó nem piedade, na altura sem alteração dos programas ou carga horária da maior parte das disciplinas. Ou então reduzindo-a ainda mais.

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O Fim da História (e em Menor Escala das Restantes Ciências Sociais e Humanas)

Se repararem com alguma atenção o ilustre documento elaborado pela Comissão de Sábios sobre Competências não traz qualquer referência explícita (e muito poucas implícitas) ao ensino do passado humano ou, num sentido mais restrito, à História. Ao longo da última década esta tendência verificou-se mais de uma vez (em tempos de Nuno Crato também e nem vale a pena recuar mais longe para não me chamarem obsessivo). A maior parte dos teorizadores de uma “Educação Nova” ou “moderna” – em última instância do futuro “Homem Novo” – prescinde com facilidade do estudo da História ou recorre a ele apenas de forma instrumental, truncada e viciada. Tudo deve ser aprendido no contexto da actualidade, como que cortada do seu passado, pois assim é mais fácil (ao ignorar o passado como desinteressante e inútil) dar a entender que o velho é novo e ignorar o que já aprendemos com os disparates anteriormente feitos e agora repetidos (valerá a pena eu lembrar-me que em 1999-2000 já fiz um documento de flexibilização curricular dos conteúdos transversais às disciplinas do 5º ano que não deu em nada? se me lembrar disso terei tendência a mandar passear quem agora apresenta isto como sendo a novidade do século XXI…).

O horror à História (e o seu progressivo esvaziamento no currículo) é feito por quase todos, sendo muito pior quando aparece na acção de quem se afirma “humanista”, desde que o “humano” se restrinja ao seu tempo de vida no poder. Este “perfil do aluno” é tão humanista que só parece preocupado com o futuro científico e tecnológico, com uns pózinhos de estética e criatividade para dar um ar de sensibilidade, mas a História é palavra maldita e o passado algo que nunca existiu.

O “novo paradigma” (o SE já não se refere assim à coisa, por ter percebido o ridículo, mas a lógica é essa) está contido nesta passagem da página 17 “Abordar os conteúdos de cada área do saber associando-os a situações e problemas presentes no quotidiano da vida do aluno ou presentes no meio sociocultural e geográfico em que se insere, recorrendo a materiais e recursos diversificados.”

Em suma, isto é aquela teoria da sociologia boaventurista da educação, em que os alunos apenas precisam de se interessar pelos que os rodeia no tempo e no espaço, serem “criativos” e “críticos” mas com palas nos olhos e no pensamento, prisioneiros da “localização do saber” como as escolas serão prisioneiras da “localização das políticas educativas”.

Isto é triste, não apenas por eu ser de História, mas por ser uma trágica amputação intelectual da Educação que lamento seja subscrita por um punhado de pessoas associadas a este projecto, que eu tenho a certeza conseguirem ir além disto.

O império do aqui e agora voltou (em boa verdade a tentação pelo isolamento dos indivíduos em relação passado nunca desapareceu e é toda uma linha de pensamento e acção política) e vai beneficiar da colaboração activa ou da apatia condescendente de todos os que dirão que isto sempre é melhor do o que tivemos (leia-se “Crato”, “exames da 4ª classe”, etc, etc, etc).

Ah… claro que maior ofensa que acham poder dirigir a um crítico destas “modernidades” é que está parado no passado, pensa a escola como no século XIX e essas patacoadas do costume nos viciados na última tecnologia de passagem.

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