A Transnacionalização da Educação

Este conceito que começou a fazer furor lá fora nos anos 90 do século XX – substituindo um pouco o de “globalização” – e chegou até nós por via de alguns sociólogos da Educação da escola BSS, sejam Luíza Cortesão e Stephen Stoer a norte, seja António Teodoro a sul. Uma das ideias-base desta corrente, quando se fala do ensino não-superior, é a de que assistimos a uma homogeneização das políticas educativas ao nível da definição dos objectivos dos sistemas educativos ocidentais (e cada vez mais em outras zonas dominadas pelo Ocidente do ponto de vista económico, político e cultural, em parte, por exemplo, devido ao apoio de organizações como a OCDE e o Banco Mundial aos projectos de reforma educativa), nomeadamente no que se refere a uma padronização do currículo, a uma obsessão com as análises comparativas internacionais dos resultados dos alunos (via PISA) e à consolidação de uma ideologia de accountabillity que valoriza mais a eficácia financeira do que os aspectos pedagógicos da gestão escolar.

De acordo com esta crítica, as políticas nacionais tornaram-se cada vez mais incaracterísticas, seguindo parâmetros transnacionais, validados pelas tais organizações internacionais que legitimam medidas que cada vez se distinguem menos por grande parte do mundo. Contra isso – o domínio do global – deve existir uma espécie de regresso a políticas locais, o que se traduz em algumas zonas (caso da América do Sul, mas do próprio Canadá ou da Austrália) na revalorização dos valores das culturas indígenas na Educação. Ou pode -a partir de um conceito nascido também nos territórios da economia – proceder-se a uma glocalização das políticas, ou seja, usar métodos novos e próprios da globalização (as novas tecnologias da informação) ao serviço de projectos de natureza local.

Tudo muito bem.

Eu entendo a crítica à padronização dos processos de reforma educativa.

Como verifico que as críticas são igualmente de tipo transnacional, pois adoptam as mesmas perspectivas e léxico.

Como verifico de igual maneira a transnacionalização da retórica reformista em Educação, em especial aquela que procede a uma crítica muito forte ao modelo de uma “escola do século XX” (ou XIX… ou XVIII) que não é capaz de se adaptar à nova realidade “do século XXI”.

Daí que, por cá, esse tipo de discurso pouco se distinga do que se lê por lá fora. Por momentos parecemos estar a ler o mesmo. E, se calhar, até estamos. Porque tudo soa ao mesmo, como se a tal “transnacionalização” atingisse de igual modo as respostas que se pretendem dar para a “crise da Educação”. Veja-se o caso do Canadá, um dos países que surgiu nos últimos tempos como novo farol para o reformismo educacional, apesar de ser uma realidade completamente diferente da nossa em tantos aspectos, desde a diversidade cultural à linguística, passando pela extensão geográfica e organização política e educativa. Por lá, no caso do Ontário, podem ler-se materiais sobre a necessidade da Educação entrar no século XXI que devem ter servido de inspiração para alguém, menos algumas partes boas.

21st Century Learning, 20th Century Classroom

It’s time to match classroom and school design with our changing philosophies and teaching practices.

Teaching and learning have changed and yet our school buildings, physical structures, classroom set-up and class design remain the same. It’s time we thought about how our physical space, schedules and classroom make-up support or constrain the type of learning taking place. The Enrichment and Innovation Centre, in Hamilton, Ont., is a demonstration project that connects educational ideologies (inquiry, design thinking, integrative thinking) to the learning environment itself. Educators seeking ways to enrich their own program through inquiry and project-based learning spaces are invited to visit the Centre.

There is a clear disconnect between the new approaches to teaching and learning that are considered “best practices” for 21st century learning, promoted in PD and supported by research, and the old classroom or school design that in many ways works against them.

Já agora tem o seu interesse ler uma publicação que apresenta o resultado de uma consulta alargada a diversos agentes ligados à Educação em várias províncias canadianas e o que consideram ser as principais barreiras à mudança (é o próprio sistema educativo e não propriamente o currículo ou a falta de um pensamento crítico). Não encontro por aqui – não deve ser assim tão transnacional – algumas das prioridades da nossa actual equipa do ME, mesmo se a retórica é semelhante da defesa da mudança.

CanadaBarreiras

 

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