Felizmente Errado?

Se vier a confirmar-se o que está na primeira página do Expresso (horas a passarem do Português e da Matemática para as Ciências Sociais), ficarei feliz por ter estado errado na previsão de novo corte na área das Humanidades. Resta mesmo só saber como será operacionalizado esse aumento de horas, se é verdade que é para reduzir o total das horas de aulas. Porque há maneiras de se dizer que aumentam as horas semanais, reduzindo-se o tempo total anual. Assim como a mim parecia (e não desapareceu por completo essa ideia) de que a História seria, especificamente, um alvo na poupança de horas.

Mas, para já, declaro-me feliz se errei neste particular. Quanto ao resto, mantenho as reservas quanto a um currículo “essencial” e a uma “profunda” reforma curricular que não se percebe exactamente se não passa de um salto para o passado.

exp18fev17

Expresso, 18 de Fevereiro de 2017

 

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16 thoughts on “Felizmente Errado?

  1. Aleluia! Bem precisamos de um currículo mais equilibrado para deixarmos deter disciplinas de 1ª e de 2ª, sendo a História nitidamente de 2ª! Levo o recorte, com a tua licença!

    1. Leciono uma disciplina que costuma ser apelidada de primeira, Português, creio que por ter mais tempos semanais de carga letiva e provas finais de avaliação externa, vulgo exames nacionais, inclusive logo no 3.º Ciclo..
      Concordo em absoluto que equilibrem o currículo não só quanto à carga letiva das diferentes disciplinas, como também no que aos programas e metas diz respeito, reduzindo substancialmente o número de obras literárias a lecionar em Português, por exemplo, algumas de duvidoso critério de seleção.
      É óbvio que também ficarei à espera que introduzam exames nacionais às outras disciplinas, incluindo no 9.º ano.
      No meu tempo de estudante, havia Provas Globais obrigatórias a todas as disciplinas no 9.º ano (exceto Educação Física, se a memória não me falha). Pois que sigam esse modelo, pelo menos.
      Por outro lado, para se fazer entender na disciplina de História, por exemplo, um aluno tem que dominar as competências básicas da língua portuguesa, não sendo indispensável que preste provas às duas disciplinas no mesmo ano, principalmente na escolaridade básica.
      Até podem fazer pacotes de disciplinas e submeter uma de cada pacote a exame, alternadamente nos vários anos, se entenderem que não é desejável/ possível aplicar exame a todas as disciplinas no mesmo ano.
      O meu medo é que mudem a dimensão das gavetas do móvel (do currículo), aproximando mais as medidas de cada uma, mas mantenham toda a tralha a enfiar lá dentro!
      Já agora, também convém que futuramente, sejam mais rigorosos nas instruções para a realização das provas de exame, de modo a que as respetivas equipas não recorram à estratégia de se esforçarem por apanhar professores e alunos desprevenidos, efetuando perguntas de relevância quase anedótica, como tem vindo a acontecer no final do 3.º Ciclo pelo menos, ao invés de se focarem mesmo nos conteúdos essenciais. Dou como exemplo uma pergunta da prova de Português de 2016 em que os alunos deviam identificar o processo de formação de uma palavra por derivação não afixal. (3 pontos)

  2. Bom, eu leciono Português ao 8.º, ao 9.º e ao 12.º.

    Tenho 4 tempos letivos semanais em cada ano. Sempre tive 4 tempos, desde os anos 80, enquanto aluno e mais tarde professor.

    Vão reduzir para 3 semanais?

    1. Pelo menos a Educação Cívica já foi prometida.
      Como a Cultura que se preconiza agora é a mais rapidinha possível e a História a da semana passada, nunca se sabe que amálgama se lembrarão de fazer, de tal profundidade que qualquer um poderá lecioná-la.

  3. Uma dose de educação cívica, em 45minutos semanais, é uma aberração. Civismo é ter uma sociedade cívica, em que os pais têm tempo para os filhos, assumem os seus compromissos, responsabilizam-se pelos comportamentos dos filhos, etc, etc. Bem sei a fraude que foi, no passado, o tempo da educação cívica e da área de projeto! Mas, horas para os alunos se arrastaram nas escolas sem aprenderem coisa alguma.

    1. Isso tudo, Maria.

      Formação Cívica, Área de Projeto, Estudo Acompanhado: tudo tretas que resultaram… BOLA, se Jorge Jesus me permite parafraseá-lo.

      “Mutatis mutandis”, para que tudo fique igual ou pior.

      1. Mas há quem ande a salivar com o regresso ao passado… basta ver tanta gente feliz por ter “formação” ou doutrinação nestas matérias, tanto melhor se for com os SE, visto que o ministro anda ele mesmo a aprender os fundamentos da maravilha.

      2. Esses “adereços” curriculares ainda têm mais um aspeto pernicioso: permitem a diretores pouco escrupulosos fazer com que alguns grupos não tenham horários zero, pondo os respetivos professores a lecionar essas tretas transversais, em detrimento de outros grupos, de forma discricionária. A distribuição de serviço letivo é da competência dos diretores.
        Já vi este filme no passado.

  4. Eu gosto particularmente da disciplina de domínio do corpo. No meu caso, começei a dominar o meu por volta dos 12 anitos com ajuda das páginas centrais da revista da edição domingueira do correio da manhã. Acho baum que isso se fassa na escola, em ambiente controlado !

    1. Ana… nos tempos actuais chama-se a isso “autonomia”. Mas parte dela vai ser dos senhores vereadores… porque se diz que os “aspectos pedagógicos” não serão tocados, mas o currículo vem antes dessa parte.

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