Afinal, É Melhor Esquecer um Hotel em Fátima

Fátima-Torreense: adepto salta da bancada para empurrar árbitro

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As equipas estavam a abandonar o campo quando um adepto saído do lado da bancada dos apoiantes do Fátima saltou para o recinto desportivo e contestou o árbitro do desafio, António Moreira, empurrando-o. De imediato este solicitou a presença da GNR que procedeu à identificação do referido adepto.

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Leituras de Férias

É verdade que também estão por ali uns policiais para activar outra parte do cérebro, mas estas pausas também podem servir para nos informarmos um pouco acerca dos temas debatemos muitas vezes apenas com base no senso (in)comum. Não é que seja mau, mas por vezes convém perceber se alguém já chegou a algumas conclusões antes de nós.

Quando se debate a redução do currículo e dos conhecimentos a transmitir aos alunos ao “essencial”, convém ler um pouco sobre que mecanismos podem estar sob as melhores (aparentes, pelo menos) boas intenções. Para não ser suspeito, recomendo um autor de “esquerda”, americano, eu sei, mas que escreve sobre as relações entre o currículo, a ideologia e o poder há umas boas décadas. Há cá algumas coisas traduzidas do Michael Apple, mas este penso que não e é sempre interessante analisar-se o que é o “conhecimento oficial”.

Quanto à questão do papel inclusivo das escolas e da educação e da sua relação com a coesão social, a igualdade e a equidade, Andy Green, a que cheguei por via das suas abordagens sobre a educação, globalização e o estado-nação há uns bons anos, é um dos autores mais recomendáveis, até por causa da metodologia comparativa que usa nas suas análises.

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E ler o que outros escreveram, mesmo quando discordamos, é sempre importante para não estarmos a redescobrir a pólvora a cada nova geração e a usarmos a ignorância  e falta de informação como justificação para a arrogância moral.

Calma… são compras em alfarrabista… não estou a gastar por conta do descongelamento 🙂 .

Só nos Faltava o Doutor Ascensão a dar Lições de Paradigma

Claro que os problemas dos finalistas são causados pelo modelo de escola e não pelo facto dos pais meterem dinheiro nas mãos da rapaziada (e raparigada), muitas vezes sem terem sequer 18 anos e lamentarem que só lhes seja servida uma bebida (como se indigna o outro pai que faz declarações para a peça). Claro que a culpa não é de quem organiza isto e nem sequer verifica as condições previamente. Nem sequer dos papás e mamãs que acham que tudo é “normal”.

Foi só uma dezena que se portou mal? E prontificaram-se a identificá-los? Ou é como de costume, ninguém viu ou ouviu e vamos mandar sms para casa a queixar enquanto colocamos fotos da rebaldaria no insta ou no feice?

“Tanto quanto sabemos, terá sido uma dezena de jovens a ter comportamentos reprováveis”, afirmou Jorge Ascensão, convidando toda a sociedade a refletir sobre o modelo educativo em que assenta hoje a escola.

Na sua opinião, o modelo de educação está demasiado centrado “nas classificações e no acesso ao ensino superior”, pelo que se impõe uma discussão sobre valores e limites que os alunos devem ter quando não estão nas aulas.

E, já agora, quando estão nas aulas?

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Férias (?)

Esta palavra tornou-se praticamente proibida quando aplicada aos professores fora de Agosto em virtude do esforço comunicacional para intoxicar a opinião pública contra os professores e os seus privilégios. Antes já existiam sinais, mas o período de 2006-2009 foi de combate muito duro contra uma série de estratégias usadas pelo poder político socrático-rodriguista para nos desacreditar como profissão de indolentes desocupados. E passámos a falar em “interrupção lectiva” o que antes se assumia de forma despreocupada como “férias”, por não termos aulas, tal como os alunos, mesmo se em média ficamos de 3 a 5 dias pelas escolas a tratar de todo o trabalho administrativo e burocrático relacionado com a avaliação de final de período.

Foi uma estratégia defensiva em que até na linguagem tivemos de adaptar hábitos para nos protegermos de alguma maneira da saraivada com que nos brindavam os válteres que enviavam para a comunicação social truncagens estatísticas sobre o absentismo docente e o pouco tempo que alegavam trabalharmos. Mesmo se nas comparações estatísticas, Portugal sempre apareceu entre os países com mais dias e horas de aulas. Mas isso não interessava nada. Apoiados em algumas parcerias úteis (alguma comunicação social, o albino confapiano, algumas ancoragens bloguísticas que não apenas os abrantes, opinadores insurgentes e blasfemos, preconceituosos e armados ao pingarelho), foram-nos encurralando e hoje sou obrigado a reconhecer que nem tudo foi coragem da nossa parte e falo por mim, que também passei a usar o termo “férias” de modo muito selectivo.

Percebo por estes dias que há gente que parece não ter vivido isso com especial intensidade, passando ao lado de muita coisa, mais preocupada com outras prioridades, pelo que está disponível para, sem o peso da memória, aceitar o regresso de muitas dessas estratégias de ataque à classe docente, mesmo que em estilo suave. Por isso, querem menos aulas para os alunos, mas os professores mais tempo nas escolas, como se as nossas “pausas lectivas” ou férias não fossem essenciais para a recuperação dos níveis de energia, concentração e desempenho que a especificidade da nossa profissão exige diariamente.

Há pouco, via uns vizinhos de malas feitas a partir para as suas férias de Verão. Sei que não são professores. Cá por casa, ainda há quem ande em reuniões (sim, há quem nas escolas tenha assimilado bem a culpabilidade docente e, em especial quando é gente que não dá aulas, até se gabe de exigir a presença dos professores o maior número de dias possível nas tais tarefas da treta), mas se falarmos numa semana de férias, haverá quem por certo aponte logo o dedo aos professores que estão sempre de férias. E há quem, dentro da própria profissão, ainda alinhe no pelotão de fuzilamento moral.

Vão-se danar, catar, para o raio que vos parta. Já são muitos anos de cobardia estratégica, a adaptar a linguagem para limitar os ataques que nunca pararam, apenas mudando de pele. Não se enganem… se os professores desalinharem de novo, se levantarem muita oposição a algumas medidas em implementação, o substrato está lá sempre, naqueles que por cheirarem os corredores da 5 de Outubro (ou das Laranjeiras, ou da 24 de Julho em menor escala) pensam ser outra coisa e ter autoridade moral acrescida para desenvolverem campanhas de descrédito docente.

(basta ver como, quando eu aqui comecei a criticar certas coisas, apareceram logo comentários do género… “gastas muito tempo no blogue é porque não trabalhas…”)

O que lamento é que, graças à tal falta de memória ou ao seu voluntário apagamento, tenham conseguido apoiantes e a tal ancoragem entre aqueles que deveriam ter menos vergonha em defender os seus, sem que isso signifique ignorar as falhas que existem. Em especial, entre os que se acham com moralidade para atacar os “velhos” e acharem que são melhores e que, por isso, devem ajudar a espezinhar quem consideram estar a ocupar lugares que deviam ser seus. A mesquinhez humana em todo o seu esplendor.

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Pacotes

Li há pouco numa “rede social” um par de pessoas a compreender os alunos que foram expulsos de Espanha e a relativizar o seu comportamento porque também já lhes aconteceu sentirem-se enganados ao comprarem “um pacote de férias com tudo incluído” no sul de Espanha. A essas pessoas, eu apenas chamaria a atenção para o facto de ao escolherem esse modelo de férias perderem um pouco a credibilidade do seu bom senso.

Antero

(c) Antero Valério