Andamos a Salvar Bancos para Isto?

À aproximação do fim de uma semana muito desgastante e de umas quantas semanas pouco animadoras, soube que um grande amigo de adolescência (afinal foi ele que me emprestou a 1ª edição do Sem Penas do Woody Allen) e companheiro de dezenas, centenas de viagens para Lisboa (comboio e barco da CP, mais Baixa acima e metro, eu para a Faculdade, ele para o emprego) ali por meio dos anos 80, morreu com 52 anos, após 2 meses fulminantes após descoberta de um cancro. Há muitos anos que só nos víamos virtualmente, mas há muito boas memórias comuns.

E um tipo não pode deixar de pensar… mas é para isto que esta cambada de sociopatas e cleptocratas nos anda a espremer em vida e nós ainda somos encorajados a achar que este é o melhor dos mundos? Ou, para os mais coitados, que há um qualquer lugar onde seremos recompensados pela nossa idiotice?

E é então que me apetece lembrar o Paulo (raios… ainda para mais um homónimo) à saída dos barcos do Barreiro (1983? 1984?), ali no Terreiro do Paço perante aquele mar de gente a desaguar para o trabalhinho de cabeça mal levantada e ele a dizer bem alto “carneirada… se tivesse aqui uma metralhadora matava-os todos e eles nem davam por isso”. E sei que ele seria o primeiro a rir-se com esta memória em forma de epitáfio alucinado.

PGil

Aquele Cansaço

Típico dos últimos dias de período e que não resulta das aulas ou só das aulas. Que se acumula a um período longo de aulas mas que se instala perante a pilha de burrocracia administrativa que cada governo aumenta com as suas inovações. Este ano é o que resulta dos planos de melhoria e sucesso com que nos verdascaram. A tudo o que existia adicionou-me mais uma aberrante camada de grelhas e relatórios demonstrativos de tudo o que fez ou faria ou teria feito ou fez mesmo, objectivos intermédios, comuns, transversais, paralelas e perpendiculares. Quando será que os grandes apologistas da flexibilidade alargam o seu entusiasmo a aligeirar toda a desconfiança que existe quanto ao trabalho docente, que necessita justificar o mais mindinho dos dedos mexidos? Sim, eu sei que falam sobre isso, por vezes linhas seguidas, declarações de compreensão. O problema é o ZERO absoluto dos actos.

Quando ouço e leio críticas inflamadas contra o peso do Estado, será que essas criaturas doutas já pensaram quem são as suas primeiras vítimas? Quem é soterrado antes que lhes chegue a coisa?

Papel