Teorias Curriculares (e Não Só)

As arrumações de Primavera permitem reencontrar e arrumar certas coisas que se leram ao longo dos tempos. Neste caso, três gerações de autores que abordaram o currículo de uma forma crítica, sendo que com o tempo as coisas não melhoraram muito.

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Como já escrevi várias vezes, tenho tendência para ler, por vezes até de forma mais extensiva, autores de cujas posições discordo. É o caso de João Paraskeva, que consegue transformar coisas simples em complicadas, através de um uso que, de tão sério, para mim se torna quase paródico da linguagem. Basta ler algumas páginas suas (e olhem que vale a pena para se perceber o que evitar quando tudo se poderia resumir a “recusem o currículo ocidental porque é capitalista e mau”…), seja do livro que está na imagem, seja em outras publicações a explicar (?) a sua Teoria Curricular Itinerante que se apoia (claro) em Boaventura Sousa Santos, para percebermos o que pode ser a estratosfera curricular (de que as actuais concepções em voga na secretaria de Estado da Educação com as suas transversalidades e flexibilizações locais são apenas um pálido e simplista subproduto).

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Perante esta avalanche teorizadora, Torres Santomé parece ainda mais cristalino e Michael Apple quase anacrónico na forma como explica coisas claras e evidentes (detectadas há décadas nos EUA) de uma forma concisa e sem as peneiras intelectualizantes de novas esquerdas. Qualquer deles, sem vergonha em denunciar o atropelo profissional feito sobre os professores, coisa que por cá agora se qualifica como “discurso corporativo“.

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Santomé (1995), p. 194.

Sim, gosto de (re)ler estas coisas quando tenho tempo e a cabeça fica menos cheia de coisas muito menos relevantes. Pena tenho que há quem ache que basta ter umas ideias gerais sobre estes assuntos para que possa gritar opinião com toda a certeza nascida do desconhecimento de ter existido já mundo. Eu percebo… quando a História é para servir aos semestres é porque só se pensa no presente e em ter boa figura nas praias do estio já próximo.

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One thought on “Teorias Curriculares (e Não Só)

  1. Houve uma fase do meu exercício profissional em que lecionava apenas 12 tempos semanais. Preparava 1001 materiais, lia bibliografia sobre autores e obras em barda, propunha exercícios “out of the box” (como diria a minha professora de Grego), comprava resmas de manuais sobre tudo e mais alguma coisa. Todos os meses as criaturas que tinha à minha frente, entre outros fretes, produziam um texto de tipologia diferenciada, que era corrigido, entregue e discutido individualmente, para que tivessem a perceção dos erros que tinham comedtido e como os superar. E que alegria sentia quando, passado um par de dias, em novo exercício, várias das criaturas já não produziam esses erros.

    Hoje levo com 22 horas, nalguns anos 24, considerando 2 de apoios educativos. Bom, estou muito mais velho e cansado e sou muito pior professor, desde logo porque não tenho sequer tempo para me coçar.

    É certo que ao meu lado há imensa gente que não trabalha em casa (e faz gala disso), não prepara uma aula. São vários até que ocupam um ou outro intervalo a selecionar o texto a ler, a sublinhar umas passagens no manual e tal e coisa.

    Mais dia menos dia vou fazer exatamente o mesmo que eles. Como disse, já não sou novo e, mais tarde ou mais cedo, vou cumprir a lei fatal, logo…

    Estou cansado, muito… de tudo.

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