Começou o Recrutamento

Adivinho muitas candidaturas. Por exemplo, de lideranças que não possam ser reconduzidas. Ou outras luminárias que as temos pelas escolas ou em trânsito permanente para os corredores da 5 de Outubro. Cheira-me a selecção ad hoc. Ou melhor, feita à medida, até porque não surge definida nenhuma grelha 🙂 para ponderação dos vários parâmetros.

Vai ser uma espécie de mistura entre as velhas equipas de apoio às escolas e uma nova forma de inspecção. Vai ser a guarda pretoriana do SE Costa e dos seus homens de mão para o sucesso verdascado. Basta olhar para a parte das “atitudes e valores”.

Será que vamos temos uma lista pública de seleccionados ou só os conheceremos quando nos baterem à porta para “ensinar” o sucesso? Porque me cheira à costumeira opacidade de procedimentos e convites…

DGEPerfil

 

Já Tinha Saudades do “Colectivo”

Que é o primo do “em geral”. Isto a propósito dos estudos político-estatísticos da DGEEC que desde 2016 surgem sempre sem ficha técnica ou qualquer referência à autoria. Numa publicação oficial, para além da página de rosto com o título, data e instituição, talvez fosse de incluir a responsabilidade pelos trabalhos em vez de parecerem  uma espécie de obras sem rosto, atribuíveis ao “colectivo” pelo qual ninguém se responsabiliza.

joao abel manta

(a partir de João Abel Manta)

Superiores e Felizmente Não “Extraordinários”

O que não vale ter na tutela colegas dos negociadores. Já no não-superior, faz toda a diferença ter dos dois lados gente que olha para os professores como malta de segunda ordem.

Os professores do ensino superior e os investigadores que têm vínculos precários serão incluídos no programa de regularização de vínculos dos trabalhadores do Estado. As duas carreiras não estavam originalmente incluídas neste processo, mas o Governo acabou por aceder às exigências dos sindicatos.

Se a isto se chama ter o Mário Nogueira a mandar no ME, antes não mandasse.
Mario_NSMBW-3

Seremos Primos?

Não conheço esta investigadora, mas parecemos ter interesses semelhantes.

Ana Guinote é professora de psicologia experimental na University College de Londres e publicou o estudo com o título: “Como o poder afecta as pessoas: Accionar, Procurar e Definir Metas”. A investigadora analisou diversos artigos publicados nos últimos 15 anos de várias áreas, desde a psicologia às neurociências, passando pela gestão. No artigo há vários exemplos de experiências realizadas. Há por exemplo um inquérito feito a deputados do Parlamento inglês, que revelou que a capacidade de decisão de um primeiro-ministro é mais valorizada do que a honestidade. A investigadora fala também de estudos que associaram o exercício de poder à activação de circuitos cerebrais relacionados com a recompensa, o que se reflecte na libertação do neurotransmissor dopamina.

O artigo de revisão faz cair algumas máscaras do poder. Exemplos? Mais importante do que ser verdadeiramente inteligente, revela, será mesmo só parecer inteligente. A investigadora nota que a inteligência foi inicialmente considerada como um bom indicador para prever uma posição de poder mas os estudos indicam, que, afinal, a relação entre uma coisa e outra é fraca. Basta a reputação de inteligente – que se consegue através da extroversão e comportamentos confiantes – para ser um candidato mais forte a ocupar uma situação de poder.

E o mesmo vale para a competência. “No contexto social, as pessoas dominadoras são assertivas e decididas. Esta assertividade cria a impressão de competência, mesmo quando elas não são necessariamente mais competentes e a competência (ou apenas a sua aparência) é o factor-chave para chegar até um lugar de poder.”

lampadinha21

A Competência Esquecida?

No perfil para o século XXI. Não sei porquê. Porque “pensamento crítico” não chega se a informação usada for errada e os debates forem condicionados à partida. Ou, porventura, é mesmo isso que se quer. Quiçá seja isso a parte da “criatividade”.

Esta última linha de ação passa por treinar, no domínio na educação escolar e não só, processos de verificação das fontes noticiosas, capacidade de distinguir as confiáveis das suspeitas, perceber o que são factos e o que são opiniões, e quem é que os difunde e a sua credibilidade.

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