O Álibi da Ignorância Não Vale

É absolutamente inaceitável que um dirigente de uma confederação de pais e encarregados de Educação, para mais elemento do CNE, revele tão extensa ignorância acerca de tudo isto.

Só se estiver a gozar connosco. Só pode… então os pais acham que as escolas é que tratam de tudo… ? A sério… e ficam descansadinhos?

Do lado dos pais, Jorge Ascenção – presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) – defende que “as associações não se devem envolver, é uma questão turística, cada um faz o contrato com os promotores e as associações de pais estão lá para estar nos projetos educativos das escolas”. Já os pais isoladamente faz algum sentido que se possam envolver, o que não acontece com tanta frequência, sublinha Jorge Ascenção, porque “têm a ideia de que as escolas estão envolvidas e isso dá-lhes alguma segurança, por isso, é que apelamos a que participem na vida da escola, a estar mais atentos”.

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Já agora… eu nunca fui a nenhuma viagem de finalistas ou sequer a Torremolinos (em jovem ou adulto, por pelo menos duas razões de monta, num primeiro tempo de ordem financeira e num segundo por questões de gosto), muito menos nos anos 70. Nem sou da geração que o Vicente Jorge Silva qualificou de “rasca”, pelo que penso que estarei em condições de criticar livremente estas condutas, ao contrário do que escreve o inefável Daniel Oliveira a este respeito, sempre pronto para ser original na sua relativização de tudo. O facto de terem existido imbecis boçais no passado não justifica que a imbecilidade boçal tenha de ser um determinismo cultural ou razão para “tu também fizeste, portanto, cala-te” porque não, há quem não tenha feito, até porque o dinheiro que os meus pais tinham para aplicar na minha Educação (para mais no início dos anos 80 com a margem sul com salários em atraso) não era certamente em viagens para apanhar bezanas.

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14 thoughts on “O Álibi da Ignorância Não Vale

  1. É certo que casos como este sempre existiram. Negar isto não é verdade.

    A diferença está na reacção dos pais e EEs. Alturas houve em que a coisa era resolvida em casa dos jovens. E daí tiravam-se as devidas consequências.

    Neste caso, assiste-se a um lavar da situação e a uma troca de acusações entre hotéis, agências para estes fins, pais, EEs, metendo-se no meio a inenarrável posição de altos responsáveis da Confap. A “escola” aparece sempre a pairar no meio disto tudo, como um último argumento a deitar mão, como se vê na crença de que os pais e EEs pensam que estas viagens de finalistas são organizadas também pelas escolas. Agora é só deixar esta ideia vir mais à superfície e temos a conclusão: a escola é a culpada.

    Eu, que também nunca fui a visitas de finalistas porque sabia que havia mais irmãos e isso abalava o orçamento familiar, questiono-me como há tantas famílias, em tempos de crise, desemprego e salários tão baixos, que podem pagar isto mas já não podem pagar outras despesas, nomeadamente a nível da escola e de hábitos culturais.

    Sabemos que foram meia dúzia ou 1 dúzia de hooligans. Mas que choca, nos tempos de hoje, choca.

  2. É isso mesmo! Eu para puder sair de casa, coisa que ansiava, há muito, para ir de férias, trabalhei, durante dois longos verões e, já no 2ano, da universidade consegui ir trabalhar para o estrangeiro! E foi um tempo extraordinário! Que valor dão estes jovens ao que têm!? Tudo isto é chocante! E o futuro como vai ser?

  3. É curioso como neste caso, o facto de pensarem que a Escola está envolvida lhes dá “alguma segurança” e noutros assuntos como atribuição de notas, informação de comportamentos incorrectos por parte dos alunos, etc. (em que a Escola está mesmo, e bem, envolvida) passam o tempo a ir à mesma Escola para contestar tudo!

  4. Esta criatura foi certamente eleita para representar os pais e encarregados de educação do nosso país. Está ao nível dos restantes elementos que simbólica e paulatinamente nos arrastam para o pântano da imoralidade, da dívida e do vazio civilizacional. Por isso penso que tem mérito, e este caso demonstra bem o tipo de doença, qual praga bíblica, que contamina as nossas instituições e a nossa gente…😎

  5. A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) não se revê nesta tomada de posição. Defende a CNIPE o apuramento das responsabilidades e no caso de se virem a confirmar as denúncias sobre os filhos e educandos responsáveis, deverão ser responsabilizados. Rui Martins, CNIPE

  6. Hoje no JN um pedopsiquiatra pergunta em jeito de insinuação como é que é possível que as escolas “abram” as portas a agências de viagens. O jornalista põe no título “Escola permite à venda de viagens com álcool”.

    1. Não sei se isso é feito nas escolas… acredito que as reuniões de preparação dos alunos o sejam, mas não sei se as reuniões com os representantes das agências o sejam. Pessoalmente, não leccionando numa secundária, não sei. Sei que com viagens de “finalistas” de 9º ano, em 25 anos nunca assisti a isso.

      Agora sei que são os pais que pagam e, pelo que vi, até se queixam de não haver bar aberto.

  7. Outras formas de estar existem:

    Muitas centenas de estudantes liceais espanhóis fazem, há já vários anos, o percurso inverso ao dos finalistas portugueses e rumam em direcção a Fátima, onde passam a semana santa. São alunos de colégios católicos, que dedicam o seu tempo livre a actividades de formação cristã e de solidariedade social, com alguns colegas portugueses, nomeadamente no centro de deficientes profundos da União das Misericórdias Portuguesa. Para além das actividades de natureza religiosa, a cargo dos capelães dos seus colégios, também realizam trabalhos de índole cultural e desportiva: por uma estranha mutação genética, as suas hormonas não os levam a atirar com televisões para banheiras, mas a ajudar os outros, sobretudo os mais necessitados. Se não fossem alunos de colégios privados, que contam com a assistência espiritual de padres da prelatura do Opus Dei, decerto que seriam notícia. Se houvesse mais hormonas, álcool e drogas, a cobertura mediática estaria decerto garantida.

    http://observador.pt/opiniao/finalistas-de-que/

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