Voltámos a ser Especiais

Para ficar fora do processo de regularização de precários. O giro é que tal privilégio se deve à vinculação extraordinária que abrange muito menos precários do que aqueles que teriam direito a uma vinculação em qualquer outra carreira. E sai mais um olé para os nosso hábeis negociadores sindicais que chegaram a conclusões que há meses eram mais do que previsíveis.

Melhor toureiro do mundo

(embora eu quase aposte que os mesmos especiais entrarão…)

Teorias Curriculares (e Não Só)

As arrumações de Primavera permitem reencontrar e arrumar certas coisas que se leram ao longo dos tempos. Neste caso, três gerações de autores que abordaram o currículo de uma forma crítica, sendo que com o tempo as coisas não melhoraram muito.

IMG_4662

Como já escrevi várias vezes, tenho tendência para ler, por vezes até de forma mais extensiva, autores de cujas posições discordo. É o caso de João Paraskeva, que consegue transformar coisas simples em complicadas, através de um uso que, de tão sério, para mim se torna quase paródico da linguagem. Basta ler algumas páginas suas (e olhem que vale a pena para se perceber o que evitar quando tudo se poderia resumir a “recusem o currículo ocidental porque é capitalista e mau”…), seja do livro que está na imagem, seja em outras publicações a explicar (?) a sua Teoria Curricular Itinerante que se apoia (claro) em Boaventura Sousa Santos, para percebermos o que pode ser a estratosfera curricular (de que as actuais concepções em voga na secretaria de Estado da Educação com as suas transversalidades e flexibilizações locais são apenas um pálido e simplista subproduto).

Este slideshow necessita de JavaScript.

Perante esta avalanche teorizadora, Torres Santomé parece ainda mais cristalino e Michael Apple quase anacrónico na forma como explica coisas claras e evidentes (detectadas há décadas nos EUA) de uma forma concisa e sem as peneiras intelectualizantes de novas esquerdas. Qualquer deles, sem vergonha em denunciar o atropelo profissional feito sobre os professores, coisa que por cá agora se qualifica como “discurso corporativo“.

IMG_4670

Santomé (1995), p. 194.

Sim, gosto de (re)ler estas coisas quando tenho tempo e a cabeça fica menos cheia de coisas muito menos relevantes. Pena tenho que há quem ache que basta ter umas ideias gerais sobre estes assuntos para que possa gritar opinião com toda a certeza nascida do desconhecimento de ter existido já mundo. Eu percebo… quando a História é para servir aos semestres é porque só se pensa no presente e em ter boa figura nas praias do estio já próximo.