Da Perda de Sentido

Repito-me, eu sei. Mas a cada fornada de testes para classificar (cada vez menos para corrigir, em defesa da sanidade ortográfica que me resta ou do pensamento que se esvai) vou concordando que nada disto faz sentido nos tempos do sucesso verdascado, em que as escolas são ensinadas a fazer passar por sucesso o que os professores escrevem nos papéis para se justificarem pelo que os alunos não fazem. Critérios de classificação para quê? Grelhas (de testes, de observação, de final de período, globais, etc) para quê? Se a olho, somando mais um nível (ou uma generosa mão cheia de valores no Secundário) se pode atingir o nirvana da qualidade quantitativa desde que se tenha o cuidado de não furar o texto formal?

Isto é uma imensa palhaçada à escala nacional, com uns oásis excepcionais. No sentido de excepção e não de excepcional qualidade. Ou talvez sim.

Quem a sabia bem era o Clark, não o quente. Estúpidos somos nós, que ainda insistimos no “velho paradigma” que nos dizem repleto de “cultura da retenção” só porque ainda não nos rendemos ao papel de animadores de salão de festas num mundo em que o que interessa é apenas “comunicar”, não interessa como e cada vez menos o quê.

Frank

4 respostas para ‘Da Perda de Sentido

  1. Sentimos todos mais ou menos isso, colega.
    Mas esta enorme fantochada em que o Ensino se tornou serve apenas para desmotivar os (poucos) bons alunos que ainda restam. Ao ver os palermas passar à força, saibam ou não saibam, desmotivam-se.
    Já nada vale a pena.
    O esforço e trabalho são ridicularizados, a imbecilidade domina. Porquê? Porque somos um país (des)governado por imbecis eleitos por imbecis.
    Restam nas escolas umas centenas de professores honestos, estudiosos e com princípios. O resto é paisagem e sindicalistas que não querem é dar aulas. Aprés nous, le délouge.

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  2. Há imensos colégios privados e pais com possibilidades de os pagar. O sistema político está assegurado e o facilitismo no ensino público convém. Por um lado não interessa investir: o ensino público e o sistema de saúde foram alvos seleccionados para cortar milhões de euros. Por outro lado, o ensino vai servindo de isco para colheita de votos. E quem pode confiar no trabalho das autarquias para melhorias futuras?

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  3. É com imensa tristeza e preocupação que assisto ao que relata e subscrevo post, bem como comentários que se seguiram. Dizia-se que o sistema de ensino inglês é de castas, pois o nosso segue-lhe o modelo! Jamais os nossos jovens, das escolas públicas, irão trabalhar para o estrangeiro, como até aqui o foram. Não terão competências para nada, nem a ideia de que é com esforço que se consegue algo. Nada, nada, restará. E, a esquerda, pactua com esta fantochada.

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  4. Ontem, numa reunião de 9° ano, admitiram-se a exame 2 alumos com 6 negativas! Foi preciso subir três notas do nível 2 para 3! O problema mais grave é qie o nível dos dois rondava em todas as disciplinas os trinta e muito pouco por cento!!!!!!!!!!
    Afinal de que me.serve classificar ( e não corrigir, porque disso também já me deixei) tantos testes, fichas relatórios e afins ao longo do ano!
    PALHAÇADA!

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