Singapura

Na peça da Visão da semana passada que continha a entrevista do SE Costa, apresentava-se uma pequena lista de países com reformas educacionais a observar. Singapura era um deles. Fui espreitar e descobri que por lá têm um primeiro ciclo de seis anos com a seguinte estrutura, que tem uma estrutura com prioridades bem claras e as Artes junto com as Humanidades.

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Uma coisa que Singapura tem também é um extenso programa de exames (os Primary School Leaving Examination – PSLE) à saída desses seis anos iniciais de escolaridade com programas longe de fofinhos manhãs com cinco horas de provas. E olhem que o sistema de avaliação nos anos que equivalem ao nosso segundo ciclo é bem mais complexo do que o nosso.

Há uma reforma em decurso para aplicação até 2021. Também isso é muito diferente de cá, onde se quer tudo num ano para ficar no currículo dos governantes (presentes ou recuperados a um passado distante).

Estatística Política

A comunicação social foi invadida nos últimos dias por notícias acerca do estudo que “revela” que não sei quantos por cento de alunos carenciados reprova, em especial em Matemática (o Livresco mandou-me tantos links que me perdi, até perceber que basicamente diziam o mesmo, ou seja, ampliavam a mensagem do spin ministerial com fraca dose de crítica sobre as soluções apresentadas)..

Parece que a investida é no sentido de fazer os professores sentir-se mal porque estão a discriminar os pobrezinhos quando os reprovam. Aliás, os dados – ao que me dizem – foram os que despejaram na formação verdascada do sucesso a qualquer custo.

O engraçado é que nunca parece ver-se a questão pelo outro lado, se é que a lógica apresentada é para levar a ´serio: se não fossem carenciados, estes alunos provavelmente não reprovariam. Logo… que bela ideia se os políticos e os seus séquitos de especialistas em estatística política se preocupassem mais em combater a pobreza e a exclusão social com políticas decentes, em vez de quererem que outros remedeiem a situação na base do fingimento.

Porque é mais fácil assim… em vez de se elevar o nível sócio-económico da população e criar melhores condições para os alunos desenvolverem o seu trabalho e aprendizagens, mascara-se a coisa com “flexibilidades” e “insucessos zero” e pressionam-se as escolas para mudarem critérios de avaliação e transição.

É manter os burros do costume a puxar a carroça e querer que andem ao lado dos volvos.

O normal nestes políticos de aviário que confundem a defesa da imagem pessoal com outra coisa. Porque não conseguem mais e a “geringonça” deu cabo de qualquer massa crítica à esquerda.

E como se escrevia num outro estudo: desde que um político (a)pareça muito assertivo a brandir uns gráficos, mesmo que a substância seja zero, boa parte do povoléu acredita que sim.

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Manuais

Ainda estou a tentar encontrar o sentido ao que se tem passado este ano acerca deste tema, a certa altura tão mediático. A verdade é que não percebo o que se ganhou com as mudanças que não chegaram bem a ser em torno disto tudo. Os manuais, na sua maioria, não baixaram de preço e o “pacote completo” continua a ser dado a quem quiser pagar o gásoil para ir à romaria das sessões de lançamento. Entretanto, há editoras que nem sequer um manual mandam para análise, enquanto as do costume enviam para toda a gente, nem que seja o conjunto básico (manual+caderno de actividades, o que chega e sobra),

Se era para fazer poupanças que se reflectissem nos alunos e nos orçamentos familiares, o caminho seria outro, mas… isso era esperar que pensassem além da rama e da pressão dos telejornais.

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Gratuitidades

Discordo bastante de práticas de angariação de verbas à custa dos alunos. Mais do que o que é exposto nesta notícia em título (acho que quem estraga impressos ou cadernetas deve pagar as segundas vias) choca-me que em certas escolas se limitem as requisições de fotocópias aos professores, em especial em matéria de enunciados de testes, por forma a não terem linhas e obrigarem os miúdos a pagar por folhas de teste com o carimbo da escola/agrupamento. Mesmo que seja no Secundário, sendo na escolaridade obrigatória, essa é uma prática que me desgosta profundamente.

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