As Escolas que Fazem a Diferença

Leio com alguma frequência títulos como este acerca de escolas que se apresentam como tendo “boas práticas” em prol dos seus alunos. Estranho, salvo honrosas excepções, tamanho destaque. A larga maioria das escolas por onde passei ou que conheço fazem a diferença, no sentido positivo, para muitos dos seus alunos todos os dias. Não têm é a capacidade (ou preocupação) em transformar isso em fenómeno mediático. Chega(-nos) o reconhecimento directo.

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As Palavras

A linguagem estruturada, falada ou escrita, foi uma das enormes conquistas da hominização e da inteligência humana. Sim, claro que se desenvolveram outras formas de “comunicação”. Mas a perda da noção do sentido das palavras em si é algo que começa a acelerar-se entre estratos da população que se registam como alfabetizados. Antes, a escrita era um mistério para os “analfabetos”. Agora, já não é tanto assim. Tornou-se um problema mais “inclusivo” e a tendência para os fonemas emocionais (ou os emocoisos digitais) se afirmarem como base de alguma (muita?) comunicação humana é um traço civilizacional que tenho dificuldade em qualificar.

Basta ver como gente crescida com habilitações acima do básico fica em paralisia perante instruções simples para preencher um impresso se não tiver uma espécie de gps a segredar-lhe as soluções. O analfabetismo funcional não é substituível, em muita coisa, pelo “saber fazer” ou pela capacidade de “comunicar”. A menos que o objectivo seja mesma uma massa indistinta de gente incapaz de perceber mais do que discursos simplistas à trump e que se sintam bem com massagens ao ego com a certificação do sucesso ou os golos e títulos do ronaldo.

Ou recentramos o ensino no que é mesmo essencial (por definição, o que está para além das modas transitórias) ou ficaremos prisioneiros de uma crescente afasia civilizacional.

 

Bean