Estatística Política

A comunicação social foi invadida nos últimos dias por notícias acerca do estudo que “revela” que não sei quantos por cento de alunos carenciados reprova, em especial em Matemática (o Livresco mandou-me tantos links que me perdi, até perceber que basicamente diziam o mesmo, ou seja, ampliavam a mensagem do spin ministerial com fraca dose de crítica sobre as soluções apresentadas)..

Parece que a investida é no sentido de fazer os professores sentir-se mal porque estão a discriminar os pobrezinhos quando os reprovam. Aliás, os dados – ao que me dizem – foram os que despejaram na formação verdascada do sucesso a qualquer custo.

O engraçado é que nunca parece ver-se a questão pelo outro lado, se é que a lógica apresentada é para levar a ´serio: se não fossem carenciados, estes alunos provavelmente não reprovariam. Logo… que bela ideia se os políticos e os seus séquitos de especialistas em estatística política se preocupassem mais em combater a pobreza e a exclusão social com políticas decentes, em vez de quererem que outros remedeiem a situação na base do fingimento.

Porque é mais fácil assim… em vez de se elevar o nível sócio-económico da população e criar melhores condições para os alunos desenvolverem o seu trabalho e aprendizagens, mascara-se a coisa com “flexibilidades” e “insucessos zero” e pressionam-se as escolas para mudarem critérios de avaliação e transição.

É manter os burros do costume a puxar a carroça e querer que andem ao lado dos volvos.

O normal nestes políticos de aviário que confundem a defesa da imagem pessoal com outra coisa. Porque não conseguem mais e a “geringonça” deu cabo de qualquer massa crítica à esquerda.

E como se escrevia num outro estudo: desde que um político (a)pareça muito assertivo a brandir uns gráficos, mesmo que a substância seja zero, boa parte do povoléu acredita que sim.

spin

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4 thoughts on “Estatística Política

  1. Políticos verdascados, que defendem tretas destas, são, eles próprios, bastante desfavorecidos em matéria de neurónios.
    Coitados, estavam de costas quando foi distribuída a inteligência e não se lhes pode levar a mal a porcaria toda que sai daquelas cabecinhas burras….

  2. Subscrevo o texto no essencial, Chamo todavia a atenção para o seguinte: esta questão é bastante complexa e não se pode circunscrever (da forma simplista que também convém aos governantes, como se vê) a uma lógica causal simples e linear (pobreza->insucesso escolar). De facto, verifica-se que, de um modo geral (porque todos sabemos que, felizmente, há excepções), quanto menos rendimentos têm as famílias menos importância atribuem ao sucesso nos estudos e quanto menor é este sucesso menos rendimentos terão os seus jovens membros possibilidades de vir a usufruir (os licenciados continuam a ter mais probabilidades de obter empregos melhor remunerados). É um círculo vicioso. Por isso, o combate a este problema tem que ser travado nas duas frentes: a social e familiar e a escolar.

  3. Vi a comparação com o Inglês. Só que não compararam o essencial: turmas de trinta alunos com 2/3 tempos semanais (quantos tempos tem a Matemática?). Alguém aprende uma língua nessas condições? É só ver como funcionam os institutos de línguas: grupos de 15, por nível. Está tudo dito.

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