Mas Eu Discordo do Centralismo, dito “Democrático”

Seja em que modalidade for, Filinto. Que o MN tem a coerência pelas ruas da amargura já sabemos, mas ele sempre foi assim, prega uma fé e pratica outra. É só mais um.

Mas eu discordo dos modelos únicos.

A democracia representativa não é bem isso. Sim, sei que na América ainda é pior, mas por isso é que acabamos com trumpes com uma minoria de votos expressos pelo tal “povo” no qual reside a soberania de acordo com os melhores teorizados liberais.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos E Escolas (Andaep), nota que Mário Nogueira é eleito da mesma forma na Fenprof. “O modelo que não querem para nós é o que eles têm. Mário Nogueira foi eleito por congressistas que foram eleitos pelos seus pares. É assim a democracia representativa”, diz ao CM, frisando que “antes de se mudar, tem de haver uma discussão e fazer-se um balanço destes 9 anos, em que os resultados até melhoraram”.

Quanto aos resultados, eles começaram a melhorar antes do novo modelo e de forma independente dele. A relação causa-efeito é um bocado metida aí à martelada.

estatua da liberdade

Formação

Zeus, por favor, poupai-nos!

Eles andarem aí de novo. Terem andade sempre, mas por momentos pareciam mais encobertos…

FormacaoFormacao1

Antes de mais é de sublinhar o vazio na “forma de avaliação da acção”, mas quero acreditar que será uma demonstração prática do que se anuncia como o conteúdo da formação, até porque a “investigação recente” enunciada me dá a entender que os formandos ficarão muito melhor se tiverem sucesso pleno e se assim não for é porque a formadora falhou.

Destacaria, por fim, a abundante bibliografia fundamental (ficamos sem saber qual a “investigação recente”, que certamente será dada nas sessões e eu nem sequer consigo adivinhar qual seja 🙂 )que foi necessária para aprovar a acção que, pelo menos, tem a vantagem de não ter aderido ao AO.

grito

Mais do Mesmo

Confirmando o que ouvi a partir de outros pontos do país, o António Duarte dá conta da forma como o SE João Costa andou pelo Fundão (notícia aqui) a espalhar a palavra dos iluminados sobre o ensino profissional, culpando os professores por todos os insucessos e anatemizando quem não vê a Luz radiosa do ser Verbo. É assim há cerca de 15 anos, mais ou menos interlúdios que nem dão para respirar.

João Costa em Março de 2017:

“Portugal ainda não meteu na cabeça que o 12.º ano do curso de pastelaria é tão válido e tão digno como o 12.º ano do curso de línguas e humanidades. Portugal tem de meter isto na cabeça e quem tem de começar a meter isto na cabeça, em primeiro lugar, são as escolas”, afirmou.

Nuno Crato (Agosto de 2012):

O Governo pretende que cerca de 50 por cento dos jovens inscritos no ensino obrigatório, ou seja no 10.º ano de escolaridade, optem pelo ensino profissional “ainda este ano”.

“Os nossos planos são chegar a 50 por cento ainda este ano, do ensino secundário”, declarou o ministro da Educação e Ensino Superior, Nuno Crato, no final de uma reunião com os parceiros sociais. “O nosso objectivo é que os jovens escolham as suas carreiras, mas pensamos que chegar aos 50 por cento na parte da escolaridade obrigatória no ensino profissional é um objectivo que faz sentido para o país.”

Nuno Crato em Dezembro de 2012:

«É uma calamidade completamente absurda, quando encontramos empresas que dizem que precisam de trabalhadores especializados e que não os encontram e, ao mesmo tempo, temos jovens que não conseguem encontrar emprego. É nossa responsabilidade conjunta, de professores, ministério e empresas, fornecer vias que permitam aos jovens terem saídas profissionais», acrescentou Nuno Crato.

O ministro lamentou que exista um «preconceito intelectual, entre algumas pessoas», que, garante, «tem de acabar» dado que «todas as profissões são dignas».

Valter Lemos (Maio de 2008):

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, reafirmou esta quinta-feira, em Penafiel, que no próximo ano lectivo cerca de 50 por cento dos alunos do ensino secundário em Portugal frequentarão cursos profissionais.

«Estamos a trabalhar para que os alunos possam sair das escolas para o mundo do trabalho levando consigo uma qualificação».

Afinal, a meta dos 50% para o ensino profissional não era exclusivo da escola a duas velocidades de Nuno Crato. É um desígnio transversal que, por agora, nem as esquerdas radicais percebem ser uma mistificação quando é tratado pela via da quantidade e justificado com argumentos de bacoca autoridade moral.

Um ensino profissional com qualidade reconhecida não precisa de arautos.

LuisXIV