As Palavras

A linguagem estruturada, falada ou escrita, foi uma das enormes conquistas da hominização e da inteligência humana. Sim, claro que se desenvolveram outras formas de “comunicação”. Mas a perda da noção do sentido das palavras em si é algo que começa a acelerar-se entre estratos da população que se registam como alfabetizados. Antes, a escrita era um mistério para os “analfabetos”. Agora, já não é tanto assim. Tornou-se um problema mais “inclusivo” e a tendência para os fonemas emocionais (ou os emocoisos digitais) se afirmarem como base de alguma (muita?) comunicação humana é um traço civilizacional que tenho dificuldade em qualificar.

Basta ver como gente crescida com habilitações acima do básico fica em paralisia perante instruções simples para preencher um impresso se não tiver uma espécie de gps a segredar-lhe as soluções. O analfabetismo funcional não é substituível, em muita coisa, pelo “saber fazer” ou pela capacidade de “comunicar”. A menos que o objectivo seja mesma uma massa indistinta de gente incapaz de perceber mais do que discursos simplistas à trump e que se sintam bem com massagens ao ego com a certificação do sucesso ou os golos e títulos do ronaldo.

Ou recentramos o ensino no que é mesmo essencial (por definição, o que está para além das modas transitórias) ou ficaremos prisioneiros de uma crescente afasia civilizacional.

 

Bean

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2 thoughts on “As Palavras

  1. Podias ter parado aqui “A menos que o objectivo seja mesma uma massa indistinta de gente incapaz de perceber mais do que discursos simplistas à trump e que se sintam bem com massagens ao ego”, Paulo.

  2. Os miseráveis…
    Os miseráveis de hoje e os de amanhã…

    Quem fala em igualdade, em justiça, em equidade, em expectativas de bem-estar, …, ?
    Quem precisa das Leis e de Constituições?
    -Não são, certamente, os ricos e poderosos.
    Também concordo com Iracundo e ali chegado, o principal estava dito!

    “1% da população global detém mesma riqueza dos 99% restantes, …” http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160118_riqueza_estudo_oxfam_fn

    Nada é por acaso!

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