França

Ganhou Macron pelos números esperados. Quem acha que esta segunda volta apresentou dois candidatos igualmente maus poderia fazer o esforço por nos explicar porque se chegou a tal estado. Essa explicação torna-se mais difícil para quem critica o sistema central e rotativo de governança que implodiu. E porque a extrema-direita é o quadrante político que mais cresce em 20 anos. E porque agora seriam melhores aqueles que permitiram isso. Como o desastre que foi o Hollande.

Macaron

A Docência Transbordante

Perguntem hoje à generalidade dos professores como se sentem e porquê talvez tenham mais do que “impressões” para fazer uma “fotografia” da motivação par encarar mais uma semana em que muito do tempo usado é para coisas que em muito pouco ou nada contribuem para as aprendizagens dos alunos, mas quase só para fazer o registo de que se fez algo.

Mas façam perguntas abertas e não questionário pré-encaminhados para determinadas conclusões como é costume em muitos “estudos” e “investigações” que se destinam a comprovar o que se pretende. Sim, a indisciplina é problemática e sim, os programas são extensos.

Mas… se a docência propriamente dita, o trabalho directo com os alunos fosse a encarada como a missão primeira dos, educadores e professores, não teria sido submersa por toda uma multiplicidade de tarefas administrativas e burocráticas que vão muito para além da avaliação e dos finais de período, tendo polvilhado o quotidiano diário de todos nós, a começar pel@s director@s oun professores titulares de turma , com toda e mais aquela obrigação a ser feita em modelo padronizado (falta o papel selado), em papel e digital, no prazo estipulado, mesmo que, em tantas situações, se destine a cair em saco roto ou a ter retorno esquecido ou em prazo inutilizado.

É nossa obrigação “reportar”, leia-se enviar uma comunicação, tudo e mais alguma coisa sobre os alunos para as entidades competentes e o professor tornou-se um mediador familiar em agregados desavindos, um especialista em diagnósticos para psicólogos e pedo-psiquiatras e um perito em relatórios para tribunais e comissões diversas. Quase todos nós que temos alunos e turmas não-piloto, sabemos o que isso é e a inutilidade de muitos actos, pois do outro lado o que se recebe são relatórios chapa-três feitos a partir de consultas apressadas e volte daqui a três meses ou arquivamentos mais ou menos sumários a menos que a criança seja encontrada presa pelos tornozelos de uma varanda do 5º andar.

E isto desgasta, mói, desespera e retira sentido e tempo ao que deveria ser (porque é) mais importante no trabalho docente. Porque se percebe que o ónus está sempre deste lado, a responsabilização nunca cai em outro quintal. Nunca aparecem nas primeiras páginas o que corre mal em todos os serviços que rodeiam a situação dos alunos e famílias sinalizad@s das mais diversas formas. A violência, o insucesso, o falhanço social é sempre assacado à escola e aos professores. Nunca a quem, fora dela, tem obrigações que cumpre no seu tempo, à sua maneira, quantas vezes com uma enorme displicência e uma ineficácia atroz. Porque não é possível passar quase meio ano à espera de resposta a necessidades assinaladas como urgentes. porque não é possível acudir na escola a tudo. Ser pedido sempre tudo aos mesmos.

E ainda lhes ser apontado o dedo acusador quando não estão de braços abertos a novas investidas ou de cara feliz a nova revoada de críticas, como as que agora já estão a cair sobre o 1º ciclo. Há uns dias ouvi uma colega dizer que uma visita notável que lhe apareceu na escola comentava que era “uma vergonha dar-se aulas como há dez anos”. Pois, vergonha é capaz de ser outra coisa, mas é melhor ficar por aqui ainda não vá isto ser lido por quem (não) deve.

eu-sou-o-burro