E Depois Há os Filhos (Enteados, Primos, Sobrinhos, Netos, Conhecidos, Aparentados, Amigos de Amigos da Vizinha Jeitosa) dos Macários

Lembram-se do então célebre episódio “educativo” do grande anti-tabagista Macário (versão divertida aqui)? Agora imaginem que a criança de então está prestes a entrar para a Universidade e um papá assim tem a tutela das escola onde ele anda.

Excepção? 🙂 🙂 🙂 Talvez sim, talvez não.

O problema é que em tempos de rapidez tecnológica, a alegação das vantagens da proximidade ficam-se mais curtas do que no tempo das carroças, mas a contrapartida do caciquismo continua quase em estado puro em muito deste nosso país. O regime liberal ergueu-se exactamente contra os particularismos e os tratamentos de excepção como regra (se é que dá para entender). A Lei entendeu-se como de aplicação universal em vez da manta de retalhos dos privilégios e particularidades locais.

Os tempos são outros? São, mas a essência dos humanos mudou pouco e não me venham com as experiências dos finlandeses, neozelandeses ou canadianos, porque eles não precisaram de chegar ao “Homem Novo”, bastando-lhes uns séculos de prática da auto-responsabilização (Finlândia) ou apenas de moderação (Canadá). Os portugueses são o que são, maravilhosos a adorar Fátima e o Salvador, mas péssimos se o Zéquinha quiser ter 18 a Matemática sem saber a Matemática.

A distância do “centralismo” era a garantia de alguma neutralidade que agora cai pela base com decisores com interesses directos em algumas das decisões tomadas e nenhum pejo em esquecerem-se das incompatibilidades. Já imaginaram o shôr plesidente/vereador/téquenico a ter o poder de mando sobre a escolinha dos rebentos ou com a capacidade de seleccionar quem apoiar em casos de birras partidárias?

(já trabalhei numa câmara, sei em primeira mão o que são projectos chumbados ou “esquecidos nas gavetas” só porque o director da escola é de cor diferente… e ainda há um vereador em exercício na dita autarquia que se lembrará das minhas fúrias de então… porque me acompanhou nas visitas e entradas intempestivas num certo gabinete…)

Acreditam mesmo que isto vai melhorar a nossa Educação, torná-la mais solidária, permitir um desempenho global mais uniforme quando teremos autarcas que andaram a desfilar pelos colégios privados a decidir que apoio terão as escolas públicas? A sério? Ou que os amores e humores partidários ficarão de fora das decisões, quando sabemos o que os macários são capazes de fazer só porque o macárinho foi contra uma parede num jogo?

Não acredito na “descentralização” e nas suas imensas virtudes? Já sei que sou um anacrónico, incapaz de ver a luz que os isaltinos e afins lançam sobre a Educação (esquecendo por completo a rede pública de pré-escolar durante os anos em que fizeram o que puderam para promover a rede privada sem concorrência?). Mas ao menos não finjo que esta é a “boa” municipalização só porque há amigos na câmara do concelho onde trabalho (ocorre-me, por exemplo, o caso de Gaia, não sei porquê…).

Ou porque me prometeram um pavilhão se me calar ou colaborar nas catrapulices expressionistas. Ou o apoio aos “projectos pró sucesso”.

Porque há quem saiba que se sabe(rá) e é melhor ficarem avisados que há malta que não se cala(rá). Mesmo que atirem lama pelas costas.

Macario

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6 thoughts on “E Depois Há os Filhos (Enteados, Primos, Sobrinhos, Netos, Conhecidos, Aparentados, Amigos de Amigos da Vizinha Jeitosa) dos Macários

  1. Entretanto, chovem eventos para o “Homem Novo”, com 1 profusão de video-conferências sobre a utilização das TIC em sala de aula, a construção de formulários e páginas online, construção colaborativa de documentos, produção e edição de vídeo, utilização educativa dos dispositivos móveis, utilização de quadros interativos, publicação em ambiente online, exploração de plataformas de colaboração, sala de aula invertida (flipped classroom), educar para as redes sociais, …)
    Juntem-se fundos, Homens Novos, associações e descentralizações e a gente fica assim meia desconfiada. Sei lá porquê.

  2. O poder local é um antro de corrupção. O resto é conversa para boi dormir…
    Descentralização?
    No fofo.
    Um país pequeno cheio de caciques…
    Quem não os conheça que os compre.

  3. O beatas Macário devia ter vergonha ( na tromba e na pranhura ).
    Tipo porco em pé.
    O filho só pode ser um totó – ( olhos vendadas = bater alarvemente na parede ? )
    O Macário tem os braços curtos ? Verdade, assim tipo asas penduradas.
    E o filho ? Olhos vendados e não estica os braços em andamento ?
    Tal pai,tal filho .
    É só dói-dóis … ( gelo e hirudoid e já gozam ).
    Ao que isto chegou .

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