Duplo Padrão

Lia há poucos dias um texto de uma pessoa de esquerda que considero bastante inteligente e nem sequer, em regra, muito contorcionista a relativizar a vitória de Macron em França porque a abstenção tinha sido de 26%, pelo que os 66% do novo PR francês não era 66% mas apenas 48,8%, ou seja, menos de 50%.

O interessante é que não vejo essa mesma lógica quando aplicada a outras eleições, nomeadamente na mesma área política. Anunciam-se vitórias com 94% dos votos, sendo que votaram apenas 37,5% dos eleitores inscritos. O que dá um peso relativo de apenas 35,3% no universo eleitoral. O actual governo baseia-se numa coligação pós-eleitoral que alcançou 50,75% dos votos expressos, com 44,1% de abstenção, o que dá 28,4% dos eleitores.

No meu caso, considero qualquer das eleições como legítima, pois foi votar quem quis e absteve-se quem não se sentiu revisto nos dois candidatos (em França), na lista única (do sindicato de cá) ou nos partidos a concurso (legislativas de cá). Assim como compreendo que exista quem conteste a representatividade de todos os vencedores em eleições com afluências deste género.

A mim o que confunde é que se apliquem lógicas diferentes conforme a cor de quem ganha ou perde.

Kim