Depois é a Ritalina, Claro

Já sei que isto é assunto delicado para muita gente e raramente escrevo sobre o tema sem levar na cabeça. Mas… que se lixe. Assisto, quase diariamente, à forma como uma mamã do século XXI encara a criação do seu filhinho querido, a quem nada é negado, nenhum horário é imposto, nenhuma patetice é assim considerada, seja qual for a hora, tudo sempre recebido com exaltados gritinhos de satisfação e demais excitações sem parar. O puto não tem culpa se ninguém lhe apresenta uma qualquer estrutura de tempo e acções, se pensa que tudo é possível, a qualquer hora e, mais importante, sempre recebido com a alegria de que assim é que deve ser, faça o que fizer, incluindo boladas pelas paredes a qualquer hora e demais correrias em sapateado. Gratificação imediata e multiplicada. E nem adianta dizer seja o que for. Quando a criança chocar de frente com qualquer tentativa para lhe apresentar um horário e tarefas para cumprir irá, quase por certo, birrar, espernear, reagir mal, desconcentrar-se ao primeiro estímulo e a mamã lá estará a dizer que é impossível porque ele é um anjo, um santo. O seu santinho. E a ter de haver solução, medica-se, que é mais fácil.

Já sei… estou a simplificar, a exagerar, a caricaturar. Olhem que não, olhem que não. Nem tudo se resolve com (auto) disciplina, mas alguma coisa se conseguirá. Não é preciso ofenderem-se e darem os sermões do costume sobre a minha profunda ignorância sobre estas matérias. Só que nem tudo são patologias… há casos em que o problema é mesmo outra coisa. Basta não se perceber quem é mais infantil numa casa. No mau sentido.

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14 thoughts on “Depois é a Ritalina, Claro

  1. Observo o resultado dessa “deseducação” na minha profissão. Custa-me que a crianças e os jovens sejam as principais vítimas… nunca houve tantos “hiperativos” nem tanta Ritalina miraculosa. Diz o povo:”é de pequenino que se traça o destino”. Não acredito no destino, mas no desatino educativo que o traça: (

    1. Alcunha a condizer com o ato que (se) pratica na imagem. Que péssima escolha e que mau exemplo! E fico por aqui, pois muito haveria a desconstruir a partir desta (triste) figura!

  2. Nem mais, caro Paulo Guinot. O problema é que, nas escolas ( por culpa da tutela), nada é feito para contrariar as proezas dos infantes -antes desautorizar os professores e debitar umas soluções patetas. Valha-nos, ao menos, a Ritalina…

  3. Por causa de comentários em off ou em mensagens de “redes sociais” volto aqui a escrever que me espanta sempre que pessoas inteligentes reajam em piloto automático, acusando-me de escrever algo diferente do que escrevi.

    Só que não me apetece ter assuntos-tabu, só para que não me roguem disfarçadamente uma espécie de “pragas” sobre mim e a minha família… que nunca lhes aconteça, etc.

    Ora… do que me queixo é do ocultamento de certas desorientações de comportamento com origem em más práticas parentais. Não contra o uso ajustado da ritalina.

    Mas… é quase sempre assim, por muitas ressalvas que eu faça nos textos.

  4. Hoje em dia não nos coibimos de praticar o pecado da doçura e das “porcarias” alimentares, compensado depois com a penitência dos detox e da dieta forçadas (até ao próximo pecado).
    Tomámos 20 cafés para nos mantermos acordados e, ao fim do dia, os belos dos comprimidos para dormir (só um já não faz efeito).
    Não educamos as crianças, e depois domesticamo-las quimicamente.

    Estamos na idade dos milagres tecnológicos: há sempre uma qualquer solução imediata para os nossos problemas.

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