David, Pareces o Pai da Criança!

O David Rodrigues defende com tanta intensidade o Perfil do Aluno que me deixa a sensação de ter sido ele o mais activo entusiasta dos progenitores a concebê-lo. Ao contrário dele, não acho que por ali passe nada de essencial, como em tantas outras declarações de belos princípios para um futuro que, ao o imaginarmos, de certa forma provamos que o não é, mas apenas um reflexo das nossas crenças. Não me identifico com nenhum dos tipos de críticas que ele identifica ao documento (não o acho utópico ou mais do mesmo, não me sinto saudosista ou especialmente motivado pela identidade dos autores, excepto para que daqui a uns tempos não reneguem a paternidade da criança).

Aliás, a minha principal crítica ao documento é o de não me conseguir despertar o interesse suficiente – como pai ou professor – para o comentar, acrescentar ou truncar. O essencial não passa por gabinetes laboratoriais de “competências” melhor ou pior definidas, passa-se nas salas de aula e a essa realidade o documento é alheio, por muito que se possa dizer o contrário. Porque é para mim estranho que se defina algo (competência) como sendo a capacidade (embora se evite o termo) de mobilizar um conhecimento, mas depois se dê a entender que isso não equivale a uma capacidade de fazer algo.

Mas, como sabeis, eu sou um tipo que lê pouco e raramente algo que eu considere o melhor no estado da Arte. Um texto ser actual, David, não dá estatuto de melhor qualidade e quanto a esse tipo de avaliação, vais-me desculpar mas a cada um a sua subjectividade. Depende mais do que (não) lemos, porque há coisas muito boas que nenhum de nós terá lido. Repara como aqui se encara a Educação no século XXI de uma forma em que, não desprezando as skills (numa perspectiva muito próxima da do Perfil nacional), a framework se baseia em conhecimentos disciplinares claros. Aliás, para mim há mesmo umas coincidências bastante assinaláveis entre os documentos. Mesmo se uma década os divide (o que refiro já é de 2007, embora o trabalho do grupo se mantenha ainda hoje).

Conservador não serei, até porque eu desconservaria muito do que leio há 30 anos como sendo o futuro. O que me chateia é quando me chamam “professor do século XX” porque não partilho a volúpia da sempiterna juventude dos conceitos de final do século XIX recauchutados pelo Dewey em matéria de valores e mais uma pitadas de perrenoud a fingir que não foi século XX.

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