As Le Pens Como Necessidade “Sistémica”

Sem o “perigo” de Le Pen como será que se legitimariam todos os outros? Desde a direita “respeitável” à extrema esquerda, passando pelo centrismo que se apresenta como vacina contra todos os radicalismos? Todos os sistemas políticos – mesmo os mais totalitários que se declaram representantes do todo – precisam de um inimigo interno ou externo para se justificarem e às suas opções (também pode ser à esquerda, tipo syriza antes da domesticação para não falarmos nos nossos novos cordeirinhos). O apelo ao voto contra algo sobrepõe-se ao voto convicto a favor das propostas dos males menores. O problema é quando se agiganta de tal forma o perigo anti-sistémico que – por errado cálculo acerca da desafeição dos cidadãos comuns em relação a um “sistema” percepcionado como irreformável a partir de dentro- ele se torna atractivo e se acaba por eleger trumps.

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