Mas Porque Ainda te Ralas?

É a pergunta que pessoas amigas me fazem quando dão de caras com alguns textos meus para o longo ou a meter-me onde claramente não me querem chamado. E têm alguma (muita? mesmo muita?)  razão quando acrescentam “não percas tempo e energia que eles estão-se nas tintas, fazem o que querem e estão a borrar para o que a malta possa escrever”. E eu penso que fechei o Umbigo farto de confusões e abri este quintal meio por brincadeira e lá vou eu de vez em quando de cabeça contra a parede. Porquê? Em poucas palavras, porque continua por aí uma bela corja  cuja missão na vida parece ser aldrabar o próximo, usando malabarismos de linguagem e a truncagem da informação para encobrir a verdade, sacar o que podem (tudo bem que se desenrasquem, desde que não seja à conta de enterrar os outros) e ainda passar por salvadores da Pátria, em geral, e da Educação, em particular. E eu gosto de lhes dizer o que penso disso (como antes destes disse a outros), mesmo que não seja o dono de nenhuma razão. Mesmo que, desta vez, estejam quase todos os canhotos muito unidos e juntinhos a pedalar pró sucesso, porque à direita não há criatura que perceba disto, a não ser os especialistas do cné e os espertalhões dos quirozezes, benzósdeus.

É muita pretensão, a minha? Quiçá… mas o quintal é pequeno e só salta a vedação quem quer.

porco de bibiclete

A Luta como Iogurte (com ou sem Sabores)

O António Duarte denuncia a minha “profunda incompreensão do que é uma luta de trabalhadores quando se pensa que ela deve funcionar na base do tudo ou nada”. Tem a sua graça, embora seja trágico em alguém que, se forem outros a afirmar “vitória ou morte” aparece logo a dizer que é assim mesmo e muito bem. De acordo com o António “os professores terminaram a greve às avaliações de 2013 numa posição de força e quando a unidade na luta se mantinha intacta“. C’um escafandro… devo ter apanhado um ganda ataque de alzaima.

Os professores terminaram a luta porque deixaram de ter cobertura sindical que se baldou quando a coisa estava a começar a apertar. Uma comentadora fenprofiana, que tem os seus dias bons em anos bissextos da parte da tarde do dia 30 de Fevereiro confirma que “foram 2 semanas de uma boa organização e em que os professores se mostraram unidos e solidários. A continuação desta estratégia, sentia-se e sabia-se, tenderia a esmorecer”.

Pois claro. Em boa verdade, as sensações é que estão a dar em Educação. Quanto ao “sabia-se”, algo me escapou. Nem uma terceira semaninha se aguentaria, quando as coisas estavam prestes a ficar críticas? Somos, afinal, como alguém (curiosamente ex-sindicalista) como o “esparguete” que cede, ao que parece, ao fim de duas semanas?

Será que é isso que ensinam nas formações sindicais? As lutas, malta, ao fim de duas semanas – é sabido! – tendem a esmorecer. Como há muita permeabilidade entre sindicatos e poder político, já se viu que os governantes (em especial à esquerda) estão a par desta lei da luta sindical docente e, esperando duas semanas, a coisa morre por ali. Tipo iogurte que perde o prazo de validade e fica com uns gorgulhos a coalhar. 🙂

Mas, a bem da memória (há malta de História que a não tem ou não pratica, não sei se por falta de treino ou por conveniência), relembremos o que foi afirmado a 21 de Junho de 2013, um sábado:

O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof, afecta à CGTP), Mário Nogueira (…), disse, em conferência de imprensa, que a grande maioria dos mais de 10 mil docentes inquiridos, durante dois dias, manifestou interesse em continuar com a greve às avaliações dos alunos até à próxima sexta-feira, dia 28.

“Respeitando a vontade dos professores, as organizações sindicais vão manter a greve às avaliações para a próxima semana”, declarou Mário Nogueira, porta-voz das estruturas hoje reunidas num hotel em Lisboa.

A greve às reuniões de avaliação dos alunos começou a 7 de Junho. Os professores contestam o aumento da carga horária lectiva de 35 para 40 horas semanais, a colocação em escolas a longas distâncias da sua residência e temem o despedimento com a aplicação do regime de requalificação (mobilidade especial) da Função Pública.

A Federação Nacional de Educação (FNE) – afecta à UGT – não subscreveu o pré-aviso de greve às avaliações da próxima semana.

Resumindo… a greve continuaria até dia 28. As razões apresentadas eram a alteração do horário de trabalho, a colocação em escolas distantes e o regime de requalificação. A FNE já tinha desertado antes, como é seu costume.

Vejamos agora o que se passou a 25 de Junho, 3ª feira seguinte:

O líder da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, anunciou nesta terça-feira o regresso à “normalidade” na sequência do acordo entre o Ministério da Educação e Ciência (MEC) e os sindicatos de professores.

“Agora é possível dizer que a mobilidade especial não se aplica a nenhum professor”, disse aos jornalistas, citado pela agência Lusa.Por isso, inidcou, “a partir de hoje, as escolas voltarão a funcionar dentro da normalidade”, com o fim da greve às reuniões de avaliação que se prolongou desde o passado dia 7 de Junho e que levou a que a maioria dos alunos do básico e secundário ainda não conheça as notas do 3.º período. 

Segundo Nogueira, apesar de se manter o desacordo com o MEC no que respeita ao aumento do horário de trabalho e à mobilidade especial, será possível assinar um documento com o ministério que consagra “um conjunto de salvaguardas” com vista a reduzir o impacto destas medidas nos professores.

(…)

As rondas de ontem e desta terça-feira com os sindicatos inseriram-se no período de negociação suplementar requerido pelos sindicatos. Mas alguns dos compromissos agora alcançados já tinham sido avançados pelo MEC na última ronda de negociações antes deste período, a 6 de Junho, nomeadamente no que respeita ao adiamento da mobilidade especial para 2015 e ao não aumento da componente lectiva dos docentes.

Vamos lá resumir as “conquistas”: nada, a não ser a promessa de um adiamento. Como bem nos lembramos, nada de verdadeiramente concreto (para além das horas para o dt que depois foi colocado em prática da forma que calhou) foi ganho para além do que já tinha sido proposto. Não foi uma questão de “tudo ou nada”. Foi a promessa de qualquer coisa, um dia destes, para não fizer mesmo nada. Sendo que a promessa já fora feita a 6 de Junho. Ou sejam, foram duas semanas para a fotografia. Quem andou pelas escolas, sabe que a organização da greve rotativa – inclusivamente com pagamento do dinheiro perdido pelos colegas, em especial os mais carenciados – foi da quase total responsabilidade de grupos de professores nas escolas e agrupamentos.

Que agora queiram reescrever a História e dizer que Nuno Crato (o Diabo em pessoa… que criou uma prova no 4º ano… digno do fascismo… agora imagina que era no 2º ano e para avaliar o trabalho das escolas e professores) está a falsear factos, em especial por causa da parvoeira da opinião sobre o heroísmo do Passos Coelho, não me espanta. Uma coisa são os factos relativos à greve de 2013, que podemos confirmar… outra opiniões que qualquer um pode ter, por idiotas que sejam. Há quem, por exemplo, ainda defenda regimes como a Coreia do Norte e se recuse a condenar a perseguição desenfreada de homossexuais na Rússia e seus satélites… embora por cá votem muitas coisas progressistas.

Mas isso é (ou deveria ser) com os políticos.

Os professores, António, muito em particular os de História, tem uma obrigação para com a honestidade histórica que deve (deveria?) estar acima de clubites organizacionais.

Estas coisas começam a fazer parte da História. É nossa obrigação não embarcar em mistificações. Apesar da minha “incompreensão” com o manual (cartilha?) da luta já sei que as lutas que recentemente foram acenadas para datas “sensíveis são para levar a sério apenas por duas semanas.

Porreiro, camaradas!

clio

Importa-se de Repetir?

Ainda assim, admite que algumas estruturas têm “uma visão muito estreita das coisas”. E recorda “uma greve estúpida de professores – a razão era incompreensível – em que todos nós juntos não conseguimos encontrar solução atempadamente”. Conta que os sindicatos entenderam a impossibilidade e “vieram ter connosco para acabar com a greve. Nós percebemos que alguns deles precisavam de uma saída digna e pondo acima de tudo o interesse dos alunos e o futuro do país conseguimos chegar a acordo, mas a Fenprof recusou-se a assinar. Ou seja, negociou tudo e assinou um documento a que chamou um nome esquisito, uma base de entendimento, e lá acabou a greve – que era o que interessava.

A greve não era “estúpida” e até estava a funcionar muito bem para susto geral, mas agora percebe-se porque acabou daquela maneira e porque há gente no sindicalismo que anda a mais por lá e de “professor” só gosta de ser “representante”. Por isso mesmo é que dificilmente entrarei em qualquer acção de “luta” que tenha a promovê-la vira-casacas e gajos instalados em gabinetes que só vão às escolas como se fossem vipes.

Claro que haverá quem venha dizer que como é Nuno Crato a dizer isto só pode ser mentira. Só que… quem estava pelas escolas naquela altura sabe bem que a explicação dada pelos sindicatos – que os professores não tinham capacidade para se manterem mobilizados muito tempo – foi uma coisa destinada a enganar pategos e satisfazer os crédulos.

Pizza