Descubra as Diferenças

Ben Carson, Março de 2017:

Carson: ‘There were other immigrants who came in the bottom of slave ships, who worked even longer, even harder, for less’

Manual de HGP (caderno de actividades), 6º ano, Maio de 2017:

Manual

A escravatura como jogo trivial, em que a “vitória” é obter a liberdade que tinha sido esmagada. Isto é idiota. Não é a questão do “politicamente correcto”, mas sim a da “ideia gira” parva. Com “consultor científico” e tudo. Que deve ter assinado de cruz. Ou também achou engraçado.

A imagem foi-me enviada por uma colega, confesso que ainda nem vi este manual.

Falta de Coragem

Só seis escolas têm “autorização” para eliminar os “chumbos”?

Quanto a isto, apenas duas observações:

  • Há escolas que já praticam isto (fim quase completo das retenções, pelo menos em anos intermédios), com práticas não muito inovadores de pressão hierárquica sobre os professores, muitas delas completamente à margem da lei, precisando talvez de um “estudo” para que os políticos atendam ao tema.
  • Há uma enorme falta de coragem em assumir-se que o que está em causa é mesmo a tentativa para erradicar o insucesso por todas as vias e não apenas com base em “inovação pedagógica”. Deixem-se de eufemismos e de conversas fiadas e PIPP’s. Nós sabemos o que se passa por aí em muita coisa com nome de “piloto” e em diversos casos não passa de uma troca (dá-me sucesso total, toma recursos), na base de convites que… pois, está bem. Legislem a proibição da retenção, sem excepções… pronto. E não precisam de inventar números imaginários sobre o custo do insucesso. Pronto!

bla bla bla

 

Purga

O PSD acha que os professores que são encarregados de educação não devem fazer parte dos Conselhos Gerais. Parece que é para “clarificar”. Pois… o problema é que sem professores, a participação parental em muitos Conselhos Gerais ainda seria mais diminuta. À boleia de algumas denúncias sobre a irregularidade da designação de encarregados de educação, em vez de se corrigir uma lei que é uma porcaria em matéria de ligação à realidade, atira-se ao alvo do costume. Mas não me admira nada, atendendo ao facto de, em vez de se defender uma democratização efectiva da vida nas escolas, se andar aos tiros ao Conselho Geral, órgão com uma composição que eu há anos acho incompatível com a Lei de Bases, mas isso nunca interessou nada e andei pelo Umbigo a pregar aos peixinhos e, nos vários sentidos, a dar para o peditório.

Agora aparecem umas criaturas que, estando quatro anos no poder, nada fizeram acerca do assunto, mantendo o que havia. A reboque, aparecem com propostas completamente desfasadas da realidade da maioria dos agrupamentos, sendo que a eleição deve ser “dirigida” pois deve ter elementos de todos os ciclos de escolaridade (em agrupamento verticais com escola secundária são cinco ciclos, pois não se deve esquecer o pré) e, portanto, não poderão ser os mais adequados, mas os que cumprem as formalidades pensadas por estas cabecinhas geniais.

A proposta do PSD estabelece que as associações de pais se devem reunir previamente para apresentar a proposta dos nomes dos pais que serão seus representantes dos encarregados de educação no conselho geral, num encontro marcado especificamente para o efeito. Estes representantes são eleitos em assembleias de encarregados de educação. Os membros eleitos devem ainda integrar representantes de todos os ciclos de ensino ministrados no agrupamento.

Para que conste, sou presidente do Conselho Geral de um Agrupamento em que há anos se tenta reactivar uma Associação de Pais e Encarregados de Educação. Todos os anos me reúno com representantes dos pais e encarregados de educação para o efeito. Sempre que é preciso substituir membros do CG por cessação dos mandatos dos representantes de pais e encarregados de educação, há assembleias eleitorais (com acta) com poucos mais eleitores do que elementos a eleger. E muito mais poderia escrever acerca de um tema – o modelo da gestão escolar – que a cada curva só serve de pretexto para amesquinhar os professores, neste caso com mais uma discriminação bem negativa. Nem sei como nos deixam ser encarregados de educação.

Já agora… as muletas à esquerda da geringonça educativa, esqueceram uma das suas causas de outros tempos?

Chiça… não querem pisar mais?

Tiros

O Costume?

Comecei a receber e a pré-analisar os manuais de Português para o 6º ano, o que significa ver quem o aspecto geral do “projecto”, @s autor@s, como se encaixam nos materiais que temos usado, perfil de alunos, etc. Agora, de há uns bons anos para cá, pelo menos uns 15, temos direito aos “consultores científicos” aos “revisores pedagógicos” e títulos equivalentes. Em 3 dos 4 primeiros que agarrei dei com 3 autoras (ou coautoras quando há mais humildade) das Metas Curriculares e do Programa de Português do Ensino Básico.

Eu sei que não é ilegal, claro, mas continua a não me cair muito bem no goto que as pessoas que são pagas pelos dinheiros públicos para elaborarem um programa disciplinar depois apareçam associadas a projectos comerciais privados ligados a esse mesmo programa. As “formações”, enfim… Mas andar a apoiar a venda, desculpem, revisão de manuais? Pode ser esquisitice minha. Mas acho que é algo que navega nas águas das explicações na área de exercício da docência. E acho muito menos transparente do que o que motivou enorme alarido mediático acerca da oferta dos manuais aos professores.

Aquela coisa da ética e da deontologia continua sem código de estrada, portanto os condutores continuam a poder fazer as manobras que entendem. As editoras seduzem, a carteira anda fraca, o mundo pulo e avança como se fosse um tablet nas mãos de uma criança *.

pluto-scratching

* – Piada em camadas… não sei se repararam… com aquilo dos e-manuais… espectáculo… isto não é todos os dias, nem em todo o lado…