Amanhã…

… começam as provas mais despropositadas da nossa história educacional recente. Alegadamente, com base no desempenho de alunos do 2º ano em provas (por exemplo de educação física) irá ser feito um diagnóstico do que está mal no 1º ciclo. É tudo uma imensa treta e estas provas destinam-se apenas a justificar medidas que já estão delineadas há algum tempo com base numa teia de relações e influências que é pior do que eu imaginava, pois nos últimos dias procurei informar-me sobre aquilo que era apenas possível deduzir. As coisas são bastante mais opacas (ou serão antes transparentes?) do que seria de esperar num governo que se pretendia reverter as más práticas do passado recente.  Como não quero assustar já toda a passarada que se anda a servir das amizades e conexões, mais detalhes ficarão para a devida oportunidade, conforme avancem com as alterações pré-preparadas por gente que coloca a sua vidinha acima dos escrúpulos e da decência. Sim, estou a medir e muito as palavras. E não, o que está em causa não é o interesse dos alunos.

Alarmismo? Dramatização? Olhem que não… olhem que não…

Alcatrao

Estranheza

Que em tempos digitais e de tanta oferta de formação oficial para as áreas “que interessam“, a página da DGE relativa à formação contínua tenha este aspecto:

Forma

Ou que as jornadas em decurso sobre apoio tutorial específico que começam amanhã tenham um programa em que nem aparece um nome sequer dos formadores. Porque o tema pode ser interessante, mas o interesse da acção pode depender muito de quem vai “formar”. Porque se for o que já se sabe e já se ouviu sobre tutorias há que tempos, pel@s mesm@s, não vale a pena.

Dia do Trabalhador?

Já foi. Agora é dia para metade do pessoal ir (em especial se o dia não estiver muito bom, mas hoje até está, portanto é menos de metade) para onde a outra metade anda a trabalhar, sem ter dia do trabalhador, se calhar nem uma folga adicional para compensar. Por causa da produtividade, dos mercados, disso tudo que sabemos agora ser o mais importante para termos “credibilidade” enquanto país.

Mas isso agora não me interessa.

Este dia deveria ou poderia servir para que aqueles que trabalham e pensam ainda ter uma profissão coerente, pensarem sobre isso mesmo.

Eu cá penso que ainda gosto do que faço, mas que cada vez vou detestando mais as condições em que o tenho de fazer. Ainda não passo a maior parte do tempo a pensar se poderia passar a fazer outra coisa. Mas já me ocupa o espírito mais tempo do que o razoável. E não sou só eu. E desconfio muito daquelas pessoas que andam sempre muito alegres, a achar tudo muito bem e a ver o lado positivo de tudo (são quase piores do que aquelas que acham que tudo é mau), ficando eu na dúvida entre a idiotice e a medicação.

Sei que quem manda no ME quer ver malta como eu pelas costas… e não é de agora. Mesmo se a carreira é uma miragem e a maioria ficou no meio do deserto sem oásis à vista (aquilo de 2018, não se iludam, é quase por certo como em 2009 para ganhar votos e depois volta-se ao mesmo), o pessoal da minha idade é considerado “caro” e não alinha facilmente nas tretas que nos querem impingir como novidades e somos, portanto, “conservadores”. Não andamos ao ritmo do trote desejado, desconfiamos de cenouras ocasionais e o lombo também vai ficando calejado das vergastadas, pelo que também já não nos assustamos com facilidade. Seria muito mais fácil que nos fossemos embora, mas sem sobrecarregar muito o orçamento, para dar lugar a “novos” que, de tanto estarem à espera, talvez se revelem mais dóceis e acomodados, porventura gratos, a quem lhes arranje lugar. Basta ver certas conversas em grupos de “redes sociais” para se adivinhar o género.

Ahhh… e aquilo de haver gente em situação ainda pior não é argumento, ok?

Pois… o dia do trabalhador, mesmo com sol, mesmo sem componente lectiva, pode ser usado para pensarmos um pouco.

1Maio