Da Perda de Sentido

Repito-me, eu sei. Mas a cada fornada de testes para classificar (cada vez menos para corrigir, em defesa da sanidade ortográfica que me resta ou do pensamento que se esvai) vou concordando que nada disto faz sentido nos tempos do sucesso verdascado, em que as escolas são ensinadas a fazer passar por sucesso o que os professores escrevem nos papéis para se justificarem pelo que os alunos não fazem. Critérios de classificação para quê? Grelhas (de testes, de observação, de final de período, globais, etc) para quê? Se a olho, somando mais um nível (ou uma generosa mão cheia de valores no Secundário) se pode atingir o nirvana da qualidade quantitativa desde que se tenha o cuidado de não furar o texto formal?

Isto é uma imensa palhaçada à escala nacional, com uns oásis excepcionais. No sentido de excepção e não de excepcional qualidade. Ou talvez sim.

Quem a sabia bem era o Clark, não o quente. Estúpidos somos nós, que ainda insistimos no “velho paradigma” que nos dizem repleto de “cultura da retenção” só porque ainda não nos rendemos ao papel de animadores de salão de festas num mundo em que o que interessa é apenas “comunicar”, não interessa como e cada vez menos o quê.

Frank

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O Quê???

Há várias coisas nas declarações constantes desta notícia que me deixam assim a modos que com vontade de dizer uns disparates. Eu transcrevo e nem sequer comento, para não me exceder mesmo. Ainda bem que não aparece (explicitamente) a necessidade de “formação” de professores para o efeito.

Escolas vão combater a pobreza

(…)

“É uma luta de 25 anos. Sempre soubemos que não se podia erradicar a pobreza sem começar pela educação nas escolas, mas, a verdade, é que houve sempre uma barreira intransponível, no Ministério da Educação, à abertura de portas para este trabalho com os jovens para a igualdade, cidadania e sensibilização”, disse à Lusa Jardim Moreira.

“Finalmente tornou-se possível. Hoje recebemos a promessa do ministério de que dentro de quinze dias a três semanas vai ser assinado o protocolo nacional que nos permitirá, a partir do próximo ano letivo, entrar em todas as escolas do país”, congratulou-se.

Para Jardim Moreira “será um passo de gigante, permitindo mudar mentalidades e criar gente jovem a participar na construção de uma sociedade renovada”.

Jardim Moreira falava no âmbito do debate “O futuro começa agora”, promovido por aquela instituição e que envolveu 200 alunos, entre os 13 e 17 anos, de 15 escolas e instituições entre Bragança e Niza, que decorreu no auditório do Museu Soares dos Reis, no Porto.

Implantada em todos o país, o passo seguinte da EAPN- Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal, segundo o seu presidente, será “cativar os professores aderentes para que tenham formação e, assim, poder colaborar com os jovens nas escolas”.

“Não vai haver dinheiro, mas sim parcerias entre as escolas e a Rede”, salientou o responsável de um projeto que surgirá “depois do desaparecimento, nos últimos anos, das áreas de projeto e de Educação para a Cidadania”, lembrou Sandra Araújo da Rede do Porto.

E acrescentou: “Com este novo projeto vai manter-se a aposta de distribuição dos conteúdos pelas escolas, agora mais direcionados para o público mais jovem depois de um esforço de sensibilização junto dos adultos”.

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Contratos de Associação, Spin a Dobrar e Outras Coisas a Preceito

O Livresco mandou-me há dias uma série de links que me deixaram a perceber menos do que antes obre o tema, porque cada notícia puxa pela sardinha que lhe parece mais saborosa. O Notícias de Coimbra destaca que o Instituto de Lordemão vai abrir quatro novas turmas de 5º ano no próximo ano. Mas a RTP anuncia que devem ser cortados apoios a 268 turmas,  enquanto o Coreeio da Manhã, apesar de referir o mesmo número, destaca que serão abertas mais 144 turmas em virtude de um parece da PGR. De acordo com o Público os colégios “perdem 48 milhões de euros” em 2 anos, enquanto no DN se sublinha que os colégios privados criticam este “novo” corte. No Porto Canal dá-se conta do possível encerramento de oito escolas privadas (pelo menos não referem “colégios”) por causa da redução dos apoios do Estado.

Com todo este bruá, quase nem se nota que num único concelho aqui da margem sul há cinco escolas públicas (quatro básicas e uma secundária) cujos alunos nunca puderam ter um pavilhão para praticar em condições aquelas actividades que agora parecem ser prioritárias no currículo do 1º ciclo. Já nem vou falar, de novo, dos casos por onde passei. Porque há gente muito inteligente que, lá por ter tudo o que quer no seu quintal, se esquece das condições do resto.

Se ao menos, as poupanças nos contratos de associação pudessem ser aplicados de forma visível nas escolas públicas é que era mesmo interessante.

Carteira

Não Faz Muito Sentido

Conseguir fazer compras (mesmo de novidades) mais baratas numa livraria em promoção de fim de semana do que na Feira do Livro, onde as editoras cortam todas as comissões intermédias (distribuidoras, livrarias). Nunca um balanço foi tão magro nesta romaria anual. Vá lá que consegui, a caminho, completar algumas das falhas na fase mais tardia do Jeremiah.